terça-feira, 13 de maio de 2008

Maquiavélico



No livro “O Príncipe” de Maquiavel, ele se concentra, não tão especificamente sobre as indicações de como ganhar o poder, como mantê-lo e por que se perde. Maquiavélico, já virou adjetivo, como sinônimo de uma pessoa má e perversa, mas na realidade, para Maquiavel, na vida política não há o bem nem o mal. Esses dois conceitos devem ser dissociados, pois mesmo a pureza das intenções é capaz de todos os crimes. Ele não condena o uso da força, quando uma lei não é capaz de manter a ordem. Mas se os meios justificam os fins...
No primeiro capitulo Maquiavel distingue os vários tipos de Estado e como eles são constituídos. Mas de acordo com a sua época, há os principados, que são passados de forma hereditária, e os principados que são fundados recentemente. Para manter os Estados herdados, onde os súditos estão habituados a obedecer à determinada família reinante, é preciso evitar transgredir as leis e os costumes tradicionais. Quando o príncipe tem menos motivos para ofender seus súditos, mais querido ele é por eles, assim como para com as massas. É preciso que o soberano não seja odiado, pois quando o é, correm sérios riscos de ameaça.
Quanto às monarquias mistas, Maquiavel diz que as dificuldades aparecem nas monarquias novas. A tendência é que mudemos de governante ciclicamente, afim de melhorias, e quando percebemos que a mudança foi pra pior, há uma descontentação em massa. O resultado para o soberano, é a coleção de inimigos. Maquiavel diz: “O soberano fará, assim, inimigos – aquelas pessoas injuriadas com a ocupação do seu território – e não poderá manter a amizade dos que o ajudaram na conquista do poder, por não lhe ser possível satisfazer suas expectativas”. Por isso é que o soberano precisa contar com a população de um território para poder dominá-lo. O uso do exército, apenas, não é suficiente.

Talvez a narrativa atual não condiz especificamente uma guerra entre vizinhos territoriais. A arte de ler está em adaptar, transmutar os signos, transcender aos simbolos.

8 comentários:

Opa disse...

somente uma questão de sensatez

Felipe Cavalcanti disse...

Semente, uma questão de sensatez.

Plantar esta árvore (do conhecimento) com esmero e amplitude para que as aves do céu venham e se reproduzam no seus galhos; é dela que brota a sabedoria.

Sendo uma figura brilhante e sábia, Maquiavel foi o pensador mais odiado.

Flor Baez disse...

Mais odiado e menos compreendido, eu completaria...

Flor Baez disse...

Mais odiado e menos compreendido, eu completaria...

Felipe Cavalcanti disse...

Verdade, concordo. Mas compreensão sempre foi complicado. A percepção de cada um molda a própria realidade. Cada um compreende como quer, pode ou consegue. O pensamento permanece aberto às mais diversas compreensões. Mussolini, por exemplo, tranformou Maquiavel no precursor do fascismo. :)

Soraya Queimada disse...

Pois é...não apenas Maquiavel, mas existem escritores que têm sido distorcidos, quanto a sua significação. Talvez a Xuxa tenha inspirado Nardoni a jogar Isabella.

Thay disse...

Nossa...também acho que não é assim...Não precisa pular entre dois estremos... Olhe o amigo lá em cima: uma questão de sensatez!

Juliana disse...

Suas leituras são muito pesadas...Precisa relaxar um pouco lendo um romance!