terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Espetacularização da violência

Vemos dia a dia os veículos de comunicação mostrando os casos de caos e horror, nenhuma cidade está fadada à violência e ao medo. Assistimos passivamente aos assassinatos e outras formas de coerção. Ficamos estagnados diante deste grande espetáculo circense proposto pelo poder midiático, e percebemos que a mídia não tem a menor vocação ética, são dois paralelos que se excluem mutuamente. O lucro sobrepõe às regras de boa conduta.
Com o intuito de nos manter sob o controle (controle do medo), vemos diariamente noticiários de escândalos, catástrofes, assassinatos, guerras e acidentes espetaculares. Doses homeopáticas de insensibilidade são aplicadas aos telespectadores a cada bloco. Com a superexposição, a miséria tende a se tornar cada vez mais banal aos nossos olhos, e ainda assim temos a sensação de estar bem informados a realidade que nos cerca e um grande alívio por não fazer parte desta estatística do horror. Essa doença chama-se: “banalização do real”. O que vemos são pessoas sem autonomia para formar opinião, uma incapacidade em massa de desenvolver uma consciência reativa. Cremos que a realidade é exatamente esta que nos é apresentada. Longe de ser um espaço de conscientização e argumentação, a mídia vem desenvolvendo suas estruturas no conflito e na redundância. Seu papel se limita a informar, vender suas ideologias e produtos, ora a miséria da condição humana, ora os produtos mercadológicos.
Já é hora de repensar o papel dos veículos de comunicação e estipular critérios de conduta moral. A vida não pode ser banalizada e vendida de forma tão mesquinha. O individuo-espectador precisa de autonomia. Se entreter o público é oferecer o que ele deseja, então não há entretenimento. Há, apenas, submissão.

3 comentários:

carol l. disse...

É isso ai mesmo. Faço jornalismo na UFRJ e debatemos muito essa quase-não-vocação ética da mída.
Realmente, dois paralelos excludentes. Vale a pena discutir todos os assuntos, sob diversas perspectiva, para que ampliemos essa teia de aranha que é nossa mentalidade...
Bacana!

Gabriela disse...

Digno de jornalista!

Kleverton Journée disse...

Utilizei o último parágrafo desse texto num artigo científico para a disciplina de Crítica da Cultura Midiática, aqui na UFAL. É lógico que coloquei como citação com as devidas referências segundo as normas da ABNT. Desculpa só ter avisado agora.