sexta-feira, 16 de maio de 2008

Meu nome não é Flor


Existem muitas pessoas que acham que meu nome é Flor. Não, não é. Meu nome é Raisa, com um "s" e som de "z". Flor foi apenas um apelido, decorrente de uma tatuagem que fiz, então aproveitei a Flor para assinar poesias e textos. Mas quando eu escolhi usar a Flor, estava num momento musical muito intenso com Joan Baez, então me aproveitei do seu sobrenome.

Gosto muito de Raisa, um nome bonito. Mas a Raisa é muito densa, descrente, intolerante, ousada. E a Flor é leve, como leve pluma muito leve, leve pousa. Ela é mais alegre, emana luz, é algo sensacional, permite a Raisa acreditar em algumas coisas, antes repugnantes.

E no meio de toda essa dupla personalidade, lembrei-me de um poema do Fernando Pessoa, chamado Tabacaria, e há um trecho que descreve muito bem tudo isso:


"Quando quis tirar a máscara,

Estava pegada à cara"

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O que houve?

Nada disso que se apresenta para mim me soa estranho.
Tudo isso já me foi dado por um Deus que nunca vi
Mas que se materializa em sonhos.
Tudo isso que se apresenta em mim eu já vivi.
A história sempre me repete.
A mesmice sempre me surpreende na porta.
E eu estagno nesse seu calendário tão imperativo.
Completamente tocada pela esquizofrenia
Eu calo os meus versos
Que é pra você não me perguntar depois o que houve.
Eu houve!
Escrita há bons dois anos atrás....

Uma questão de sombra


Numa discussão muito acalorada sobra o Leviatã de Thomas Hobbes, chegamos a um momento quase de transe, quando o professor,Oswaldo Munteal, nos alertou sobre nossa sombra. A sombra ela vai além daquela forma bidimensional projetada pela ausência parcial de luz. Ela é aquilo que repudiamos. Aquilo que enxergamos nos outros e repugnamos, pois é exatamente o que temos de pior dentro de nós. Quando queremos fazer justiça com as próprias mãos, é porque temos que eliminar no outro aquilo que existe em nós. Por mais absolutista que Hobbes tenha sido em suas escrituras eis o legado: “Lê-te a ti mesmo”.
Olhar para dentro de si e examinar o que estamos pensando é primordial para não cometermos injustiças, pois a sombra não é apenas uma sombra, é outro.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Criatividade nas bordas


Ser clichê é só um estado de espírito. Não há predisposição para a redundância. Somos antes de ser, seres criativos. Pelo menos o que deveríamos buscar. No fundo todo mundo quer a mesma coisa. O destaque está nas bordas, na ponta dos dedos, no canto do olho.

Escrever é transcender, mesmo que seja de você mesmo. Escrever como coisa-em-si é clichê. Pois todas as palavras já foram escritas. O experimental é o dissonante. O erro.

Não sei se hoje somos o suficientemente criativos para experimentar. Desde muitos anos existem os modernos, e consequentemente os pós-modernos, os contemporâneos...mas e nós? Somos o quê?


Neo- contemporâneo? Se for, somos apenas as redundâncias.

Maquiavélico



No livro “O Príncipe” de Maquiavel, ele se concentra, não tão especificamente sobre as indicações de como ganhar o poder, como mantê-lo e por que se perde. Maquiavélico, já virou adjetivo, como sinônimo de uma pessoa má e perversa, mas na realidade, para Maquiavel, na vida política não há o bem nem o mal. Esses dois conceitos devem ser dissociados, pois mesmo a pureza das intenções é capaz de todos os crimes. Ele não condena o uso da força, quando uma lei não é capaz de manter a ordem. Mas se os meios justificam os fins...
No primeiro capitulo Maquiavel distingue os vários tipos de Estado e como eles são constituídos. Mas de acordo com a sua época, há os principados, que são passados de forma hereditária, e os principados que são fundados recentemente. Para manter os Estados herdados, onde os súditos estão habituados a obedecer à determinada família reinante, é preciso evitar transgredir as leis e os costumes tradicionais. Quando o príncipe tem menos motivos para ofender seus súditos, mais querido ele é por eles, assim como para com as massas. É preciso que o soberano não seja odiado, pois quando o é, correm sérios riscos de ameaça.
Quanto às monarquias mistas, Maquiavel diz que as dificuldades aparecem nas monarquias novas. A tendência é que mudemos de governante ciclicamente, afim de melhorias, e quando percebemos que a mudança foi pra pior, há uma descontentação em massa. O resultado para o soberano, é a coleção de inimigos. Maquiavel diz: “O soberano fará, assim, inimigos – aquelas pessoas injuriadas com a ocupação do seu território – e não poderá manter a amizade dos que o ajudaram na conquista do poder, por não lhe ser possível satisfazer suas expectativas”. Por isso é que o soberano precisa contar com a população de um território para poder dominá-lo. O uso do exército, apenas, não é suficiente.

Talvez a narrativa atual não condiz especificamente uma guerra entre vizinhos territoriais. A arte de ler está em adaptar, transmutar os signos, transcender aos simbolos.