quinta-feira, 7 de maio de 2009

A náusea


Se alguém me perguntar do que se trata o livro “A náusea”, de Jean-Paul Sartre, certamente não saberia responder. Acredito que determinadas histórias e sensações são praticamente impossíveis de se descrever. Antoine Roquentin, o personagem principal do livro, faz comentários valiosos sobre algumas coisas da nossa existência, que na maioria das vezes passam por nós despercebidos; Às vezes não notamos que existimos, pois caso notássemos, sentiríamos o fardo peso que carregamos dentro de nós. Penso que vamos “levando” nossa vida quase que mecanicamente. Só compreendemos que existimos quando transborda nossas inquietações e elas se esparramam no chão. Pensamos que temos hábitos e manias e esquecemos que são os hábitos que nos fazem escravos do funcional e não ao contrário.
Devemos escolher o que queremos pra nossa vida: narrá-la ou vivê-la. Roquentin diz que o homem é sempre um narrador de histórias, das suas e a dos outros; Não sei qual das duas opções é a mais difícil, talvez viver exija mais esforço. Mas certamente não é possível ser tão maniqueísta a ponto de escolher apenas uma alternativa, é por isso que somos surpreendidos pela tal náusea; Vivemos em espiral sem perceber que nós somos a própria náusea e se pudéssemos, vomitaríamos nossa existência.
No livro “Idade da Razão”, Sartre diz que existir é beber a si mesmo sem sede.