sábado, 27 de dezembro de 2008

O sonho


Minha tia mora no mesmo prédio há anos, assim como eu moro no mesmo canto há 21 anos. Não sei se isso é bom, não gostaria de ter tantas raízes. Se pudesse moraria em todas as cidades ao mesmo tempo e sempre no canto delas. A cidade grande é cansativa, as pessoas se esbarram o tempo todo, não somos como as formigas. Sempre pensei no mistério e na sedução que tinha a o centro da cidade do Rio de Janeiro, quando era criança achava bonito tantas pessoas andarem com pressa, os sinais, as faixas de pedestres, os prédios antigos e tudo mais. Hoje entendo a pressa do centro, trabalho nela e tudo aquilo me cansa.


Mas gostaria de falar sobre esse quadro do Van Gogh. Desde menina eu pensava em sentar naquele bar com meus amigos. E fiquei muito tempo procurando por um bar amarelo bem iluminado e um céu como esse. Não achei e nunca vou encontrá-lo em lugar algum. Mas se pudesse eu sentaria com meus amigos no quandro do Van Gogh.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

No quadro de Magritte.


Eu queria morar num quadro de Magritte. Há muito tempo penso nisso.

Penso também que nãosei organizar os meus pensamentos. Os ponto finais vêm antes das últimas palavras. Acho que é porque eu esqueço.

Certa vez meu professor disse que minhas frases eram curtas e havia pontos demais. Mas eu gosto dos pontos finais, ele sugere que eu sei a hora certa de me calar. Eu queria me calar num quadro de Magritte, mas ainda não sei bem qual. Talvez eu queria ser aquela nuvem dentro do olho. Dentro do olho tem a bolinha preta. É como o ponto final.
Queria que minha casa fosse o quadro de Magritte. Quem sabe se ele pintasse...
Acho que ele ia gostar de me pintar se estivesse vivo, mas ele virou um ponto final; morreu.
Fico pensando também nas mortes que eu já sofri. Foram muitas.
Ainda tenho os olhos vivos, mas as retinas estão cansadas e por isso eu tenho miopia. A miopia pode ser boa quando você gosta dos Beatles. O meu óculos é igual ao do John Lennon e eu sou feliz assim. O Bilo não gostou muito, preferia aqueles óculos quadrados. Mas eu não prefiro.
óculos redondos são como os pontos finais. Eles são redondos.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Yoga x Ginástica


Existem muitas diferenças entre ginástica e yoga e eu adoro ressaltas as diferenças, não importa em qual campo ela esteja. Há uma febre jamais vista em tono da Yoga, diversos centros que oferecem aulas e técnicas. Todo global agora pratica Yoga, mas o segredo dela está além de sua fama e suas formas elásticas.


A concentração do pensamento é a primeira diferença. Quem pratica Yoga certamente fica pensando em como equilibrar o corpo e como conseguir atingir o Nirvana. Não acredito que seja possível 0 0% do pensamento. Nossa mente inquieta nos manda mensagens o tempo todo e não precisa ser estudante de Comunicação para saber isso, basta perceber que sempre estamos pensando em alguma coisa.


Acho que a forma mais autentica de relaxar é não pensar no Nirvana, e sim na natureza. Quando costumo sentar para meditar, procuro um lugar tranquilo onde não possa ser incomodada por pessoas e aparelhos eletrônicos, que dispersa. Procuro concentrar meus pensamentos em focos imaginários de luz e nas criações divinas.


Li uma entrevista muito bacana e gostaria de compartilhar com vocês:



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O riso

O filho de Saturno - Goya

É possível identificar no riso as diversas facetas do homem. O riso guarda uma dualidade infinda, pode significar tanto miséria como a superioridade do homem em relação ao outro e a natureza. Se observarmos com olhos atentos a significação do cômico, podemos perceber que nada mais é do que a imitação dos piores. Baudelaire ressalta no livro ‘Escritos sobre a arte’ que o riso humano está intimamente ligado à degradação física e moral e nos atenta que o riso é uma das expressões mais freqüentes da loucura.

Podemos citar aqui um exemplo vulgar de que o riso pode ter um caráter diabólico: quando uma pessoa cai no chão ou tropeça é visível e unânime às risadas dos transeuntes. No fundo do nosso pensamento, mesmo que inconscientemente pensamos que são os nossos pés que estão fincados no chão, nós somos mais atentos e caminhamos direito.

Não estou propondo que não rir seja a melhor atitude, mas sugiro um pouco mais cautela antes de fazer do seu riso algo monstruso e maléfico.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ser pós-moderno


A modernidade é marcada pela ruptura com a idade média. Esta nova era começa quando os valores majoritários da época são postos em cheque. A igreja católica vai perdendo credibilidade e o mundo místico de duendes, fadas e bruxas caem em declínio abrindo espaço para o famoso Iluminismo.
O projeto de humanidade do Iluminismo é de fato muito bonito e atraente, mas também foi utópico demais. A crença no homem e no progresso econômico e tecnológico não transforma a humanidade em comunidade. Octavio Paz fala que a pós-modernidade começou quando a sociedade se deu conta de que fracassaram exatamente por este excesso de razão, que a ciência não trouxe resposta a todos os anseios de uma civilização cansada de tanto pensar.
Esta suposta pós-modernidade trouxe o reencantamento do mundo, com novas seitas esotéricas e livros de auto-ajuda. O que pressupõe uma recaída mística, assim como na Idade Média, as religiões tradicionais já não atendem ás necessidades desta nova geração.
Mas chamar esta recaída de pós-modernidade já é um exagero. A passagem de uma era para outra é lenta. Ser pós-moderno é mais um chavão cheio de significados que não significa nada; valor semântico: zero.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Jainismo e criação do Universo

Este trecho foi tirado do livro "A dança do Universo".
Aqui explica como os Jainistas concebem a criação do Universo.


Alguns homens tolos declaram que o Criador fez o mundo.

A doutrina que diz que o mundo foi criado é errônea e deve ser rejeitada.
Se Deus criou o mundo, onde estava Ele antes da criação?
Se você argumenta que Ele era tão transcendente,
e que portanto não precisava de suporte físico, onde está Ele agora?

Nenhum ser tem a habilidade de fazer este mundo —
Pois como pode um deus imaterial criar algo material?
Como pôde Deus criar o mundo sem nenhum material básico?
Se você argumenta que ele criou o material antes, e depois o mundo,
você entrará em um processo de regressão infinita.

Se você declarar que esse material apareceu espontaneamente, você entra em outra falácia,
Pois nesse caso o Universo como um todo poderia ser seu próprio criador.
Se Deus criou o mundo como um ato de seu próprio desejo, sem nenhum material,
Então tudo vem de Seu capricho e nada mais — e quem vai acreditar numa bobagem dessas?

Se Ele é perfeito e completo, como Ele pode ter o desejo de criar algo?
Se, por outro lado, Deus não é perfeito,
Ele jamais poderia criar um Universo melhor do que um simples artesão. (...)

Se Ele é perfeito, qual a vantagem que Ele teria em criar o Universo?
Se você argumenta que Ele criou sem motivos, por que essa é
Sua natureza, então Deus não tem objetivos.
Se Ele criou o Universo como forma de diversão,
então isso é uma brincadeira de crianças tolas, que em geral acaba mal. (...)

Portanto, a doutrina que diz que Deus criou o mundo não faz nenhum sentido.
Homens de bem devem combater os que crêem na divina criação,
enlouquecidos por essa doutrina maléfica.

Saiba que o mundo, assim como o tempo, não foi criado, não tendo princípio nem fim (...)
Eterno e indestrutível, o Universo sobrevive sob a compulsão de sua própria nat

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Atrocidade aos animais

video

SE NÃO CONSEGUE CONCEBER OS ANIMAIS COMO SERES INTELÍGEIS, OS CONCEBA COMO SERES SENSÍVEIS!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Comida viva!


Não pense você que ao chegar no Restaurante Semente, na Lapa, irá comer tatuís, camarões, peixes vivos! Lá só é bem-vindo verduras e legumes crus e grãos germinados.

Quando cheguei por lá, vi que não existem mesas individuais, é uma grande tábua de madeira que todos se sentam para comer, como uma família mesmo! O que é surpreendente, uma vez que em nossa sociedade prevalece os costumes e hábitos indiviuais.

Fomos recebidas pelo , um cara incrível que antropologicamente atraí nossos olhares. Ele nos explicou sobre os benefícios da comida viva: O alimento quando cozido acima de 38 graus perde a maior parte das vitaminas e, quando eles estão crus eles possuem o silício da alegria!!!

Não posso negar que saí do restaurante bem alegre e satisfeita! Pois geralmente como muito fora de casa, até ficar "cheia".

Enfim...foi uma experiência tão agradável que já estou colocando meus grãos para germinarem! Pois sinto que está faltando uma pitada de sílicio da alegria na minha alimentação. Chega de comer dor, morte animal e cozidos! 

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Arte oriental hindu

Não sei o que de fato me leva para Índia, talvez o fato unitário de conceber o mundo e as coisas que o completam. Não consigo imaginar o homem, os animais, a vida e as relações como algo fragmentário. Não acredito no monoteísmo e nos tons pastéis. A índia é exuberante e algo icognoscível aos olhos ocidentais tão cansados. A arte oriental hindu já é uma grande diferença na maneira de se pensar o belo.Na índia antiga não existia a arte-pela-arte, as obras orientais estão ligadas ao sagrado e não do culto a inspiração do pintor/escultor. Sobretudo a arte hindu é uma arte anônima, é quase impossível saber quem é o autor, uma vez que muitas obras foram destruídas pelos turcos e logo após os Ingleses. Mas a maior destruição que esses povos trouxeram para a índia, foram as suas maneiras monoteístas e ranzinzas de ver o mundo, o que influenciou posteriormente na estética hindu. Não sou a melhor pessoa para tratar deste tema, só estou passando para frente informações preciosas cedidas pelo Professor André Bueno.


Para conhecer mais vá até ele: Índia Antiga

terça-feira, 1 de julho de 2008

Globalização

Duke of Bedford, "Torre de Babel"

Sempre pensei nas inumeráveis funções que um condomínio, estilo Barra da Tijuca, têm pra um individuo que supostamente vive em sociedade. Em virtude da violência, cada vez mais muros vão sendo erguidos e as pessoas são separadas como aqueles que moram ‘do lado de lá’. Está acontecendo uma segregação social invisível, e você ainda pode parcelar em várias vezes. Os condomínios cercado de luxo e facilidades, possibilita que o morador nem saia na rua, existe tudo ali dentro, shopping, academia, praia, padaria, mercado etc. E como lembrou o antropólogo Zygmunt Bauman:“ Os moradores do condomínio cercam-se para ficar longe do excludente e desconfortável”. É como se tudo de maléfico e poluente estivesse fora do seu espaço, as pessoas gostam de declamar discursos de homogeneidade da sociedade, mas compactuam com estilo de vida que por si mesma, exclui o outro e afirma com sua própria existência, o quanto somos diferentes. É difícil encontrar uma solução local para um problema global, não adianta querer mudar o “seu bairro”, “a sua cidade”, preservar a “sua floresta”, estamos tão indefesos nesse furacão da globalização e acabamos nos agarrando em nós mesmos e não percebemos que nós somos os outros.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma gota de Rousseau


Em meio à efervescência das luzes e a valorização do homem no iluminismo, surge Rousseau contrariando a filosofia da sua época. A diferença crucial entre Rousseau e os demais filósofos iluministas, era que este falava de homens enquanto os outros falavam em súditos. Para o filósofo o povo está acostumado a senhores e a servir, não pode mais passar sem eles, e extingue-se o homem natural, que satisfaz suas necessidades, não precisa do auxílio de máquinas para se manter e tendo consciência de sua força, ele é temido pelos animais. Para Rousseau o entendimento do homem só difere do animal pela sua intensidade, pois animais sabem combinar as idéias e vive de acordo com a natureza. O homem tem a liberdade de escolha. A indústria e a socialização dos homens colocaram as leis em detrimento do direito natural, pois esta nos tirou a força e agilidade para buscarmos nossos sustentos, além de ter impostos novas condições e bens materiais para a nossa sobrevivência. “A diferença do homem e do animal é a faculdade de se aperfeiçoar, a qual, com o auxílio das circunstâncias, desenvolvem sucessivamente todas as outras e reside, entre nós, tanto na espécie como no individuo, ao passo que um animal é no fim alguns meses, o que será a toda vida. Por que só os homens estão sujeitos a se tornarem imbecis? .
O homem no seu estado de natureza não tem o que temer. Ele aprende com o natural e não precisa se opor a natureza, caso contrário o homem está traindo a natureza e sua real condição. “Conhecendo tão pouco a natureza, e harmonizando-se tão mal sobre o sentido da palavra lei, seria bem difícil encontrar uma boa definição da lei natural”.


Existem dois conceitos-chave para o esclarecimento da sua filosofia: o amor-próprio e o amor de si mesmo. O amor de si mesmo é aquele que se encontra nos animais, que acasalam pelo sentimento natural de preservação da espécie. O amor-próprio é salutar do homem que diferente do animal, consegue interiorizar o olhar do outro em si mesmo, diz-se respeito ao reconhecimento universal. É o sentimento das paixões que leva o homem a se comparar com os demais. Para Rousseau o hábito de viver coletivamente fez nascer no homem o amor conjugal e o amor paternal, que antes não havia no meio natural. O homem natural, sendo um individuo só, preocupava-se nas necessidades naturais e no sexo quanto instinto e preservação da espécie. E quando se formam esses núcleos familiares, surgem tais sentimentos. A sociedade impõe um comportamento artificial ao homem, que acaba por ignorar suas necessidades naturais, tornando-o vaidoso e orgulhoso. O amor de si mesmo em detrimento do amor-próprio, que é típico de uma sociedade onde se ignora o sentimento natural. No estado do homem primitivo esse conceito de amor-próprio não existe, pois ele não pensa em si como algo individual e fragmentado da natureza, ele é a própria natureza e está ligado a ela de modo intrínseco.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Meu nome não é Flor


Existem muitas pessoas que acham que meu nome é Flor. Não, não é. Meu nome é Raisa, com um "s" e som de "z". Flor foi apenas um apelido, decorrente de uma tatuagem que fiz, então aproveitei a Flor para assinar poesias e textos. Mas quando eu escolhi usar a Flor, estava num momento musical muito intenso com Joan Baez, então me aproveitei do seu sobrenome.

Gosto muito de Raisa, um nome bonito. Mas a Raisa é muito densa, descrente, intolerante, ousada. E a Flor é leve, como leve pluma muito leve, leve pousa. Ela é mais alegre, emana luz, é algo sensacional, permite a Raisa acreditar em algumas coisas, antes repugnantes.

E no meio de toda essa dupla personalidade, lembrei-me de um poema do Fernando Pessoa, chamado Tabacaria, e há um trecho que descreve muito bem tudo isso:


"Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara"

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O que houve?

Nada disso que se apresenta para mim me soa estranho.
Tudo isso já me foi dado por um Deus que nunca vi
Mas que se materializa em sonhos.
Tudo isso que se apresenta em mim eu já vivi.
A história sempre me repete.
A mesmice sempre me surpreende na porta.
E eu estagno nesse seu calendário tão imperativo.
Completamente tocada pela esquizofrenia
Eu calo os meus versos
Que é pra você não me perguntar depois o que houve.
Eu houve!
Escrita há bons dois anos atrás....

Uma questão de sombra


Numa discussão muito acalorada sobra o Leviatã de Thomas Hobbes, chegamos a um momento quase de transe, quando o professor,Oswaldo Munteal, nos alertou sobre nossa sombra. A sombra ela vai além daquela forma bidimensional projetada pela ausência parcial de luz. Ela é aquilo que repudiamos. Aquilo que enxergamos nos outros e repugnamos, pois é exatamente o que temos de pior dentro de nós. Quando queremos fazer justiça com as próprias mãos, é porque temos que eliminar no outro aquilo que existe em nós. Por mais absolutista que Hobbes tenha sido em suas escrituras eis o legado: “Lê-te a ti mesmo”.
Olhar para dentro de si e examinar o que estamos pensando é primordial para não cometermos injustiças, pois a sombra não é apenas uma sombra, é outro.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Criatividade nas bordas


Ser clichê é só um estado de espírito. Não há predisposição para a redundância. Somos antes de ser, seres criativos. Pelo menos o que deveríamos buscar. No fundo todo mundo quer a mesma coisa. O destaque está nas bordas, na ponta dos dedos, no canto do olho.

Escrever é transcender, mesmo que seja de você mesmo. Escrever como coisa-em-si é clichê. Pois todas as palavras já foram escritas. O experimental é o dissonante. O erro.

Não sei se hoje somos o suficientemente criativos para experimentar. Desde muitos anos existem os modernos, e consequentemente os pós-modernos, os contemporâneos...mas e nós? Somos o quê?


Neo- contemporâneo? Se for, somos apenas as redundâncias.

Maquiavélico



No livro “O Príncipe” de Maquiavel, ele se concentra, não tão especificamente sobre as indicações de como ganhar o poder, como mantê-lo e por que se perde. Maquiavélico, já virou adjetivo, como sinônimo de uma pessoa má e perversa, mas na realidade, para Maquiavel, na vida política não há o bem nem o mal. Esses dois conceitos devem ser dissociados, pois mesmo a pureza das intenções é capaz de todos os crimes. Ele não condena o uso da força, quando uma lei não é capaz de manter a ordem. Mas se os meios justificam os fins...
No primeiro capitulo Maquiavel distingue os vários tipos de Estado e como eles são constituídos. Mas de acordo com a sua época, há os principados, que são passados de forma hereditária, e os principados que são fundados recentemente. Para manter os Estados herdados, onde os súditos estão habituados a obedecer à determinada família reinante, é preciso evitar transgredir as leis e os costumes tradicionais. Quando o príncipe tem menos motivos para ofender seus súditos, mais querido ele é por eles, assim como para com as massas. É preciso que o soberano não seja odiado, pois quando o é, correm sérios riscos de ameaça.
Quanto às monarquias mistas, Maquiavel diz que as dificuldades aparecem nas monarquias novas. A tendência é que mudemos de governante ciclicamente, afim de melhorias, e quando percebemos que a mudança foi pra pior, há uma descontentação em massa. O resultado para o soberano, é a coleção de inimigos. Maquiavel diz: “O soberano fará, assim, inimigos – aquelas pessoas injuriadas com a ocupação do seu território – e não poderá manter a amizade dos que o ajudaram na conquista do poder, por não lhe ser possível satisfazer suas expectativas”. Por isso é que o soberano precisa contar com a população de um território para poder dominá-lo. O uso do exército, apenas, não é suficiente.

Talvez a narrativa atual não condiz especificamente uma guerra entre vizinhos territoriais. A arte de ler está em adaptar, transmutar os signos, transcender aos simbolos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sun Tzu

Sun Tzu em “A arte da guerra” propõe um manual de como se comportar e agir numa guerra para que seja vitorioso. Aqui está a compreensão de que o conflito faz parte da vida humana. Sun Tzu trabalha o conflito de forma profunda e verdadeira. Os treze capítulos tratam desde o terreno a guerrear aos movimentos estratégicos, alinhado numa percepção bem Taoísta. Sun Tzu nos primeiros capítulos diz que é preciso saber escolher seus adversários, preferencialmente os mais fracos. Nos atenta a não travar batalhas com inimigos mais fortes; Deixe que essa seja uma guerra para as gerações doravante. Reconhecer nossa própria força é essencial para que se planeje uma batalha. Os orientais costumam ser mais estratégicos na sua política de ação.
Na relação com seu inimigo, é essencial que você dissimule sempre. Não se deve falar ao inimigo o que você conhece. Pois quem realmente conhece, não fala. Mas não o ignore. Pois se você o ignora e ignora a ti mesmo, colecionará derrotas. Ele fixa que a guerra é algo muito importante e cansativo por isso é preciso uma preparação reflexiva, avaliando: Influência moral, o clima, terreno, comando e doutrina. Para os orientais é importante valorizar o tempo e a experiência. Aparentar simulação, incapacidade e desordem, é uma ótima cilada para capturar o inimigo, além de atacá-lo onde ele não estiver preparado. “Quando o trovão ribomba não há tempo para se taparem os ouvidos, pois mesmo que nos venha a descobrir, já não disporá de tempo para estudar suas defesas e nós os venceremos”.
Sobre os inimigos, Sun Tzu, nos alerta para aqueles denominados de franco-atirador. Têm inimigos que não tem nada a perder. Um exemplo atual desse inimigo são os homens-bomba. É melhor temer, porque ele capaz de qualquer coisa para te destruir.
Sun Tzu ressalta em diversos capítulos que o objetivo da guerra é a paz. Assim como a vitória. Mas ela deve ser rápida, pois as tropas ao se cansarem, ficam com a moral baixa, saudades de casa. Além de custar muito caro às reservas estatais. “Nunca houve uma guerra prolongada com a qual qualquer país tenha se beneficiado”. As tropas devem levar seus equipamentos e contar com o abastecimento do inimigo, para não altar alimento. Sun Tzu conta que houve uma batalha em que o general destruiu todas as panelas e alimentos, e mandou a tropa atacar o inimigo bem cedo e para depois sentar-se a mesa do inimigo e tomar o café-da-manhã.
No terceiro capítulo, trata-se dos planos de ataque. Onde a melhor política é atacar um estado sem destruí-lo. Pois o arruinando, seu valor diminui. Assim como é preferível capturar o inimigo a destruí-lo. Pois estes podem ser no futuro, seus aliados. O principal objetivo deve ser atacar a estratégia do outro. Aqueles que têm habilidade na arte da guerra dominam sem destruir. Não é preciso saquear cidades, destruir toda a tropa. “Porque obter uma centena de vitórias numa centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem o combater, isso sim é o cúmulo da habilidade”. Mas isso não impede que se destruam quando se faz necessário. O exército precisa estar bem comandado pelo seu general. Um exército confuso conduz o adversário à vitória. Perceber se há condições de enfrentar é um dos passos.
Sun Tzu aponta três pontos para o caminho da vitória:
· “Conhece-te a ti e o teu inimigo e, em cem batalhas que seja, nunca correrás perigo”
· Quando te conheces, mas desconheces o teu inimigo, as tuas hipóteses de perder e ganhar são iguais”
· Se te desconheces e ao teu inimigo também, é certo que, em qualquer batalha, correrás perigo”.

Perceber a disposição das tropas é indispensável. Aguardar o momento fraco do inimigo torna os guerreiros invencíveis. A invencibilidade está defesa assim como a vitória está no ataque. Os cinco principais elementos da arte da guerra, por Sun Tzu é: A noção de espaço. Isso significa conhecer bem o terreno onde se planeja a batalha. Averiguar se é vantajoso e acessível a sua tropa e a tropa inimiga. Avaliação das quantidades. Verificar os números. Comparar vitórias. Calcular o grau de dificuldade do terreno inimigo e o número de homens que o adversário dispõe. Os cálculos. Também explicado anteriormente. Comparações. Isso propõe comparar o número de homens de cada lado, comparar vitórias, etc. Possibilidades de Vitória. Saber exatamente quais são suas chances de ganhar a batalha. Ninguém entra numa guerra para perder. É preciso avaliar se você tem todas as condições de enfrentar o inimigo. As possibilidades de vitórias vêm acompanhadas dos cálculos e comparações. “O exército é como água, aproveita-se da distração do inimigo, ataca-o onde não é esperado, evita-lhe a força e atinge-o onde ele não pode se defender”. Mas é importante que não entre na batalha considerando que o inimigo não é bom.
Sobre o controle do general para com suas tropas, Sun Tzu diz que controlar muitos é como controlar poucos. Depende apenas da organização da tropa e da autoridade e respeito que o general impõe sobre os seus subordinados. A boa manutenção dos sinais é indispensável. Como todo o batalhão não conseguirá ouvir um, é preciso que haja uma comunicação com os mesmos, através de sinais. Estas se faz com bandeiras, que orientam o exército. No mesmo capitulo, Sun Tzu diz que se um exército deseja simular desordem para atrair o inimigo, é preciso ser altamente disciplinado, para saber simular confusão. Porém na guerra não há regras fixas. Elas precisam ser talhadas conforme as circunstâncias. Pois a própria guerra é cíclica. “Porque acabam e recomeçam; são cíclicas como o mover do Sol e da Lua. Nascem e renascem; são periódicas como as estações, que se sucedem”.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Unidade 731


No vídeo “Unidade 731” vemos os horrores de uma guerra biológica, os experimentos com seres humanos e muito sofrimento. A exibição da “crueldade”, se contextualizada, serve para sinalizar às novas gerações a importância e vigilância na preservação da democracia, contra possíveis retrocessos de força. Quando usam imagens chocantes ele se contrapõe àquela matéria sobre os atentados as torres gêmeas. As imagens conseguem afetar mais o individuo porque trabalha com mais sentidos do que a linguagem escrita, e quando a escrita é inocente não há nada que produza um grau de reflexão. A simples exibição do horror/terror/crueldade gera, no receptor, estado de fragilização e intimidação.
A mídia em geral não mostra o que realmente acontece. O exemplo disso pode ser uma pesquisa feita com 30 “voluntários” para cura da AIDS. Nós não sabemos como esses voluntários são realmente recrutados. E não interessa para os veículos de comunicação ir contra o poder. Caminhando junto com eles os dois se tornam mais poderosos e conseguem facilmente manipular os indivíduos.
O efeito subjetivo da mídia é o anestesiamento. Não contextualiza nada. Tira a inteligência e compensa com ingenuidade. A superexposição e espetacularização das noticias faz com que não fiquemos mais chocados, como se aquilo tudo fizesse parte de uma realidade exterior a nós. Como se aquilo jamais pudesse acontecer com você e na redondeza onde mora. Assistimos o jornal como se fosse novela e assistimos à novela como se fosse o jornal. Isso mostra uma sociedade que já não consegue distinguir nada.

Estética do sentido e a estética da ilusão

A estética do sentido e a estética da ilusão estão altamente relacionados com a grade midiática, o efeito do discurso publicitário e o poder. Os veículos de comunicação preparam matérias cujo conteúdo é sempre o mesmo e sempre sensacionalista, causando uma sensação de que estamos bem informados do mundo que nos cerca e livres dos perigos que assombram “os outros”. A escolha desses temas em detrimento de outros que desafie nosso poder de criticidade, se faz pelo próprio poder, para nos manterem num estado ingenuidade, tanto no olhar quanto no comportamento passivo, fomentando subjetividade descentrada.
A homogeneidade da sociedade faz com que o sistema continue em equilíbrio, centralizado e o poder não-ameaçado. O que vemos é que o poder insiste em controlar nossa subjetividade, voltando nossa atenção e nossos olhos para leituras que não desafiam o intelecto, reportagens facilmente digestivas e principalmente o consumo desenfreado e desnecessário. O vigor do sentido só pode ser recuperado se nos colocarmos numa posição contrária a todas essas formas de aprisionamento e redundância, que homogeneíza a sociedade. Antes o sentido fundava a existência das coisas, hoje o sistema mercadológico ocupou este lugar, sustentando o modelo de “sociedade creôntica”, onde as pessoas se alimentam de meras ilusões, incapazes de desenvolver uma consciência reacionária. Vêem jornal como se estivessem assistindo novela, e vêem novela como se assistissem ao jornal, isso mostra uma população que não consegue distinguir nada. E de repente somos assaltados por anúncios publicitários, que vem para afastar a realidade, e acabamos por oscilar entre a sedução publicitária e o fantasma do real. A subjetividade prospectiva pode ser alcançada por um modelo de leitura mais desafiador. O investimento em leitura produtiva é essencial para que a sociedade implante um modelo cultural crítico onde as pessoas além de cultivar o hábito da leitura, mas como foi citado anteriormente, uma leitura que necessite de total atenção para a compreensão dos signos e símbolos , que desafie o intelecto e o poder de criticidade. As escolas secundaristas que deveriam iniciar esse modo de leitura prospectiva deixam a desejar. E somente através desse modo de leitura que o individuo se qualificariam no processo educacional. Nessa sociedade pautada pela cultura do olhar, onde somos assediados a todo o momento com cartazes, outdoor, televisão, jornal, de fácil digestão, as pessoas dificilmente se interessam em ir além do poder de compreensão. Dá-se por satisfeitas com informações frívolas de baixo teor de conhecimento, e se sentem bem informadas. Essa seria a estética da ilusão que afasta o individuo de afiar sua subjetividade prospectiva. A estética do sentido seria uma forma de enfraquecer a subjetividade descentrada em detrimento da prospectiva.

Ufa!


Esse cheiro de passado que não insiste em passar
Esse gosto de ferrugem que insiste em ficar
Esse gesto tão indigesto que você me fez
Essa história que um dia era uma vez.

Março


Queria mais um dia
Pra não fazer
Pra não dizer
Pra não cansar
Queria mais um dia
Pra não pedir
Pra não ferir
Pra não esperar
Queria mais uma noite
Pra não chorar
Pra não dormir
Pra não sarar.

Antes minha dor
À sua ausência
Antes uma noite
Do que não mais.

O vento que hoje corre
Acelera os dias
Faz voar as noites
O vento que trouxe
Já levou as folhas
Já acabou o verão.
É março.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O rol das mazelas

Os casos de dengue só vêm aumentando no Rio de Janeiro, preocupando a população e os governantes, que por sua vez demoraram a assumir a condição epidêmica, que se agravou ainda mais com o caso de fortes chuvas e a falta de atenção das pessoas para os focos. Com os hospitais públicos e particulares sem leitos, os índices de mortes vêm subindo a cada dia.
O Estado do Rio de Janeiro teve que pedir ajuda ao Exército para atender as demandas de doentes, que o município, sozinho, não consegue atender. O ideal seria que todos os postos de saúde fossem bem equipados.
Não adianta aumentar o número de médicos e atendimentos se a população e governantes não se conscientizarem dos seus deveres e tarefas. O que vemos pela cidade é sujeira e falta de saneamento básico. Não sei se somos vitima da dengue ou do poder público. O adiamento com a preocupação do mosquito fez com que a epidemia se torne longe de ser resolvida. Ninguém assume a responsabilidade, ela é repassada do prefeito ao Presidente da República. Quantas pessoas ainda precisam morrer?

terça-feira, 1 de abril de 2008

ops

Depois de alguns meses sem internet e inacessível.
Obrigada pelos recados. Fico muito agradecida com com o carinho.
Voltei!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Da arte

Da ciência espram-se descobertas, da técnica, progressos que facilitem nossa ação no mundo. Da arte não podemos tirar um ensimento tão últil e rentável. Nieztche disse que a arte é como um enfeite da existência. Um ornamento encarregado de trazer um pouco de fantasia a uma vida escravizada ao funcional.

Marc Jimenez

A coisa


Na Idade Média acreditava-se que a essência das coisas estavam nas próprias coisas. Como se a essência do objeto migrasse até o conhecimento. Primeiro precisamos entender a real significação de essência, que é aquilo que faz a coisa ser tal qual é.
Podemos até citar aqui alguma coisa de Descartes. Se meus sentindos me enganam o tempo todo, como posso acreditar na minha concepção de mundo? Instala-se uma dúvida universal, contestar até a própria existência. O meu eu migra até meu conhecimento?
Até para duvidar precisamos ter uma certeza, nem que ela seja a certeza de que dúvido.
É o pensamento que garante a existência das coisas. Não existe auto-suficiencia da razão. Se um indivíduo for isolado do convivio, da linguagem, ele não desenvolve a razão.
Quem duvida, que pesquise Kaspar Hauser.
As significações não são naturais. Nós as estipulamos. Cada um a sua maneira acredita a coisa em si. A vaca para um Hindu não tem o mesmo significado para um gaúcho. E com Kant já disse antes "Quando você vê uma coisa, você não vê a coisa em si".
Você conhece a coisa, mas não a essência dela, pois ela já foi deturpada pelo homem e sua
linguagem.
Qual é a relação de Arcimboldo e o texto?

Analógico x Digital

Há duas formas de conceber o mundo. Ou analógica ou digitalmente.A analógica é a forma que os orientais concebem o mundo. Uma tradição de valores. E por sermos ocidentais demais, muitas vezes não os compreendemos. Por analogia você infere no significado. É uma visão holística. Composta não por partes, nem fragmentos, mas uma análise da totalidade. A primeira coisa que figuramos quando pensamos em analógico, é o relógio de ponteiro. E ele ilustra bem estas diferenças. Para sabermos a hora, precisamos de uma significação anterior. Descobrimos a hora em partes. E numa visão analógica, você consegue apreender o todo. Existe todas as possibilidades de cronomotrar o tempo (apesar deste ser relativo).O mundo concebido digitalmente é uma particularidade dos ocidentais. Temos aqui uma tradição de leis. Não há um elo entre as coisas, tudo é segmentado do outro. Não existe uma visão do conjunto. Vivemo num mundo virtual onde eu reparto a realidade e, como eu estou inserida nela, eu me reparto também. Tenho determinada conduta em um determinado lugar. Na faculdade nos comportamos de uma maneira, no trabalho de outra, em casa de outra. E cada uma dessas pessoas em diferentes segmentos, me olham de diversas formas.Um exemplo fatídico pode ser a própria medicina. Na Acupuntura quando temos um pequeno problema, somos "agulhados" no corpo todo. Isso quer dizer que se você tem uma dor no estômago e toma um remédio, esse remédio pode não fazer bem para seu fígado. Há um desencadeamento de problemas. E não adianta cuidar apenas de uma parte. É preciso equilibrar o todo.Já nós ocidentais, temos especialistas. Uma pessoa que só entende de uma coisa. É especializada em UMA coisa.O que me admira nos orientais e de sempre buscar um ponto de semelhança entre pontos diferentes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Última vez


É claro que eu não criei este blog afim de que ele fosse uma agenda pessoal, algo que eu pudesse falar meus piores devaneios, minhas angústias, minhas alegrias... Eu não criei isso afim de que sirva como um divã. Mas nesse exato momento vou mudar. Preciso escrever, mas será a primeira e última vez.
É uma tristeza que invade meu coração. Algo que soa como: eu fiz tudo errado. Não aguento o ser repugnante que sou. Não aguento meus pensamentos de intolerância e insanidade.
Eu troquei tudo pelo livros, e deu tudo errado. Ou parcialmente.
Não consigo me relacionar com as pessoas, vejo-as como estranhas e ignorantes. Não consigo conceber um só ser humano como algo de luz. Todas as relações humanas são densas. Talvez seja próprio do mundo em que vivemos. Como eu queria algo de luz, muita luz. Onde as pessoas brilhassem, fossem justas.
Mas até em Deus, que seria o melhor companheiro, o mais cósmico e iluminado, na maioria das vezes não sinto sua presença. Faço um esforço danado para crer N'ele.
Mas concebo um Deus que não tem pernas, nem cabeça, não ouve todo mundo. O meu Deus é cósmico demais para atender minhas angústias. Quiça demais ocupado com um universo tão infinito.
Me sinto o ser programado para atender às necessidades das pessoas que me são queridas. Me sinto secundária demais. Apenas servir, servir, servir o outro.
Não aguento pessoas que se sentem dignas de julgar as outras. Somos todos iguais na mesma esfera.
Não há ninguém melhor do que ninguém. Somos apensas seres condensados nesse corpo que mais aprisiona do que liberta. Liberdade é metafísico demais para a nossa compreensão.
Hoje existe um rasgo, mas amanhã pode não existir mais.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Semana Olbinski



































Me sinto no direito de abusar de mim mesma

Breve apontamento sobre Olbinski

Me soa talvez muito sensato. Um surrealismo que sabe a causa do "ismo".
Muito lúcido. Muita insônia. Inquieto. Delirante. Ah! se posso repetir, prefiro o sensato.
Talvez aos olhos de quem nada sabe. O que sei eu das coisas? Não sou Fernando Pessoa e nem Sócrates. Mas seria muita pretensão fazer um julgamento de valor sobre algo tão sublime, tão sensitivo. Quiçá um equívoco. Um desvio da rota de colisão. Cada semana em que faço essa escolha, reparo depois de alguns instantes o quanto toda a contextualização das obras estão relacionadas àquilo com que venho pensando, sentindo, observando, vivendo, sonhando, imaginando e todos os outros 'andos' e 'endos' que deixamos no meio do caminho.

O belo está nos olhos de quem vê. O sentido está dentro de quem sente.

Cravo-da-índia


Um espaço

Outro tempo

Novo verão.

Nem um, nem outro

se adequam a tua dimensão.

Ser um ser

ou não ser nada além de ser o mesmo.

a mesma coisa

em outros versos

mesmos espaçamentos

novas crases

velhos finais.

O inicio


Hoje mergulhei na vida como quem bebe um copo d'água.

Minha cortina se abriu!

e o que vejo é muito mais que um dia de sol.

Hoje é o presente que me dei.

Mergulhar na essência do dia sem me afogar nela.

Vejo pessoas caminhando,

ouço crianças gritando

vejo o trem passando,

e não tenho mais raiva do gerúndio.

Tenho raiva do tempo que deixei lá atrás,

das surpresas que escondi debaixo da cama,

dos sonhos que guardei pro jantar

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Árvores


As árvores são fáceis de achar
Ficam plantadas no chão
Mamam do sol pelas folhas
E pela terra
Também bebem água
Cantam no vento
E recebem a chuva de galhos abertos
Há as que dão frutas
E as que dão frutos
As de copa larga
E as que habitam esquilos
As que chovem depois da chuva
As cabeludas, as mais jovens mudas
As árvores ficam paradas
Uma a uma enfileiradas
Na alameda
Crescem pra cima como as pessoas
Mas nunca se deitam
O céu aceitam
Crescem como as pessoas
Mas não são soltas nos passos
São maiores, mas
Ocupam menos espaço
Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor.



Insanidade Irreverência Verdade Respeito Nine of ten


Seriedade Improdutividade Cordão Umbilical Admiração Árvores


Liberdade Calmaria Zen Família Outono

Schopenhaeur


O pessimismo eudemonistico de Schopenhauer busca uma vida, sem dor, sem cor, sem tempo e sem movimento. Talvez muito influenciada pela filosofia oriental Budista, Schopenhauer acabou por encontrar a vida mística numa felicidade inumana, uma vida oposta à vontade de viver. A negação da vontade de potência é única saída pela qual Schopenhauer consegue escapar do ciclo vicioso de carência, desejo, satisfação e tédio. Schopenhauer coloca o sofrimento no âmago do desejo, do qual o homem só deseja a partir de uma privação ou necessidade. O prazer é a satisfação de um desejo que nasce da carência. O desejo e o prazer dominados pela falta. E o homem ocupa um lugar privilegiado no sofrimento. “É nos graus extremos da objetividade da vontade que vemos a individualidade se produzir de maneira significativa, especialmente no homem”. Percebe-se em Schopenhauer que ele hierarquiza os graus de vontade, que está presente em todos os seres. No mundo vegetal um impulso funcional, no mundo animal um impulso motivado. Thomaz Brum diz a respeito “A escala dos seres vivos seguem um movimento em direção ao individuo”.
Sua filosofia profundamente pessimista concebe a vontade como algo sem meta e finalidade. É um mal inevitável que gera dor. Se existe algum prazer, ele é momentâneo, pois é apenas ausência de dor, já que não há felicidade duradoura. “Viver é sofrer”.

Abaixo coloquei alguns pensamentos.

“Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça (...) no final, ela vence, pois desde o nascimento esse é o nosso destino. E ela brinca um pouco com sua presa antes de comê-la. Mas continuamos vivendo com grande interesse e inquietação pelo maior tempo possível, da mesma forma que sopramos uma bolha de sabão até ficar bem grande, embora tenhamos absoluta certeza de que irá estourar.”

“Se olharmos a vida e seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d’água vista num microscópio,uma só gota cheio de protozoários, achamos muita graça como eles se agitam, e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.”

“Poderíamos que prever que, às vezes, as crianças parecem inocentes prisioneiros condenados não à morte, mas à vida, sem ter consciência ainda no que significa essa sentença. Mesmo assim todo homem deseja chegar à velhice, época em que se pode dizer: “hoje está ruim, e cada dia vai piorar até o pior acontecer.”

“A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única realidade, tudo o mais é imaginação. Mas poderíamos também considerar isso nossa maior maluquice, pois aquilo que só existe só por um instante e some como sonho não merece um esforço sério.”

“No fim da vida a maioria dos homens percebem surpresos que viveram provisoriamente e que as coisas que largou como sem graça ou sem interesse era, justamente, a vida. E assim, traído pela esperança, o homem dança nos braços da morte.”
“Poucas coisas deixam as pessoas tão satisfeitas quanto ouvir algum problema ou constatar alguma fraqueza em você.”

A solidão tem gosto de sândalo
E cheiro de ferrugem
Estar só é muito mais que uma cama espaçosa.
A solidão tem jeito de inverno
Tem cara de ateu.
Estar só é muito mais que o silêncio no vácuo.
A solidão tem temperamento oscilante
E cor anil
Estar só é muito mais que um olhar atento.
Solidão é divina
quem sabe é essência.

Espetacularização da violência

Vemos dia a dia os veículos de comunicação mostrando os casos de caos e horror, nenhuma cidade está fadada à violência e ao medo. Assistimos passivamente aos assassinatos e outras formas de coerção. Ficamos estagnados diante deste grande espetáculo circense proposto pelo poder midiático, e percebemos que a mídia não tem a menor vocação ética, são dois paralelos que se excluem mutuamente. O lucro sobrepõe às regras de boa conduta.
Com o intuito de nos manter sob o controle (controle do medo), vemos diariamente noticiários de escândalos, catástrofes, assassinatos, guerras e acidentes espetaculares. Doses homeopáticas de insensibilidade são aplicadas aos telespectadores a cada bloco. Com a superexposição, a miséria tende a se tornar cada vez mais banal aos nossos olhos, e ainda assim temos a sensação de estar bem informados a realidade que nos cerca e um grande alívio por não fazer parte desta estatística do horror. Essa doença chama-se: “banalização do real”. O que vemos são pessoas sem autonomia para formar opinião, uma incapacidade em massa de desenvolver uma consciência reativa. Cremos que a realidade é exatamente esta que nos é apresentada. Longe de ser um espaço de conscientização e argumentação, a mídia vem desenvolvendo suas estruturas no conflito e na redundância. Seu papel se limita a informar, vender suas ideologias e produtos, ora a miséria da condição humana, ora os produtos mercadológicos.
Já é hora de repensar o papel dos veículos de comunicação e estipular critérios de conduta moral. A vida não pode ser banalizada e vendida de forma tão mesquinha. O individuo-espectador precisa de autonomia. Se entreter o público é oferecer o que ele deseja, então não há entretenimento. Há, apenas, submissão.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Crianças Índigos


Ontem vi um filme chamado Mimzy. Nunca tinha ouvido falar. Confesso que dormi em algumas partes. E logo estou suscetível a escrever bobagens. A menina principal do filme, depois de encontrar objetos extraterrestres, fica com uma certa sensibilidade. Muito de longe me fez associar à uma criança índigo.


Aqui temos alguns aspectos para identificá-las:


  • Elas vêm ao mundo com um sentimento de realeza e freqüentemente agem desta forma.

  • Elas têm um sentimento de "desejar estar aqui" e ficam surpresas quando os outros não compartilham isso.

  • Auto-valorização não é uma grande característica. Elas freqüentemente contam aos pais quem elas são.

  • Elas têm dificuldades com autoridade absoluta sem explicações e escolha.

  • Elas simplesmente não farão certas coisas; por exemplo, esperarem quietas é difícil para elas.

  • Elas se tornam frustradas com sistemas ritualmente orientados e que não necessitam de pensamento criativo.

  • Elas freqüentemente encontram uma melhor maneira de fazer as coisas, tanto em casa como na escola, o que as fazem parecer como questionadores de sistema (inconformistas com qualquer sistema).

E no meio dessa pesquisa superficial pelo google, encontrei um site que não lembro qual, que disse que há uma pesquisa nos EUA que comprova que 85% das crianças que nascem são crianças índigos. Ou eu nunca consegui identificar uma ou não entendo NADA de matemática. 85% é gente à beça. Se alguém conhece uma índigo ou entende de matemática dê-me um sinal!

Curiosidade Feminina

Talvez os católicos culpem a sensitiva Eva, que com toda sua sensibilidade ouviu o "psiu" da conselheira cobra. Ou talvez podemos culpar Pandora, que com sua curiosidade aguçada distribuiu os males à civilização. A verdade é que a mulher é sempre a culpada. A questão é saber o que seria tão destrutivo e ameaçador para os homens e para a civilização na curiosidade feminina?
A má reputação da mulher foi provocada pela Igreja, Eva ao convencer o inocente Adão a comer a fruta do conhecimento, foi responsável pela expulsão dois no paraíso e hoje somos todos os seres humanos fadados e herdeiros do pecado dos outros.
Mas como diz Barão de Itararé, depende de lado da porta do banheiro você está.
Cada um acredita no que for mais conveniente. Até não acreditar nada ainda é acreditar.