segunda-feira, 7 de abril de 2008

Estética do sentido e a estética da ilusão

A estética do sentido e a estética da ilusão estão altamente relacionados com a grade midiática, o efeito do discurso publicitário e o poder. Os veículos de comunicação preparam matérias cujo conteúdo é sempre o mesmo e sempre sensacionalista, causando uma sensação de que estamos bem informados do mundo que nos cerca e livres dos perigos que assombram “os outros”. A escolha desses temas em detrimento de outros que desafie nosso poder de criticidade, se faz pelo próprio poder, para nos manterem num estado ingenuidade, tanto no olhar quanto no comportamento passivo, fomentando subjetividade descentrada.
A homogeneidade da sociedade faz com que o sistema continue em equilíbrio, centralizado e o poder não-ameaçado. O que vemos é que o poder insiste em controlar nossa subjetividade, voltando nossa atenção e nossos olhos para leituras que não desafiam o intelecto, reportagens facilmente digestivas e principalmente o consumo desenfreado e desnecessário. O vigor do sentido só pode ser recuperado se nos colocarmos numa posição contrária a todas essas formas de aprisionamento e redundância, que homogeneíza a sociedade. Antes o sentido fundava a existência das coisas, hoje o sistema mercadológico ocupou este lugar, sustentando o modelo de “sociedade creôntica”, onde as pessoas se alimentam de meras ilusões, incapazes de desenvolver uma consciência reacionária. Vêem jornal como se estivessem assistindo novela, e vêem novela como se assistissem ao jornal, isso mostra uma população que não consegue distinguir nada. E de repente somos assaltados por anúncios publicitários, que vem para afastar a realidade, e acabamos por oscilar entre a sedução publicitária e o fantasma do real. A subjetividade prospectiva pode ser alcançada por um modelo de leitura mais desafiador. O investimento em leitura produtiva é essencial para que a sociedade implante um modelo cultural crítico onde as pessoas além de cultivar o hábito da leitura, mas como foi citado anteriormente, uma leitura que necessite de total atenção para a compreensão dos signos e símbolos , que desafie o intelecto e o poder de criticidade. As escolas secundaristas que deveriam iniciar esse modo de leitura prospectiva deixam a desejar. E somente através desse modo de leitura que o individuo se qualificariam no processo educacional. Nessa sociedade pautada pela cultura do olhar, onde somos assediados a todo o momento com cartazes, outdoor, televisão, jornal, de fácil digestão, as pessoas dificilmente se interessam em ir além do poder de compreensão. Dá-se por satisfeitas com informações frívolas de baixo teor de conhecimento, e se sentem bem informadas. Essa seria a estética da ilusão que afasta o individuo de afiar sua subjetividade prospectiva. A estética do sentido seria uma forma de enfraquecer a subjetividade descentrada em detrimento da prospectiva.

2 comentários:

Carlos Almeida disse...

Você escreve muito bem.Idéias muito coerentes e surpreende pelas temáticas, tão pouco discutidas e abordadas.
Parabéns

Luiza disse...

Repito o comentário do amigo acima.
Você escreve muito bem e terá um futuro promissor nas áreas humanas.
Consegue distinguir muito bem os fatos e as versões.
Visitarei mais vezes o seu site.