quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Da arte

Da ciência espram-se descobertas, da técnica, progressos que facilitem nossa ação no mundo. Da arte não podemos tirar um ensimento tão últil e rentável. Nieztche disse que a arte é como um enfeite da existência. Um ornamento encarregado de trazer um pouco de fantasia a uma vida escravizada ao funcional.

Marc Jimenez

A coisa


Na Idade Média acreditava-se que a essência das coisas estavam nas próprias coisas. Como se a essência do objeto migrasse até o conhecimento. Primeiro precisamos entender a real significação de essência, que é aquilo que faz a coisa ser tal qual é.
Podemos até citar aqui alguma coisa de Descartes. Se meus sentindos me enganam o tempo todo, como posso acreditar na minha concepção de mundo? Instala-se uma dúvida universal, contestar até a própria existência. O meu eu migra até meu conhecimento?
Até para duvidar precisamos ter uma certeza, nem que ela seja a certeza de que dúvido.
É o pensamento que garante a existência das coisas. Não existe auto-suficiencia da razão. Se um indivíduo for isolado do convivio, da linguagem, ele não desenvolve a razão.
Quem duvida, que pesquise Kaspar Hauser.
As significações não são naturais. Nós as estipulamos. Cada um a sua maneira acredita a coisa em si. A vaca para um Hindu não tem o mesmo significado para um gaúcho. E com Kant já disse antes "Quando você vê uma coisa, você não vê a coisa em si".
Você conhece a coisa, mas não a essência dela, pois ela já foi deturpada pelo homem e sua
linguagem.
Qual é a relação de Arcimboldo e o texto?

Analógico x Digital

Há duas formas de conceber o mundo. Ou analógica ou digitalmente.A analógica é a forma que os orientais concebem o mundo. Uma tradição de valores. E por sermos ocidentais demais, muitas vezes não os compreendemos. Por analogia você infere no significado. É uma visão holística. Composta não por partes, nem fragmentos, mas uma análise da totalidade. A primeira coisa que figuramos quando pensamos em analógico, é o relógio de ponteiro. E ele ilustra bem estas diferenças. Para sabermos a hora, precisamos de uma significação anterior. Descobrimos a hora em partes. E numa visão analógica, você consegue apreender o todo. Existe todas as possibilidades de cronomotrar o tempo (apesar deste ser relativo).O mundo concebido digitalmente é uma particularidade dos ocidentais. Temos aqui uma tradição de leis. Não há um elo entre as coisas, tudo é segmentado do outro. Não existe uma visão do conjunto. Vivemo num mundo virtual onde eu reparto a realidade e, como eu estou inserida nela, eu me reparto também. Tenho determinada conduta em um determinado lugar. Na faculdade nos comportamos de uma maneira, no trabalho de outra, em casa de outra. E cada uma dessas pessoas em diferentes segmentos, me olham de diversas formas.Um exemplo fatídico pode ser a própria medicina. Na Acupuntura quando temos um pequeno problema, somos "agulhados" no corpo todo. Isso quer dizer que se você tem uma dor no estômago e toma um remédio, esse remédio pode não fazer bem para seu fígado. Há um desencadeamento de problemas. E não adianta cuidar apenas de uma parte. É preciso equilibrar o todo.Já nós ocidentais, temos especialistas. Uma pessoa que só entende de uma coisa. É especializada em UMA coisa.O que me admira nos orientais e de sempre buscar um ponto de semelhança entre pontos diferentes.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Última vez


É claro que eu não criei este blog afim de que ele fosse uma agenda pessoal, algo que eu pudesse falar meus piores devaneios, minhas angústias, minhas alegrias... Eu não criei isso afim de que sirva como um divã. Mas nesse exato momento vou mudar. Preciso escrever, mas será a primeira e última vez.
É uma tristeza que invade meu coração. Algo que soa como: eu fiz tudo errado. Não aguento o ser repugnante que sou. Não aguento meus pensamentos de intolerância e insanidade.
Eu troquei tudo pelo livros, e deu tudo errado. Ou parcialmente.
Não consigo me relacionar com as pessoas, vejo-as como estranhas e ignorantes. Não consigo conceber um só ser humano como algo de luz. Todas as relações humanas são densas. Talvez seja próprio do mundo em que vivemos. Como eu queria algo de luz, muita luz. Onde as pessoas brilhassem, fossem justas.
Mas até em Deus, que seria o melhor companheiro, o mais cósmico e iluminado, na maioria das vezes não sinto sua presença. Faço um esforço danado para crer N'ele.
Mas concebo um Deus que não tem pernas, nem cabeça, não ouve todo mundo. O meu Deus é cósmico demais para atender minhas angústias. Quiça demais ocupado com um universo tão infinito.
Me sinto o ser programado para atender às necessidades das pessoas que me são queridas. Me sinto secundária demais. Apenas servir, servir, servir o outro.
Não aguento pessoas que se sentem dignas de julgar as outras. Somos todos iguais na mesma esfera.
Não há ninguém melhor do que ninguém. Somos apensas seres condensados nesse corpo que mais aprisiona do que liberta. Liberdade é metafísico demais para a nossa compreensão.
Hoje existe um rasgo, mas amanhã pode não existir mais.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Semana Olbinski



































Me sinto no direito de abusar de mim mesma

Breve apontamento sobre Olbinski

Me soa talvez muito sensato. Um surrealismo que sabe a causa do "ismo".
Muito lúcido. Muita insônia. Inquieto. Delirante. Ah! se posso repetir, prefiro o sensato.
Talvez aos olhos de quem nada sabe. O que sei eu das coisas? Não sou Fernando Pessoa e nem Sócrates. Mas seria muita pretensão fazer um julgamento de valor sobre algo tão sublime, tão sensitivo. Quiçá um equívoco. Um desvio da rota de colisão. Cada semana em que faço essa escolha, reparo depois de alguns instantes o quanto toda a contextualização das obras estão relacionadas àquilo com que venho pensando, sentindo, observando, vivendo, sonhando, imaginando e todos os outros 'andos' e 'endos' que deixamos no meio do caminho.

O belo está nos olhos de quem vê. O sentido está dentro de quem sente.

Cravo-da-índia


Um espaço

Outro tempo

Novo verão.

Nem um, nem outro

se adequam a tua dimensão.

Ser um ser

ou não ser nada além de ser o mesmo.

a mesma coisa

em outros versos

mesmos espaçamentos

novas crases

velhos finais.

O inicio


Hoje mergulhei na vida como quem bebe um copo d'água.

Minha cortina se abriu!

e o que vejo é muito mais que um dia de sol.

Hoje é o presente que me dei.

Mergulhar na essência do dia sem me afogar nela.

Vejo pessoas caminhando,

ouço crianças gritando

vejo o trem passando,

e não tenho mais raiva do gerúndio.

Tenho raiva do tempo que deixei lá atrás,

das surpresas que escondi debaixo da cama,

dos sonhos que guardei pro jantar