segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Jainismo e criação do Universo

Este trecho foi tirado do livro "A dança do Universo".
Aqui explica como os Jainistas concebem a criação do Universo.


Alguns homens tolos declaram que o Criador fez o mundo.

A doutrina que diz que o mundo foi criado é errônea e deve ser rejeitada.
Se Deus criou o mundo, onde estava Ele antes da criação?
Se você argumenta que Ele era tão transcendente,
e que portanto não precisava de suporte físico, onde está Ele agora?

Nenhum ser tem a habilidade de fazer este mundo —
Pois como pode um deus imaterial criar algo material?
Como pôde Deus criar o mundo sem nenhum material básico?
Se você argumenta que ele criou o material antes, e depois o mundo,
você entrará em um processo de regressão infinita.

Se você declarar que esse material apareceu espontaneamente, você entra em outra falácia,
Pois nesse caso o Universo como um todo poderia ser seu próprio criador.
Se Deus criou o mundo como um ato de seu próprio desejo, sem nenhum material,
Então tudo vem de Seu capricho e nada mais — e quem vai acreditar numa bobagem dessas?

Se Ele é perfeito e completo, como Ele pode ter o desejo de criar algo?
Se, por outro lado, Deus não é perfeito,
Ele jamais poderia criar um Universo melhor do que um simples artesão. (...)

Se Ele é perfeito, qual a vantagem que Ele teria em criar o Universo?
Se você argumenta que Ele criou sem motivos, por que essa é
Sua natureza, então Deus não tem objetivos.
Se Ele criou o Universo como forma de diversão,
então isso é uma brincadeira de crianças tolas, que em geral acaba mal. (...)

Portanto, a doutrina que diz que Deus criou o mundo não faz nenhum sentido.
Homens de bem devem combater os que crêem na divina criação,
enlouquecidos por essa doutrina maléfica.

Saiba que o mundo, assim como o tempo, não foi criado, não tendo princípio nem fim (...)
Eterno e indestrutível, o Universo sobrevive sob a compulsão de sua própria nat

8 comentários:

Leonardo Freitas disse...

Interessante.

Carla Feitosa! disse...

Seu blog é realmente muito bom...
surpreende!

Simone disse...

Não acredito nessas coisas. Deus é deus em qualquer lugar ou espaço...
É muito ceticismo... muito triste isso..

Fernana disse...

Interessante sim.;

Calico disse...

Flor

Tudo é uma questão de compreender.
Compreender não vem de uma simples escolha e sim do estado de consciência em que nos encontramos.
Neste sentido não há verdades e mentiras absolutas e sim uma vontade em construção.
Talvez pudéssemos nos perguntar que Deus é este de que trata o questionamento apresentado no livro "A Dança do Universo".
O quetionamento me parece infantil demais para ser considerado Jainista e talvez o autor não esteja preparado, ou seu estado de consciência não "vibre" nas escalas necessárias à compreensão das diversas formas de perceber os atributos divinos no mundo material. Este aqui onde, no momento vivenciamos nosso karma e nosso dharma.
Para os mestres kabbalistas, até aonde meu estado de consciência consegue alcançar, DEUS é DEUS. Não há nada que se compare.
Este Deus transcendente Ee chamado AYIN. AYIN significa em hebraico o NADA pois está muito além da existência, não está nem acima nem abaixo. AYIN não está em lugar algum, é o nada absoluto.
Na física quântica encontramos este nada absoluto no cosmos e no incompreensivel interior do buraco negro para onde toda a matéria universal volta a ser o nada.
Mesmo assim o nada será sempre o imcompreensível. Perda de tempo tentar compreendê-lo ou memso negá-lo por estas circunstâncias.
Mas Deus, dizem os Kabbalistas do século XIII, relativisa-se em AIIN SOF, que significa "SEM FIM em Hebraico. Deus nesta manistação é a totalidade do que é e o que não é. É o DEUS Imanente o todo absoluto. AYIN SOF não tem atributos compreensíveis aos seres humanos. Somente na existência é que os atribuots divinos podem ser compreendidos. Então DEUS retraiu-se num movimento de contração para relativisar-se e poder então tornar-se AYIN SOF AUR a luz infinita que completa os vácuos do universo tornando-os luz (energia e matéria) nos quis o espelho da existˆnecia pode ser manifestado.
Impossível compreender este processo de relativização. A meditação mais profunda dos mestres ascencionados e dos avatares, jamais alcançou as palavras que possam explicar esta emanação. Os Jainistas sabem disso e o texto selecionado me dá vontade de dar risadas assim como acho engraçado sempre que algum teólogo tenta explicar porque no início era o verbo. É como ver uma criança tentando explicar a razão do universo.
Agora Flor, podemos nos encantar com as manifestações divinas. Podemos conhecê-las, senti-las e mesmo tocá-las. Entrar nelas e buscar seus ensinamentos. DEUS, AYIN SOF AUR emana sua luz, penetrando o universo da periferia para o centro e, de acordo com a Kabbala e também com o hinduismo pode mostrar ao homem seus atributos no mundo espiritual, no mental, no da formação e no material. Basta conhecer e sencantar com a árvore da vida.
Uma vez, no sul da India perguntei a um mestre o que era Brahma. A resposta imediata viera de seus olhos que brilharam como jamais havia visto. The Absolute Reality ? How can we ever reach it ? ele respondeu me dando um pequeno pedaco de açucar e aniz e me pedindo que fechasse os olhos.
Algo inexplicável aconteceu. Um sentimento tão forte e sutil que meus olhos se encheram de lágrimas. Sem dor e sem extases.
Aprendi que não há porque ser presunçoso criando doutrinas ou mesmo avaliando outras que questionam se DEUS criou o mundo ou não, se ele é perfeito ou imperfeito ou quais os motivos Dele achar que devia relativisar-se. Busco-o simplesmente. Não somente na natureza física - que já é bela e única em sua expressão visível mas também na psique dos seres vivos, na mente dos mestres e no espirito inalcansável do universo. Ali estará o Deus que nosso estado de consciência nos permite.
Um beijo e procure conhecer os sephirot.
Calico

Calico disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flor Baez disse...

Nossa! Uma aula!

Kleverton Journée disse...

exatamente!