terça-feira, 3 de junho de 2008

Uma gota de Rousseau


Em meio à efervescência das luzes e a valorização do homem no iluminismo, surge Rousseau contrariando a filosofia da sua época. A diferença crucial entre Rousseau e os demais filósofos iluministas, era que este falava de homens enquanto os outros falavam em súditos. Para o filósofo o povo está acostumado a senhores e a servir, não pode mais passar sem eles, e extingue-se o homem natural, que satisfaz suas necessidades, não precisa do auxílio de máquinas para se manter e tendo consciência de sua força, ele é temido pelos animais. Para Rousseau o entendimento do homem só difere do animal pela sua intensidade, pois animais sabem combinar as idéias e vive de acordo com a natureza. O homem tem a liberdade de escolha. A indústria e a socialização dos homens colocaram as leis em detrimento do direito natural, pois esta nos tirou a força e agilidade para buscarmos nossos sustentos, além de ter impostos novas condições e bens materiais para a nossa sobrevivência. “A diferença do homem e do animal é a faculdade de se aperfeiçoar, a qual, com o auxílio das circunstâncias, desenvolvem sucessivamente todas as outras e reside, entre nós, tanto na espécie como no individuo, ao passo que um animal é no fim alguns meses, o que será a toda vida. Por que só os homens estão sujeitos a se tornarem imbecis? .
O homem no seu estado de natureza não tem o que temer. Ele aprende com o natural e não precisa se opor a natureza, caso contrário o homem está traindo a natureza e sua real condição. “Conhecendo tão pouco a natureza, e harmonizando-se tão mal sobre o sentido da palavra lei, seria bem difícil encontrar uma boa definição da lei natural”.


Existem dois conceitos-chave para o esclarecimento da sua filosofia: o amor-próprio e o amor de si mesmo. O amor de si mesmo é aquele que se encontra nos animais, que acasalam pelo sentimento natural de preservação da espécie. O amor-próprio é salutar do homem que diferente do animal, consegue interiorizar o olhar do outro em si mesmo, diz-se respeito ao reconhecimento universal. É o sentimento das paixões que leva o homem a se comparar com os demais. Para Rousseau o hábito de viver coletivamente fez nascer no homem o amor conjugal e o amor paternal, que antes não havia no meio natural. O homem natural, sendo um individuo só, preocupava-se nas necessidades naturais e no sexo quanto instinto e preservação da espécie. E quando se formam esses núcleos familiares, surgem tais sentimentos. A sociedade impõe um comportamento artificial ao homem, que acaba por ignorar suas necessidades naturais, tornando-o vaidoso e orgulhoso. O amor de si mesmo em detrimento do amor-próprio, que é típico de uma sociedade onde se ignora o sentimento natural. No estado do homem primitivo esse conceito de amor-próprio não existe, pois ele não pensa em si como algo individual e fragmentado da natureza, ele é a própria natureza e está ligado a ela de modo intrínseco.

3 comentários:

Juliana disse...

Não sei quem é minha predileta...Mas a questão vai além de um belo nome e um desafiador apelido...Pois cada um carrega consigo suas inquietudes e diferenças que no final das contas é a mesma coisa. É tudo uma unica coisa, um único nome, uma única pessoa. Sua essência é Raisa, é Flor, é perfume de sândalo e como você gosta de dizer "gosto de ferrugeM"

Juliana disse...

ACHO QUE postei no lugar errado...mas tudo bem...
Rousseau é tão ambiguo quanto Flor e Raisa!

Blog do Gilvan disse...

Gostei do nome do seu Blog... bem sugestivo e criativo!

A resposta a sua pergunta está no Blog do Gilvan.

Bjs.

Gilvan