segunda-feira, 13 de maio de 2013

As práticas espirituais só adquirem sentido na vida cotidiana




" As práticas espirituais só adquirem sentido na vida cotidiana. A relação com nossos pais, esposa, marido, filhos, colegas de trabalho e demais seres em todos os planos da existência, material e sutil, é o verdadeiro termômetro da prática. Um sinal de que algo está errado é nos considerarmos espiritualizados, praticantes disciplinados e zelosos, e, ainda assim, sermos tomados por desinteresse e falta de compaixão em relação aos seres que nos rodeiam. 

No sentido último, o isolamento e a prática formal são artificialidades - só se justificam por eventualmente proporcionarem  a remoção de obstáculos. São remédios, têm princípios ativos, e, por isso, também efeitos colaterais. Quanto antes nos livrarmos dos remédios e atingirmos nossa condição natural de saúde, tanto melhor. Todas as construções espirituais, ainda que meritórias, são esponja, água e sabão, ou seja, dispensáveis ao final da limpeza."

Lama Padma Pamtem. Meditando a Vida. Editora Peirópolis.  São Paulo, 2001.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Investigação a respeito de si





Estamos tão envolvidos nas situações corriqueiras da vida que raramente dispomos de um tempo para fazer uma reflexão sobre quem somos, como anda nossa vida, se a forma como foi conduzida está de acordo com o que planejamos/desejamos e por ai vai. Vamos caminhando aos tropeços sem enxergar propriamente para onde estamos indo e geralmente quando isso acontece parece que vamos dando mais nós na corda do que desfazendo os já existentes. E quando caímos em si, nos perguntamos: o que está acontecendo? Ai desencadeia o sofrimento e se tivermos um pouquinho de equilíbrio e maturidade emocional, podemos transformar esse sofrimento em aprendizado e iniciar uma nova jornada. 

Porque às vezes tudo o que precisamos é descartar os velhos e conhecidos padrões que seguimos e nos atirar no abismo do novo, arriscar, se entregar as mudanças, provocar as mudanças e tentar (mais uma vez, que seja!) construir uma vida diferente. Afinal de contas, é um grande desperdício passarmos anos, meses, tempos e tempos no marasmo, insatisfeitos, inertes como se a vida fosse isso mesmo. Não, não é. A vida é aquilo que somos, que fazemos dela e se você não faz nada por ela, dificilmente ela irá fazer por você. O movimento está em nossas mãos e é de nossa responsabilidade, nada se move sozinho. Descoberto isso fica mais fácil arregaçar as mangas. 

Em algumas circunstancias percebemos que estamos no lugar errado, com as pessoas erradas, fazendo algo que não nos oferece prazer, satisfação, alegria. Essa é a hora de mudar, não podemos jamais aceitar que as coisas devem ser como são e ponto, isso seria um atentado contra a vida. Se contentar com algo que não está funcionando é abafar todo o nosso potencial e não deixar florescer aquilo que tem de melhor dentro de nós. Por isso precisamos de quando em vez pararmos para fazer uma profunda investigação sobre quem somos, o que sonhamos, o que fizemos e o que pode ser feito daqui pra frente.

Temos medo das mudanças porque elas nos desafiam a olhar de maneira diferente, instiga nossa criatividade e nos faz pisar em territórios desconhecidos. Mas só podemos obter resultados diferentes, explorando alternativas diferentes de viver. Só podemos ver uma mudança no nosso dia-a-dia se tomarmos vias desconhecidas e abandonarmos o nosso velho e condicional universo, que ao mesmo tempo em que proporciona segurança, também proporciona o tédio, um vazio existencial, um marasmo sem fim. 

Nunca é tarde para arriscar, para fazer uma nova escolha, para mudar de cidade, de profissão, de círculo, de companhia. Escutar o coração, seguir a intuição e ser feliz é a meta – arrisque mais. É o movimento que faz a vida ser dinâmica, fluída, heterogênea. Movimento só é possível escolhendo, arriscando, acertando, errando, aprendendo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

A cura através do perdão



Uma das sensações mais aliviantes para o coração é o perdão, não importa quanto ele demore a se concretizar de fato, mas um dia naturalmente ou não, ele acontece. Esquecer e perdoar são atividades que requer um tanto de paciência e persistência, digamos que é praticamente um exercício. Até pode ser que algumas pessoas, raras, consigam perdoar de forma compassiva, mas geralmente para nós, a maioria, precisamos nos esforçar para alcançar tal estado.

Muitas vezes nosso ego é ferido por alguém e ficamos magoados, com raiva, tristes e armazenamos estoques de veneno dentro de nós, que poluem todo nosso interior e bloqueia nossa energia criativa. Precisamos aprender a perdoar mesmo quando o outro não nos pede perdão. Nem sempre estamos preparados para isso, mas a meta deve ser essa, não é nada impossível. Somente desta forma conseguimos transformar o sentimento de raiva e tristeza que sentimos por determinada pessoa ou situação, em algo aliviante, leve. O quanto mais fácil vai se tornando a prática, mais “amadurecidos” emocionalmente estamos.

Lendo assim parece até ser uma missão fácil, sabemos que não o é, por infinitos argumentos e obstáculos que nossa mente cria, porém exercitando o perdão somos capazes de ir cada vez mais longe. Isso também não quer dizer que seremos permissivos para que a outra pessoa possa nos ferir novamente. Não! O perdão pode acontecer, mas seremos cuidadosos daqui pra frente.
Perdoar é curar uma ferida, é transformar o barro em obra de arte.

No livro “Mulheres que Correm com Lobos”, Clarissa Pinkolas Estés fala sobre os 4 estágios do perdão, segue:

1. DEIXAR PASSAR – deixar a questão e paz
2. CONTROLAR-SE – renunciar à punição
3. ESQUECER – afastar da memória, recusar-se a repisar
4. PERDOAR - o abandono da dívida

“Perdoe o quanto puder, esqueça um pouco e crie muito.” Clarissa Pinkolas Estés

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Pequena pausa


Queridos amigos leitores,
Minha fadinha Kalindi nasceu e o tempo para escrever e atualizar o blog ficou mais escasso, pelo menos por enquanto, pois estamos nos adaptando a nova rotina familiar. Muitas emoções, sentimentos e assuntos estão pipocando dentro de mim, mas vou ter que esperar um pouco para conseguir transformar tudo isso em palavras.

No meio deste processo mágico que é a metamorfose de uma mulher para uma mulher-mãe, estou me deliciando com o livro Mulheres que Correm com lobos, de Clarissa Pinkola Éstes, sem dúvida um dos melhores livros que já li na vida e muito pertinente para este momento que estou vivenciando. Tudo está sendo uma descoberta e deixar o medo e a insegurança de lado para se jogar nesse abismo profundo e colorido que é maternidade, virou minha missão agora.


Agradeço o carinho e a compreensão de vocês, e em breve volto a escrever por aqui e dividir com vocês minhas reflexões.


Om shanti!


Flor


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Máscaras



Em tudo o que você estiver fazendo, siplesmente esteja consciente. Se você estiver usando uma máscara, esteja consciente; use-a conscientemente. Ela não deveria ser uma coisa automática. 

Se o seu estado de ânimo está entristecido e alguém vem e você permanece triste, você o deixará triste também. E ele nada fez. De maneira alguma o mereceu; então, por que deixá-lo desnecessariamente triste? Sorria, converse e você simplesmente controla a situação, sabendo bem que isso é uma máscara. Quando o seu amigo for embora, fique de novo triste. Essa foi apenas uma formalidade social. Se você a usar conscientemente, não haverá problema.

Se você tiver uma ferida, não há necessidade de mostrá-la a todo o mundo; ela não diz respeito aos outros. Por que torná-los infelizes contando-lhes sobre sua ferida? Por que ser um exibicionista? Deixe quea ferida esteja com você, cuide dela, tente curá-la. Mostre-a ao médico, mas não há necessidade de mostrá-la a cada um que passa pela rua. Esteja consciente.

Você precisa usar muitas máscaras, elas funcionam como lubrificantes. Uma pessoa vem, pergunta como você está, e você começa a lhe contar todos os seus problemas. Não foi pra isso que ela perguntou, ela estava apenas dizendo alô. Agora, por uma hora ela precisa escutá-lo. Isso é demais! Da próxima vez ela nem dirá alô, ela escapará.

Na vida, muitas formalidades são necessárias porque você não está sozinho. Se você não viver de acordo com os padrões formais da sociedade, criará infelicidade para você, e nada mais.

(Osho. 365 meditações diárias. São Paulo: Verus Editora, 2003. p. 293)

terça-feira, 2 de abril de 2013

A sedução furtiva dos apetites



"Não é por acaso que homens e mulheres se esforçam para descobrir o lado mais produndo da sua natureza e, no entanto, tem sua atenção desviada por inúmeras razões, em sua maioria por prazeres de diversos tipos. Alguns tornam-se dependentes dessas preferências e ficam sempre enredados nelas, sem conseguir jamais continuar seu trabalho."

Estes, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. RJ, Rocco, 1994

Ainda estou no processo de leitura do "Mulheres que correm com lobos", de Clarissa Pinkola. E cada capítulo é um suspiro novo e aquela vontade louca de sair grifando o livro inteiro, pena que ele é emprestado e não posso rabiscar o livro da amiga.

Neste capítulo: A sedução furtiva dos apetites, a autora fala dos pequenos prazeres que nos acometem durante a jornada, e que são comparados com pequenos e encantadores ladrões que são dedicados a roubar o nosso precioso tempo e libido.

Quantas vezes no percursso nos pegamos distraídos do objetivo e prisioneiros ou quem sabe, somente, iludidos com essas 'preferências'? Muitos sábios de todas as regiões, regiliões, intelectuais e filósofos já falaram sobre a importância de impor um controle aos apetites humanos, que são muitos.

Nos boicotamos diversas vezes ao longo da vida, sem muitas vezes não nos darmos conta. Pior é quando sabemos do nosso auto-boicote e mesmo assim não despertamos em ações para modificar as coisas.  Reconhecer o estado atual é o primeiro passo, mas é sozinho, só o ato de reconhecer é tímido demais e não pode fazer muito.  Transformar requer um pouco de suor, de arregaçar as mangas, determinação e confiança - um trabalho profundo e certamente um tanto penoso, mas que vale a pena.

As distrações no meio do caminho podem até ter o seu valor, mas não podemos nos prender a elas. É preciso acordar, estar consciente da maya que nos envolve a cada dia.

terça-feira, 26 de março de 2013

A busca (desenfreada) pela felicidade






Hoje, depois da minha meditação matinal, como é de costume leio uma página de um livrinho espírita. Abro uma página aleatoriamente e sempre a mensagem condiz com o contexto que eu estou vivendo, incrível a sintonia entre o livro, o universo e eu. Felicidade foi o tema de hoje e vou aproveitar para refletir um pouquinho sobre isso. Segue na íntegra o que saiu pra mim:


“Não deposite nas mãos de alguém a responsabilidade de fazê-lo feliz. Ninguém merece ser sobrecarregado a tal ponto! Não culpe alguém pelo seu sofrimento. Ninguém merece carregar a responsabilidade deste fardo! Saiba que, você, só você tem a chave da própria felicidade e é o autor do próprio sofrimento. Se a causa não foi gerada nessa vida, certamente foi, em um vida anterior. Pense bem nisso. Torne-se senhor absoluto de seu destino.” 

Nós vivemos dentro de um contexto social que nos ‘obriga’ a sermos felizes e a buscar de forma desenfreada e irreflexiva a tal da felicidade, isso com todas nuances ardilosas do capitalismo para nos iludir sobre o que é felicidade e como podemos adquiri-la através da imensa prateleira do mundo. Acontece que ela jamais poderá ser alcançada por estes meios materiais. É claro que a matéria pode trazer algum conforto e nos poupar em fugazes momentos da preocupação, mas ela não é matriz, geradora da felicidade, satisfação e preenchimento.

Felicidade é um estado interior, assim acredito. E também independente e não duradouro. Não é possível ser feliz o tempo inteiro e é justamente o seu oposto, o sofrimento, que pode nos despertar para uma busca verdadeira da equanimidade, essa sim, é a chave da felicidade e não a alegria, a euforia. Isso são apenas sensações momentâneas. Algumas pessoas ficam o tempo inteiro buscando divertimento, entretenimento, atividades inúmeras achando que isso é felicidade. Não, não é. Isso apenas nos faz ter uma idade moral de 12 anos e tira a nossa responsabilidade diante da vida e evidencia apenas o vazio existencial que tal indivíduo carrega e tenta a todo custo preencher com essas pequeninas distrações. 

Nós mesmos temos a chave da felicidade e como disse o texto espírita não podemos jamais culpar o outro e fazê-lo sentir culpado pelo nosso sofrimento, fracasso, tristeza. Ninguém além de si mesmo pode fazer alguma coisa, exceto um psicólogo, uma terapia, uma meditação,em que a pessoa reconhecendo seu estado vá em busca de ajuda, arregaça as mangas e tenta resolver por si os nós que estão dentro do coração e da mente. 

É muito fácil apontarmos para o outro a culpa dos nossos erros, da nossa infelicidade.  É uma tendência natural, quase instintiva do ser humano de achar que o outro é sempre o gerador do infortúnio, da desgraça. Mas o outro é você.  Há mais ou menos um ano escrevi sobre o desafio de viver com você e o outro, que diz exatamente isso. 

A felicidade é equanimidade, é equilíbrio, é não se afetar pelo negativo, pelo positivo, pela alegria, pela tristeza. É claro que isso pode soar quase inumano, mas é um exercício do qual quem já deu os primeiros passos na jornada do autoconhecimento sabe e entende melhor. A vida é passageira, é curta, é clichê, é brega, então vamos ser equânimes, vamos tentar ser felizes e não desperdiçar esse precioso tempo lamentando tudo o que não é. E como diz minha amiga Hanny: Leveza. Vamos ser mais leves.

sexta-feira, 22 de março de 2013

A potência criadora do entusiasmo




As mudanças nem sempre são apressadas, depende muito da necessidade, da vontade, motivação e do misterioso curso natural da vida, que às vezes mesmo quando nós ambicionamos ir à direita ela nos leva para esquerda: ok, eu me rendo. Este lugar que estamos agora é o local sagrado e necessário para a nossa aprendizagem, para a evolução da caminhada, do Ser integral, mas isso também não quer dizer que devemos estacionar e aguardar ociosos que a vida nos leve para outro canto, se não padeceremos e talvez sem se dar conta disso. 

É muito comum que nossa mente crie muitos obstáculos e justificativas para permanecermos onde estamos, para não provocarmos a mudança e aceitarmos tudo, a realidade tal qual ela é. Mas não podemos nos esquecer da potência criadora que temos dentro de nós, e ela só ganha forma, cor, contornos e texturas quando movimentamos nossa vida, quando saímos da zona de conforto, do aconchego conhecido e exploramos novas fronteiras, horizontes e possibilidades. Por que temos a capacidade, a triste capacidade, de nos acomodarmos numa situação? Talvez seja por medo, mas esse mesmo medo também tem o seu oposto e pode nos alertar para um despertar e nos impulsionar para uma atitude mais altiva diante dos fatos, depende muito do que fazemos com as nossas emoções e como trabalhamos a dissolução delas.

Não é possível desperdiçarmos uma vida à mercê das influências externas, da maré natural do conforto, que traz um enorme prejuízo criativo e reduz a migalhas todas as possibilidades que teríamos caso fossemos mais ousados. Não tem nada mais gostoso do que sentir vibrar no coração o entusiasmo. Então, é isso: não deixar que a rotina, o conforto, o desânimo consuma o que temos de mais precioso, que é vontade de viver, de buscar, de “perseguir” novos horizontes.

terça-feira, 12 de março de 2013

Navegando na superficialidade: o perigoso oceano do senso comum




Fruto de uma educação mercantilista e fluída, como diria Bauman, o homem, ou seja, 97,5% dos mortais, eu arriscaria, navegam na superficialidade da vida. Submersos no seu cotidiano e completamente anêmicos, embora não percebam, diante das sutilezas e grandezas do estar vivo. Sua atenção está voltada somente para funcionalidade das coisas, que nos fins de semana são teoricamente dispensadas para dar lugar ao entretenimento, que é tão sem conteúdo, tão vazio, que só revela ainda mais o seu vácuo existencial.

Esse homem do senso-comum não vê mais nada a ser explorado, porque o mundo se apresenta como algo de contornos já definidos e sua compreensão, comportamento, decisões, posicionamentos acabam por ser previsíveis demais. Um espírito aprisionado ao funcional, escravizado aos ditames proclamados pela maioria e refém de uma sociedade que consome e se apropria indiscriminadamente de tudo de forma irreflexiva e ainda assim se porta de maneira presunçosa e altiva frente ao que é diferente do seu modo de vida. 

Esse vasto universo da superficialidade só revela como a ideologia dominante tem a capacidade de sedar as pessoas, todos pensando igual, acreditando que sua postura é digna, sendo que na maioria das vezes é somente degradante, só que não tem ninguém para alertá-lo disso. 

Para escapar desse reducionismo é preciso muito mais do que questionar, duvidar. É preciso aceitar que não somos detentores da verdade, da razão, e que erramos muitas vezes, que precisamos mudar o ângulo, o foco, a paisagem, de quando em vez e não se limitar a aceitar tudo o que é nos oferecido, por mais que seja de bom grado. E também deixar de lado essa postura permissiva, indiferente e hedonista que domina nosso Ser, pois isso só destrói nossos propósitos e nos afasta da riqueza e diversidade da vida. As coisas não são imutáveis, elas estão o tempo todo em estado profundo de transformação e você pode participar de tudo isso, bastando apenas não se entregar para a frivolidade do senso comum de que tudo é do jeito que é e acabou.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Vislumbres


Sempre começa com vislumbres, e é bom que seja assim; uma abertura repentina do céu seria demasiada, insuportável. Se a realização acontecesse muito repentinamente, você poderia enlouquecer. 

Algumas vezes você pode ser tolo o bastante para entrar em alguma realização de uma maneira tão repentina, o que pode ser perigoso, porque ela será demasiada para você; você não será capaz de absorvê-la. Aquestão não é a realização em si, mas como digeri-la aos poucos, de tal modo que ela não seja uma experiência, mas que ela se torne o seu ser. Se for um experiência, ela virá e irá embora, e permanecerá como um vislumbre. Nenhuma experiência pode ser permanente - somente o seu ser pode ser permanente.

E não seja ambicioso em relação a questões interiores. A ambição é ruim mesmo em questões exteriores, e muito ruim nas interiores. Ela não é tão perigosa se você for ambicioso em relação a dinheiro, poder e prestígio, porque essas coisas são fúteis, e, se você for ambicioso ou não, não faz muita diferença. Mas quando você se move no caminho interior, a ambição interna pode ser muito perigosa. Muitas pessoas ficaram praticamente loucas. Pode ser ofuscante demais para os seus olhos, e elas podem ficar cegas.

Sempre é bom vir e ir. Deixe que seja um ritmo constante, de tal modo que você nunca esteja fora do munod e nunca dentro do mundo. Aos poucos você perceberá que o transcendeu. Esse processo precisa ser muito gradual - como o de uma flor, que se abre muito gradualmente a ponto de não se perceber quando a abertura totalmente aconteceu. 

(Osho. 365 meditações diárias. São Paulo: Verus Editora, 2003. p. 281)