terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Doce lembrança

Todos iguais: felizes ou infelizes todo o instante se esvai da mesma maneira, não há flores reais, sorrisos concretos. Existe um tempo despedaçado, finito e apressado: nunca haverá tempo de sobra, os sonhos ficarão para a sobremesa e o compromisso, que poderia ser adiado, será cumprido como uma exigência da vida que não pertence ao sujeito.

Comandados pelos compromissos, que vão nos acorrentando durante a vida, os homens esquecem de si mesmo e das impossibilidades que poderiam ser reais. O instante é um cuspe que seca rápido.

4 comentários:

francesco disse...

quando eu era criança o tempo custava a passar e eu não conseguia discernir os instrumentos em uma canção.

***

hoje o tempo sempre voa e eu nunca mais quis que ele andasse rápido.

Rafael Queres disse...

Esse sentimento será sempre presente em nós, que mergulhamos na rotina e na urgência de pagar contas e mais contas.

“Para quem é obrigado a sonhar de olhos bem abertos todo movimento é invertido, toda ação se quebra em fragmentos microscópicos. Creio, enquanto atravesso os horrores do presente, creio que só aqueles que têm a coragem de fechar os olhos, só aqueles em permanente ausência da condição conhecida como realidade é que podem afetar o nosso destino”.

(Henry Miller)

Kleverton Journaux disse...

McLuhan estava certo!

' Montreal. disse...

o vento que seca o cuspe é a vida, a doce lembrança fica congelada,numa foto talvez..

equilibrio'
a vida que não pertence ao sujeito e o sujeito que não pertence a vida.