sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Inexaurível

Às arvores na estante fazem volume – diminuo o som e fecho os olhos para ouvir suas folhas, que batem secas no teto da casa. As coisas que se escondem na estante: já nem sei mais o que habita por ali, virou uma selva perigosa onde poucos aventuram a organizá-la. A estante já não tem importância, ela não tem espaços vazios, dimensões infinitas – era criança e entrava na gaveta maior, mas o tempo passou e nem mais um livro, nem mais uma traça, a estante ficou por acidente. Os livros, que são muitos, se espremem entre seus braços, e a estante coitada, é uma mãe cansada que já não suporta o peso dos filhos no colo. Os piolhos nas crianças: as traças nos livros. A prateleira quebrada: a mãe doente e velha. Não posso deixá-la que morra, farei uma pátina, comprarei um novo vidro, uma nova rodinha para seus pés – cadeira de rodas. Eu? Enfermeira de estante e babá de livros.

3 comentários:

Flor Baez disse...

muito legal seu pensamento sobre a estante bjs

Flor Baez disse...

Obrigada, mãe! Você só esqueceu de fazer o logof ! rs
Beijos!!!!!!

Flor Baez disse...

Obrigada, mãe! Você só esqueceu de fazer o logof ! rs
Beijos!!!!!!