quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Despedida


Hoje mais uma etapa se encerra na minha vida. Um futuro cheio de surpresas, de enigmas me espera daqui pra frente. Sempre quando penso em trabalho me vem na cabeça a palavra transformação. Qualquer coisa nos dispomos a realizar precisamos fazer bem feito, esse é o segredo da bem-aventurança. Paramahansa Yogananda me ensinou a levar um paraíso dentro de mim, e procurei durante esses anos irradiar essa luz no meu trabalho. Sou muito agradecida por seres tão especiais cruzarem meu caminho com tanta freqüência. Quando eu não espero nada, eis que aparece alguém iluminado para compartilhar um pouco de sua luz.

Amanhã, quero buscar o resultado do meu trabalho não em planilhas do Excel, mas na sociedade. Uma ânsia de transformação muito forte lateja no meu coração e isso me dá esperança de conseguir fazer um trabalho interdisciplinar que ajude de fato as pessoas. A minha comunicação precisa ser social, é com essa comunicação que eu quero trabalhar. E usar isso como instrumento para levar o hábito da reflexão as pessoas. Tudo o que eu disse pode soar um pouco romântico, mas esse é o meu projeto de vida.

Não sei o que me espera daqui pra frente, mas estou muito feliz ter vivido as experiências que eu tive e ansiosa para enfrentar novos desafios.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Deuses do Hinduísmo - Matangi

Uma religião sem deuses é cinza demais. Por que escolher apenas um quando se podem ter milhares? O hinduísmo, por mais politeísta que possa parecer, é monoteísta, pois os deuses representam os diversos aspectos do deus único – a essência de Brahma. Mas, ainda assim, desempenham um papel importantíssimo dentro da cultura hindu. Como aprendi com Dilip Loundo, perguntar a um indiano se Rama realmente existiu é uma ofensa – você está duvidando da sua própria existência.
A história dos deuses é a história do homem. Através das grandes batalhas e paixões, a comédia humana vai se desenrolando e revelando, sobretudo, os aspectos culturais de uma época tão remota, que ainda sobrevive com força na Índia. Nas próximas postagens vamos conhecer um pouco mais sobre o grande panteão espiritual hindu.


Matangi
Matangi é uma Mahavidyas, deusas da sabedoria e manifestações da Mãe Divina. Ela representa a perfeição do pensamento interior e tem domínio sobre o chakra da garganta, e, portando, a palavra falada. Matangi é a forma escura da deusa Sarasvati, a deusa do conhecimento. Ela tem um papagaio e uma vina (o mesmo instrumento de Sarasvati). Ela é invocada pelos devotos que desejam criatividade, melhor eloqüência e conhecimento.

Matangi também é referida como a deusa que ama a poluição. Esse epíteto estranho vem de uma história de sua origem. Vishnu e Lakshmi tinham ido visitar Shiva e Parvati, trazendo com eles vários alimentos, mas no meio do caminho alguns caíram no chão e surgiu Matangi pedindo as sobras. Então, Shiva disse que quem a adorasse seria muito bem sucedido financeiramente e a nomeou de Matangini. Restos de comida são considerados, no hinduísmo, poluição.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A síntese da alma (1)

Estava procurando uma fresta dentro do próprio imaginário para conhecer a alma humana. Ela deve estar escondida em algum lugar desértico de clima seco. De repente, quando eu fechava os olhos sentia o meu corpo limpo, cheio de uma energia flutuante e uma cor laranja que atravessava a alma.

Quanto mais se busca compreender a essência última das coisas, menos se alcança a resposta – porque as respostas são feitas de éter, e elas escapam das mãos com muita facilidade. Quando você pensa ter encontrado a verdade inalterada, de repente os dias passam e ela continua seguindo o seu fluxo e foge da sua compreensão.
Assim vou oscilando numa busca para toda a vida. Ora desvendando alguns mistérios, ora deixando tudo que conquistei escapar. Ontem senti a ausência das formas sobrenaturais e da perplexidade dos cosmos diante da minha pretensão.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ecos de Sati


Na Índia, quando o marido falecia a mulher também era queimada na pira funerária como sinal de respeito e honra ao marido. Atualmente esse ritual é proibido no território indiano, porém ainda há registros de mulheres que se matam no fogo. A prática foi comum até meados do século XIX e era visto como sinônimo de honestidade.

O ato de se deixar queimar no fogo com o marido deveria ser voluntário, porém a família pressionava as mulheres com o intuito de que a herança não ficasse com elas. Existe também o Sati simbólico, que não exige necessariamente que a esposa morra fisicamente, mas que ela adormeça para as cores do mundo.

A Índia é conhecida por ser um país bastante tradicional, que respeita e vive profundamente os cânones da sua fé. Costumes como esse são difíceis de apagar completamente da cultura.
O termo Sati se originou na história de Shiva, quando sua esposa, Sati, se matou após a morte do marido.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Padaria Deli da Juju

Não costumo publicar postagens de reclamação, mas diante do silêncio da minha exigência resolvi utilizar o meu blog para divulgar minha insatisfação com a nova padaria Deli da Juju, situada no centro de Nova Iguaçu.

No inicio fiquei empolgada com a novidade de uma nova padaria na região. Minha mãe e eu éramos frequentadoras assíduas da padaria, até perceber que quando eu pedia o famoso pão com manteiga, eles colocavam MARGARINA!

Pedi humildemente s que colocassem manteiga, e eles trocaram duas vezes. Só que na semana passada, a dona da padaria disse que não ia colocar mais manteiga e que se eu quisesse comer o pão, que fosse com margarina. Pasmem! Onde já se viu uma padaria que não tem manteiga???? Além de tudo ela foi grosseira.

Enfim, desabafei!!!!!!
Além de tudo, eles colocam todos os produtos embalados no isopor e plástico. Eles poderiam utilizar sacos de papéis e ajudar o meio ambiente.

Hoje, os empresários devem ficar atentos que os consumidores estão mais exigentes.


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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Literatura do eu

Hoje meus pensamentos descansam em algo infinito. As palavras e imagens parecem se movimentar pendularmente por esse universo. Hoje eu amanheci breu, justamente para ficar mais fácil me jogar em alguma galáxia. Depois de um bom ano sem pensar em pontos finais, hoje me chega de surpresa uma aurora boreal de infinitos sinais.

Peguei minha xícara de café e acabei me perdendo dentro dela, quando dei conta estava quente, o dia já estava nu brilhando no céu. Poderia ter saído com pressa, mas andei com passos lentos, observando cada detalhe que faz a rua uma cor cinza. Entrei dentro do ônibus, mas no meio do caminho mudei de idéia – só não sabia para onde voltar. Queria ir para o útero do universo, de onde vim. Mas como não me restava alternativa fiquei vagando pela rua, esperando que uma floresta úmida me engolisse.


Estou esperando até agora...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tratado místico sobre as cores

Breves sensações de uma manhã chuvosa
Hoje quando acordei para meditar, assim que fechei os olhos veio uma cor amarela no meu rosto e ficou pulsando na minha mente durante um tempo. Não entendia o porquê, já que sempre é o roxo que aparece no meu chakra frontal. Mesmo que eu não domine isso, sei que as cores exercem vários tipos de influências na mente e no comportamento humano.  

Percebi que tinha me esquecido da cor amarela, logo ela que lembra luz, sol e alegria. Estou muito presa a “cosmicidade” do azul e roxo, parece que elas me levam para uma viagem astral. Ainda assim, a maioria dos sábios é retratada nas obras de arte com uma áurea amarela em volta da cabeça indicando sabedoria, desde Buda a Jesus. O amarelo indica que a pessoa já alcançou o estado de iluminação cósmica. Obviamente que não é no meu caso e sim dos mestres ascencionados.

A cor amarela sugere intensidade. No caso dos grandes sábios é uma magnitude de sabedoria e iluminação que irradia para fora do seu ser. Amarelo me lembra flores, primavera, calor, pão francês, suco de melão, livro, cadeira de madeira, etc, etc, etc.

Eu tenho uma relação muito intensa com as sensações. Cores, cheiros e paisagens sempre me remetem alguma coisa inexplicável. Essa cor amarela me trouxe uma vontade de ser uma tarde fresca, e ficar inerte durante algumas horas. É uma pena que o tempo seja tão disciplinado e pontual: tive que me levantar e cumprir minhas obrigações mundanas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Especialistas e Generalistas


Especialistas se debruçam numa pequena parte do todo enquanto generalistas olham o todo para compreender as partes. As diferenças entre o modo de pensar são bastante pontuais. Não há melhor e pior, ambas as visões contribuem para o avanço social, apesar de a completude acompanhar as visões generalistas.  Não sei se o termo apropriado deve ser esse, mas foi o único que veio a minha cabeça.

A especialidade é uma característica de nós, ocidentais, que temos a forçosa mania de fragmentar toda a realidade e reduzir o comportamento humano a um cartesianismo maluco sem fim. Dividimos nosso ser para cada papel social, somos mãe, trabalhadora, estudante, esposa, filha, etc. E nos comportamos distintamente como manda a etiqueta social do ambiente. No oriente, antes de ser todos esses papéis, você é – simplesmente. O compromisso do SER está ligado a todas as esferas da vida, como numa rede – um voto de coerência.

É uma tendência de todas as nossas instituições abreviar a grande multiplicidade da vida em pequenos conceitos inquebrantáveis. Um exemplo disso são as academias que obrigam os alunos a recortarem tanto o objeto de estudo que ele se torna um pequeno cílio frente à complexidade do corpo humano. Muitas vezes algumas realidades importantíssimas devem ser ignoradas em prol desse recorte. A interdisciplinaridade é fundamental para o enriquecimento da sociedade e da academia. E diga-se de passagem, a especialização excessiva limita nosso campo de atuação e não permite que usemos os nossos múltiplos talentos.

Outro fator fundamental, que eu nunca tinha percebido, é que especialistas analisam enquanto generalistas sintetizam. Os grandes textos que tenho lido ultimamente só me falam de síntese e jamais análise, justamente por remeter a essa visão cartesiana e fragmentada. Infelizmente, esse “olhar” está enraizado no nosso hábito de pensar, e para se livrar disso é preciso vigiar diariamente e olhar para as questões de forma holística para compreender a grandeza desse todo. Acho que é um exercício para a vida toda.

Na renascença italiana ser generalista era um supremo ideal do ser humano, vide Leonardo da Vinci que exerceu múltiplas tarefas aproveitando todos os seus talentos, como pintor, estudioso da anatomia, etc.

Especialistas serão sempre especialistas, enquanto generalistas podem ser sábios. "Se quiserem, os homens podem fazer todas as coisas", disse Leon Battista Alberti. 

P.S- Tentei escrever isso para minha mãe, que muitas vezes me pediu que eu refletisse sobre isso!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As extremidades do pensamento


O livro ponto de mutação, de Fritjof Capra, me fez refletir sobre diversos conceitos e estados de consciência que abrangem nossa sociedade. A sensação que tive quando terminei a última página foi de ter despertado de um sono muito pesado. Obviamente que eu gostaria que as pessoas que eu amo fossem tocadas da forma que eu fui, mas certamente cada um tem o seu tempo para despertar, e o mais importante: de formas distintas.

As condutas radicais, que ainda infestam os seres humanos, estão em decadência. Pois todo radicalismo tende a dissipar-se pelo grande peso que carrega nas extremidades. Vejo o equilíbrio como a única conduta que se mantém estável ao longo dos anos.

Pessoas muito radicais não conseguem sustentar por muito tempo os hábitos que acreditam. E além de tudo, tem uma forte propensão a ser intolerante com as diferenças. Alimentar tantas convicções é cansativo e desgastante. A vida me trouxe uma pessoa desequilibrada para me ensinar o valor do equilíbrio e a sua importância para o convívio social.

O desenvolvimento, seja ele na esfera espiritual, social e ambiental só é conquistado através do equilíbrio entre as forças dominantes. A transformação só acontece quando o individuo está em sintonia com todos os âmbitos da vida humana, o que exige grande esforço e concentração. As mudanças não são fáceis, mas são inerentes aos seres humanos. O equilíbrio é um exercício que deve ser praticado por toda a vida.

Moral da história – Ninguém agüenta uma pessoa que fica a todo tempo tentando convencer os outros de que seu modo de vida é o melhor. A tendência é nos afastarmos de pessoas assim. Alguém que não seja capaz de ouvir e mudar opinião está coberto pelo véu da ignorância.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Danças folclóricas do Rajastão

Postei esse vídeo que mostra a dança folclórica do Rajastão, terra dos Marajás. Aprecio muito as fusões culturais e as suas influências, acho que toda manifestação artística é enriquecida. Claro que as danças típicas que não sofreram nenhum tipo de influência também são belas, mas acho as adaptações incríveis e inerentes aos seres humanos.

As danças típicas do Rajastão são bastante fluidas, diferente da perfeita geometria do Bharatanatyan, Odissi, etc. Podemos encontrar no deserto de Thar, a Kalbelia que é uma dança folclórica da região, de origem cigana e que imita os movimentos sinuosos das cobras. Lindo demais. Sem contar os figurinos que são bastante coloridos.

Gipsy é outra dança típica do Rajastão, que é mais ritualística e usa o corpo para despertar os elementos da natureza. Para que vocês possam ouvir e sentir um pouco dessa cultura rica e maravilhosa, segue o link para baixar o CD do Kohinoor Langa Group.


video

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O homem e a natureza


A noção de relação com a natureza que o homem tem atualmente é de subordinação e dominação. Para se chegar a este patamar foi preciso retirar o aspecto “sagrado” que habitava a natureza. De mãe nutridora e morada dos deuses ela se tornou, com o advento do cientificismo e da corrida industrial, uma máquina cuja obrigação é servir aos propósitos do homem. O universo natural como cenário de cooperação passou a ser visto pela competitividade – e esse conceito levamos para a nossa vida. Competimos no trabalho, com a família, enquanto poderíamos cooperar para o bom funcionamento das coisas. Há algum tempo que essa questão vem martelando na minha cabeça, principalmente após a leitura de Joseph Campbell e Fritjjot Capra. Mesmo o pensamento cientificista ter caído em desuso e a natureza não ser vista hoje meramente como uma máquina, nossa relação com ela é pautada pelo medo.
Todas as ações de proteção ao meio ambiente são realizadas com o objetivo, não de proteger a natureza, mas de preservar a espécie humana das furiosas tragédias naturais. Na verdade, a maioria das pessoas tem medo da natureza e quando a protege faz por instinto de sobrevivência. Não conseguem captar a essência primeira do equilíbrio ecológico e muito menos compreendem a importância do ambiente na continuidade da vida. Sustentabilidade, meio ambiente, ecologia viraram jargões da moda e ditam a tendência que vem por ai. Estamos cansados de ver pessoas públicas contando pequenas atitudes que fazem pelo meio ambiente. Não usam sacolas plásticas, mas são extremamente consumistas, compram além da necessidade.
Através dessas leituras pude compreender o papel da natureza como um organismo vivo, onde cada SER faz parte dessa grande rede. Não se protege o ambiente quando se prioriza a subordinação das necessidades individuais em prol da comunidade. Problemas como corrupção, fome, desmatamento não serão resolvidos com soluções bairristas, tudo isso faz parte do grande complexo existencial do homem. Todas as mazelas sociais são frutos de uma só crise. Para mudar esse cenário é preciso que o homem transforme sua forma de pensar, pois só assim essa mudança irá refletir nas ações. O bem irradia.
Foto: Mazé Mixo

sábado, 25 de setembro de 2010

La Belle Verte e Camelos também choram


Neste último mês vi alguns filmes maravilhos. O primeiro se chama La Belle Verte, indicado pela Pat. É um filme francês que conta a história de seres que evoluiram espiritualmente e habitam outra dimensão em plena harmonia com a natureza. E para ajudar no processo de evolução da Terra, uma mulher chega ao nosso planeta e vê horrorizada o comportamento humano. Não vou contar a história toda para não perder a graça, mas o filme ressalta os nossos costumes do ponto de vista que não costumamos observar, ou pelo menos grande parte da nossa população que ainda insiste em manter certos padrões de vida ignorando todas as outras.



Outro filme indicado pelo amigo Mazé foi "Camelos também choram". Não me recordo quem dirigiu, mas sei que é uma produção alemã. Um camelo fêmea - que costumo chamar vulgarmente de camela - dá a luz a um camelo albino. O parto é dificultoso o que resulta na rejeição do filhote. Como o bichinho sofre!!! Mas no fim tudo dá certo! Um ritual é preparado para fazer com que os dois, mãe e filho, se harmonizem. A história se passa no deserto da Mongólia, ou seja é um cenário lindo de viver!

Outro filme que acabei vendo por uma indicação "acidental" do amigo Willyan foi o "Quem somos nós". Não tenho nem palavras! A física quântica não é para uma minoria!!! O pensamento realmente é transformador! Outro despertar!

Fico fascinada por filmes e leituras que exigem de nossa mente uma profunda reflexão! Parece que algo novo sempre nasce na nossa consciência. O conhecimento é uma luz que irradia e frutifica.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O poder do bom pensamento


É muito fácil delegar a natureza um papel secundário em prol do progresso tecnológico. Mas o que vemos, resultado de todo esse “avanço” é que as tecnologias e tudo aquilo que acreditamos nos trazer uma vida mais confortável está muito longe de resolver as reais mazelas sociais. O que percebo são pessoas desumanas e distantes uma das outras, todas insatisfeitas com tanta correria e compromissos, mas não fazem absolutamente nada para mudar. Percebemos o tempo passar rápido porque fazemos tudo com pressa e não temos paciência para esperar.

Vi no telejornal uma pesquisa do IBGE que afirma que cerca de 70% da população no Brasil tem celular, e os jornalistas que davam a notícia estavam bem entusiasmados enfatizando como o progresso conseguiu atingir grande parte da população. Em minha humilde opinião esta é mais uma forma de vigiar e tornar a sociedade ainda mais prisioneira. Do que adianta uma pessoa ter um celular e morar no meio do lixo, sem acesso a educação e saúde? São soluções de baixo impacto para problemas universais – o famoso pão e circo.


As pessoas não mudam porque ainda acreditam que tem alguém que possa fazer isso por elas e não percebem que o trabalho é de dentro para fora e não ao contrário. As mudanças, em qualquer âmbito que ela aconteça, exigem abrir mão de velhos hábitos e ninguém parece muito disposto a fazer sacrifícios. Não tenho a pretensão de mudar as pessoas e convencê-las do que eu considero verdadeiro, mas acredito que através nosso comportamento e escolhas que o questionamento começa. Os pensamentos contagiam.

As pessoas rejeitam a antiga idéia de natureza como divindade porque isso os impediria de dominar a natureza. Como é possível derrubar árvores, rasgar a terra e desviar os cursos do rio sem matar Deus? Joseph Campbell

É hora de resgatar velhos hábitos para nascer um novo homem. Toda mudança implica na morte e renascimento.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Transformação


Algum tempo não atualizo este blog que tanto gosto. Sempre correndo de um lado para o outro cumprindo os compromissos que firmei. Posso dizer que pouquíssimas coisas me dão prazer e me acrescenta como ser humano, as demais são apenas obrigações diárias imposta por um sistema invisível e insensível. Prefiro atividades que me estimulam a reflexão, pois as mecânicas qualquer um pode fazer por mim.

Ouvir a palestra do Profº Evandro Ouriques foi o primeiro fato que aconteceu e que me fez perceber o quanto eu me sufoquei e deixei meus sonhos e vocação de lado para fazer apenas o útil. De repente, naquela tarde, percebi que estava me sabotando. Não quero ser apenas uma jornalista, apenas uma acadêmica, apenas uma dançarina, eu quero transformar. O trabalho por sua utilidade qualquer um faz. Nesse dia resgatei uma essência que estava diluída dentro de mim, foi um tapa na cara que me despertou de um sono muito profundo.

Paralelamente as coisas boas foram acontecendo e chegando até a mim, por exemplo, o convite privilegiado do professor Rubens Turci para participar do grupo de estudo do Sânscrito. Não é só o sânscrito, é a vida que pulsa as sextas-feiras.

Outra ferramenta me veio à mão: O que é civilização, de Ananda Coomaraswamy. E já no primeiro capitulo, percebi que uma espécie de mágica está acontecendo, até agora.
Uma energia de transformação, mudança e coragem está invadindo a minha vida e trazendo pessoas, livros e questionamentos. O que estou fazendo com a minha preciosa vida? Onde estou depositando minha força e todas as coisas que eu aprendi? É uma transgressão ao ser realizar qualquer tipo de tarefa apenas pela sua funcionalidade e não desenvolver suas capacidades plenas de acordo com a sua vocação.


Só para encerrar, ontem eu li esta passagem no livro do Coomaraswamy:

“O homem que muda de emprego muitas vezes com facilidade e despreocupação desde que o pagamento seja bom, não tem respeito profundo por si mesmo.”

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cinema Indiano Contemporâneo


Para a aminha alegria, a Mostra de Cinema Indiano Contemporâneo está no Rio de Janeiro, na Caixa Cultural. Assisti o Sr. e Sra. Iyer, de Aparna Sem, Bombay, de Mani Ratman e Tare Zameen Par, de Aamir Khan.

Sr. e Sra. Iyer e Bombay tem como pano de fundo as desavenças entre hindus e muçulmanos. A obra de Mani Ratman me tocou mais, apesar de ambos serem filmes bastante reflexivos. Surpreendeu-me a linda atuação das crianças nos filmes Bombain e Tare Zameen Par, neste o pequeno Ishaan é um menino que sofre dislexia e é ajudado pelo novo professor de artes da escola. No final do filme estavam todos chorando, sem exceção. No site http://www.cinemaindiano.com.br/ você pode conferir a programação completa que vai até o dia 22 de agosto.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Por que os deuses são azuis?

O menino perguntou para a professora:
- Por que os deuses são azuis?
- Fácil! Eles estão perto do céu
!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Anoushka

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Era uma estrada de terra longa e quase infinita. O sol insistia em ir embora e me deixar sozinha. Algumas aves voavam desesperadamente pelo céu que começava, segundo a segundo, ficar cada vez mais escuro. Eu continuei caminhando. Um trovão ali, gotas grossas e frias despencavam do alto. Hoje tinha festa no céu e eu não fui convidada.

A chuva era perfeita e trazia calma. Já não havia nenhuma luz, somente a que eu carregava dentro de mim, mas era suficiente para iluminar o que os meus olhos queriam ver. Olhei pro céu e os deuses dançavam, e seu suor caia na terra seca fertilizando as sementes, brotando luz. Eu fui convidada para a festa. Obrigada Anoushka.

Para o Projeto Escuridão

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Sonho Macalé


Jards Macalé me disse sobre o mal secreto e continua dizendo o tempo inteiro: minha alma chora. Vejo o Rio de Janeiro. O problema não foi o objeto em si com suas formas subjetivas e desalinhadas, mas todas as sensações que qualquer obra de arte provoca, principalmente aquelas que oscilam entre o contemporâneo e o antigo. Desde a primeira vez que vi a obra percebi, com toda a modéstia, que faltava apenas o meu toque final. Quem consegue apenas ficar olhando o belo? Eu quero encostar, sentir o perfume, apertar, jogar sabão e semente de girassol na obra!!!! Quero pendurar na minha parede, mostrar para os amigos, dar banho, comida e cerveja. Quero dizer para aquela forma que ainda falta uma coisa só, mas a obra em si é muda, tem medo e não responde. Sinal ocupado. Jard Macalé disse: Mas quando você vai embora movo meu rosto do espelho. E tudo muda.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O que é Páprica Doce?


Percebi que muitas pessoas caem neste blog por acidente porque estão pesquisando o que é páprica. Pensando neles resolvi escrever este post.



A páprica doce é um tempero húngaro, mas muito utilizado na culinária indiana. Com um sabor adocicado, ele é usado tanto para os pratos salgados como para doces, sendo muito comum o seu uso no preparo de boi e aves. Eu, como sou vegetariana utilizo a páprica doce para preparar legumes e purês, e dá muito certo!


Os benefícios apresentados pelo uso da páprica são imensos: reduz dores cardiovasculares, é antiinflamatória, estimuladora da circulação sanguinea e muito boa para o sistema imunológico. Porém, em excesso ela pode agravar úlceras gástricas.
Restaurante de comida viva não sei onde tem mais. Até onde sei, o famoso restaurante do Zé, aqui na Lapa fechou. Passando em frente eu parei e perguntei para o rapaz: - Aí continua funcionando o restaurante de comida viva? E ele respondeu: - Não, senhora! Aqui nós matamos para comer!




Espero que tenha ajudado aos leitores paraquedistas.


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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Milagre azul


Os obstáculos são apenas pequenos pontinhos invisíveis que nos ajudam a chegar até o objetivo final. No fundo, eles nos servem de apoio. É como se um individuo escalasse uma montanha e nela encontrasse uma pequena cavidade que, a principio, poderia comprometer a segurança, mas bem observada serviria como um apoio para os pés – um impulso a mais.

Para alcançar o milagre azul é preciso esvaziar o pensamento, ignorar o barulho exterior, olhar com compaixão para os obstáculos e fechar os olhos. O homem desaprendeu a viver em silêncio e usufruir de sua própria companhia. Às vezes a espiritualidade é um pouco egoísta e exige que fiquemos sozinhos por um tempo, para enfim compartilhar e trocar com os outros.

Não sou a favor de um conhecimento escondido, oculto e que não circula pelas pessoas. As experiências devem ser compartilhadas sempre, mas falta a capacidade de ouvir com atenção e o desapego. Infelizmente as tecnologias fizeram com que nós mesmos nos interrompêssemos a cada três minutos e a concentração tornou-se um dom camuflado.

Queria neste momento viver uma experiência transcendental com todos os meus amigos, aqueles que dividem o dia comigo e vocês que fazem parte da minha vida virtual. Quero que vocês participem do milagre azul. Vamos dar as mãos em roda e girar lentamente até os nossos corpos comecem a voar.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Danças Indianas: Kathak


Originada no norte da Índia, o termo Kathak vêm da palavra em sânscrito Katha, que significa história. O dançarino é um contador de histórias. Passos fortes com os pés e rápidas piruetas caracterizam este estilo de dança clássica indiana. Sem dúvidas, é um dos mais bonitos. As mudras são utilizadas para contar a história e dão leveza e suavidade a dança, apesar dos movimentos mais bruscos com os pés. O dançarino utiliza guizos nos tornozelos, que se chamam Ghunghru e ajudam a marcar o tempo.

O traje feminino mais utilizado no Kathak é um vestido, mas também vi alguns vídeos que as dançarinas usavam o famoso lehenga-choli. Ouvi dizer, mas as fontes não eram tão confiáveis, que o Kathak é uma fusão entre a cultura indiana e muçulmana. No século XV (não sei a data ai certo) mulheres persas foram trazidas para Índia e a dança sofreu essa influência, caracterizando o que atualmente conhecemos como Kathak.

Hoje, a dançarina mais famosa e renomada de Kathak, na Índia, é a Palichandra. No you tube é possível ver alguns vídeos dela. No Brasil temos a Suzane Travassos, que dança belissimamente e parece uma indiana mesmo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Série Bollywood: Bollywood em números

Em números, Bollywood tem mais espectadores que Hollywood. Na Índia o ingresso do cinema chega apenas a R$1. Com certeza, os filmes bollywoodianos são tão vistos pelo valor do bilhete e por retratar a sua cultura (com toques apimentados de ocidente) e os dilemas que o cercam. No Brasil tudo é muito caro, inclusive o cinema, por isso a maioria recorre à pirataria para assistir um filme.

Na Índia, cerca de mil filmes são produzidos anualmente, contra 650 dos EUA. Claro que as obras indianas não tem o mesmo orçamento de um filme hollywoodiano. A segunda obra mais cara de Bollywood foi o filme Devdas, com US$ 13 milhões. Esse filme foi dirigido por Sanjay Leela Bhansali, estrelado pelos queridinhos de Bollywood Shahrukh Khan, Aishwarya Rai e Madhuri Dixit. A primeira obra mais cara foi o Dhoom2, com US$ 20 milhões que usou até mesmo o Rio de Janeiro como set de gravação.

O cinema, sem dúvidas, ajudou a Índia a criar uma identidade cultural. A miscelânea de línguas, religiões e costumes contribuiu para o desenvolvimento das artes e conseguiu atrair não só a população indiana, mais também os seus vizinhos. O Paquistão é o segundo país a exportar cinema indiano, graças ao grande número de imigrantes. Agora, o resto do mundo começa a olhar com mais curiosidade para as produções de Bollywood. É uma pena que tão pouco seja trazido para o Brasil, mas acredito que em pouco tempo os cenários das locadoras serão outros.

Fonte: Revista Superinteressante

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Série Bollywood: Tere Bin Laden



Deu no Jornal O Globo e estreou ontem na Índia.
Uma comédia com um falso Osama bin Laden como protagonista estreia nesta sexta-feira na Índia, apesar de a produtora do longa metragem ter sido ameaçada através de uma carta anônima. A nova produção de Bollywood, como é conhecido o cinema em Bombaim, conta a história de um criador de galinhas que simula ser o terrorista mais buscado no mundo devido à semelhança física.
O filme foi proibido no Paquistão, onde a história acontece. O comitê de censura paquistanês decidiu na última terça-feira vetar a estreia por temor de ataques terroristas. O longa chegará aos países com grande número de imigrantes indianos, como o Reino Unido e a Austrália, mas neste momento não chegará aos Estados Unidos - os executivos vão analisar a resposta do público nesses países.
"Tere Bin Laden" (Sem você, Bin Laden), protagonizado por Alí Zafar, um famoso cantor paquistanês, trata de um jornalista que tenta vender uma entrevista exclusiva com o falso Bin Laden para poder viver nos EUA, após várias tentativas fracassadas de conseguir um visto. A história se complica quando a Casa Branca envia um agente secreto para seguir os seus passos.
- Não é uma biografia, e sim uma sátira - afirmou o diretor, Abhishek Sharma, que explica que queria "mostrar o mundo após o 11 de setembro, mas pela perspectiva das pessoas normais", utilizando um símbolo do terror.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Contos de fada indianos

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Com o tempo que sobra tenho vontade de dormir, infelizmente. Queria aproveitar as férias para ler, passear, dançar, mas de repente um sono profundo chega e não dá tempo nem de pensar. Quando vejo perdi o dia. Talvez isso seja anemia, porque ando dormindo além do normal e enquanto isso os livros vão chegando via sedex sem que eu possa ao menos retirá-los da embalagem de papelão.

Seguindo o conselho da amiga Potira, comprei o livro Contos de fadas indianos, reunidos pelo folclorista australiano, Joseph Jacobs. O livro tem 29 contos, e a maioria tem animais que oferecem todo tipo de ajuda ao seu salvador, muito engraçado. Além de sempre haver um faquir rondando os castelos e os príncipes. Para quem não sabe, faquir é uma palavra persa que significa pobre, mas seu uso se estendeu também aos ascetas hinduístas.

A literatura tem uma vantagem maravilhosa, a de podermos imaginar e criar formas a partir das palavras. Os contos têm cenários belíssimos, florestas densas, lindos castelos de arquitetura oriental e lagos cristalinos. Os dramas, como em qualquer parte do mundo, são parecidos: princesas em busca dos seus amores, príncipes que desafiam os muros do castelo, homens oportunistas, bruxas cruéis, etc.

Ainda não terminei o livro devido aos problemas relatados acima, porém os contos que mais gostei foram: O tigre, o Bhraman e o chacal; O filho das sete rainhas e a Magnífica Laili.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Quem foi Arthur Cravan?


Fui num festival de Filme Catalão e tive a imensa oportunidade de ver um documentário sobre uma pessoa que eu nunca tinha ouvido falar: Arthur Cravan. Poeta, lutador de boxe, extravagante e muitas qualidades díspares que você não acreditaria existir em uma única pessoa. Não é à toa que ele foi um artista dadaísta.

Sua história é um pouco maluca e eu adoro esses fatos sem sentido. O primeiro que me soa demais apelativo é um lutador de boxe e poeta! O último dom que eu esperaria encontrar num boxeador é a poesia. Até porque as poucas pessoas que eu conheço que lutam boxe (pode ser uma coincidência) são muito esquisitas para não dizer algo mais preconceituoso. Acho que essas discrepâncias mais distraem do que atraem. Enfim, ele costumava dizer que era campeão nacional, mas na verdade ele era campeão estadual. Além do mais costuma fugir das lutas. Quando percebia que o oponente era mais forte, se escondia em algum bar e enchia a cara de álcool.

Além de lutador de boxe, Cravan era anarquista, acredite! Sobrinho de Oscar Wilde (pelo menos ele dizia). Só que desapareceu no Golfo do México em 1918. Ele estava indo com a mulher e a filha para a Argentina em busca de uma vida melhor, pois estavam passando fome e sozinhos. Então ele comprou um barquinho. Os dois foram de trem e Cravan de barco. Só que Cravan nunca chegou e ninguém sabe o que, de fato, aconteceu. Algumas pessoas afirmam ter o visto em Paris. Ou seja, uma história cheia de mistérios e incertezas. Numa entrevista, sua mulher, Mary Lloyd foi perguntada por um jornalista qual foi o melhor dia de sua vida, e ela respondeu: - Todos os que eu estive ao lado de Cravan. Aproveitando a deixa, o jornalista perguntou quais foram os piores momentos e ela respondeu: - Todo o resto.

Olha só o trecho que eu li na Wikilinque: “Em certa ocasião anunciou que iria se suicidar em público, o qual concentrou um grande número de curiosos aos que, após os acusar de voyeuristas, ofereceu uma conferência excepcionalmente detalhada sobre a entropía”.

Ou seja, Cravan é um ótimo personagem. Comecei uma brincadeira de todo dia inventar uma história absurda para ele. Caso alguém tenha uma nova história: Diga-me!!!!!!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Deepak Chopra - O Buda



Terminei de ler esta semana um livro chamado Buda do médico indiano Deepak Chopra. A narrativa conta a história romanceada do maior líder espiritual de todos os tempos, Sidarta Gautama. Foi muito bom conhecer um pouco sobre a trajetória do Buda. Confesso que algumas vezes ficava um pouco angustiada com os momentos de solidão, tempestades e fome que o mestre passava nas florestas.

Vagar pelo mundo, sem destino determinado não é uma aventura para qualquer um. O mais importante que aprendi nesta leitura são as tentativas que precisamos fazer para transcender essa realidade coberta pelo véu de Maya.

Impossível não perceber que o filósofo alemão Schopenhauer se baseou no budismo para escrever suas obras e conduzir sua vida. Negar os desejos, o tédio da satisfação e o ciclo infinito de quereres têm sua origem bem anterior a descoberta do ocidente.

Enfim, para quem não conhece nada sobre Buda, vale a pena ler o livro.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O deus dos sonhos





Estou tentando forçosamente restabelecer meus laços com a espiritualidade. De alguns anos para cá, talvez dois, me tornei muito cética, muito descrente, muito materialista. (não digo no sentido de consumismo). Confesso que o mundo era muito mais colorido quando infinitos deuses e energias habitavam a minha vida. Tudo era mágico e de tão mágico virou ilusão. Não quero que o estudo me torne uma escrava do funcional e me obrigue a viver tons pastéis. Mas cansei de não acreditar em nada – de dois anos para cá fiquei calada, por não ter nada a dizer, ninguém a convencer. Agora vejo com desconfiança qualquer rastro de certeza e fanatismo. E geralmente os fanáticos é que não tem a humildade de respeitar as crenças alheias e fazer um esforço, mesmo que seja mínimo, para compreender o outro.

Aos poucos, vou tentando buscar as respostas que preciso para manter minha fé, que até agora não sei propriamente em que ela se sustenta. As histórias espirituais me interessam mais no sentindo mítico do que misticamente. As religiões panteístas são as mais bonitas, mas não consigo crer em nada que limite as ações do homem. Não acredito em pecados, em condutas corretas e não permito que alguém, em nome de um deus, me diga a forma que devo me comportar, pensar e vestir. Tenho simpatia por alguns líderes espirituais, mas fico muito desacreditada quando vejo multidões se estapeando por eles. O grande problema das religiões é que elas impõem demais e arrancam o que o individuo tem de mais humano. Sejamos homens na terra, com nossos vícios, imperfeições e temperamentos - Porque divinizar uma matéria tão grossa como a nossa seria, no mínimo, desatino.

Ainda não inventaram uma religião nos moldes das coisas que eu acredito, e enquanto isso vou caminhando sozinha mesmo e talvez com meus deuses, energias, cores, estações do ano e toda alegoria que faz parte da minha festa devocional.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O sol da natureza

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O que acontece com a natureza que nunca vi (interrogação) Como um baobá pode existir se eu nunca o toquei (interrogação) Queria concentrar toda a natureza no seu aspecto mais sublime dentro de um instante que me pertencesse na esfera real.
Na minha cidade existe apenas um Jacarandá da Bahia, e eu nunca o toquei. Não senti seu tronco áspero e nem vi sua copa alta. Pude ver muitos animais no zoológico e nos documentários do mundo animal, mas daria tudo para ser um olho invisível na floresta.
O natural parece não me pertencer – falo das belezas, das florestas como algo impossível. Uma linha quase intransponível nos separa, mas eu insisto em ir para o lado de lá. O lado em que me tiraram a força. Em outra vida eu era uma harpia marrom e voar em direção ao sol era o meu papel, meu descanso.
O sol me dá cores. Azul sem o sol não pode ser cor alguma. E o mesmo verde pode ter dezenas, centenas de tonalidades no mesmo dia sob o efeito de sua luz. O planeta seria um acidente sem graça se não houvesse o sol. Hórus!!! Apenas algumas amebas cinzas e desnecessárias.
O sol é como um deus onipresente, como um impulso, criador e criatura de todas as formas e evoluções. Mas o rei, como todos os deuses, também se irrita e nos castiga com quarenta e poucos graus. A terra seca, os grãos morrem, os bois sofrem, minha pele sua. Coloco um pouco de manteiga pura no batente da janela para que o sol beba e amoleça.
Assim, o dia termina – chega a noite sem pressa de terminar e me tira do castigo. Pela janela uma brisa sabor hortelã invade a casa e faz a curva. Durmo em paz.
P.S - Como vocês perceberam estou sem alguns acentos aqui no computador.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Belezas da Índia


Amigos, visitei um blog super gracioso, que se chama Tudo de Om.

Vi umas imagens belissímas e entrei no site do seu autor, que se chama Índia Summer

Visitem o site e depois me digam o que acharam!!!

Uma prévia:



terça-feira, 15 de junho de 2010

Série Bollywood: Saawariya

Todos sabem como é difícil um filme bollywoodiano chegar ás locadores brasileiras. Pouquíssimas obras estão disponíveis em português e só quem arrisca inglês consegue ao menos compreender o filme.
Apesar de Saawariya ter sido lançado em 2007, só dia 12 de Junho de 2010 é que eu assisti ao filme. Tudo bem! Até hoje não vi “O Vento levou”. Um romance cheio de dancinhas e sem um final feliz, típico das histórias indianas. O que mais me impressionou foram os cenários, as cores e a fotografia do filme.

Não poderia deixar de falar da beleza de Rani Mukherjee (Gulabji), que desperdiçadamente é a coadjuvante e faz o papel de uma luxuosa prostituta que se apaixona pelo mocinho, nem tão bonito assim. Rani é mais conhecida aqui no Brasil pelo clipe que fez da música Main Vari Vari, da Kavita Krishnamurty, que inclusive fez parte da trilha sonora da novela Caminho das Índias. Nunca vi uma atriz indiana que dance tanto quanto ela, nem mesmo a maravilhosa Aishwarya Rai consegue superá-la.

Há algum tempo que eu faço dança indiana, especificamente Bollywood e acabo ouvindo muitas músicas do cinema indiano. Na maioria das vezes, quando não encontro a tradução das letras, acabo sem entender qual era a mensagem, mas pouco me importo com isso. Sempre que olho para o céu e vejo a infinitude e beleza do universo lembro que da mesma forma que acho bonito não entendo nada do que passa por ali.
Algumas vezes é preciso que se sinta. Sempre vamos nos cruzar com coisas que nunca iremos compreender.

Enfim, o post é para falar sobre o filme! É uma gracinha, com danças, trajes belíssimos e uma linda história de amor que nem sempre deve ser vivida.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Maya de Gaarder


Terminei de ler um livro chamado Maya, de Jostein Gaarder, muito esquisito e interessante. Na verdade não sei porque achei tão interessante se não entendi o que aconteceu. Pesquisei algumas coisas na internet, na esperança de encontrar uma análise sobre o livro, mas nada! Nada que pudesse me esclarecer como Ana Maria Maya estava no quadro de Goya e como ela morre e ressuscita com um filho. Quem era aquele Geco?
Quem escreveu aquela história foi o Jonh, o inglês escritor de Best-seller?
Só tornei isso um post na esperança de alguém que tenha lido e possa tirar minhas dúvidas...

domingo, 6 de junho de 2010

Direito ao ócio


Estava na casa de uma amiga e vi um livro chamado “Direito ao Ócio” de um jornalista socialista francês, Paul Lafargue. Não o li, mas muito me interessou o tema, porque nós, trabalhadores, estudantes, donas de casa também deveríamos ter garantido o nosso direito ao ócio. Isso mesmo: não fazer absolutamente nada se quiser; Liberdade para escolher qualquer ação, mesmo que signifique também não-ação.

Eu, particularmente, prefiro o ócio criativo. Fazer nada pirando, criando alguma coisa, mesmo que não tenha nenhuma utilidade ou finalidade prática. Mas as pessoas de um modo geral não se permitem mais “fazer nada”, porque o tempo corre depressa e a agenda está cheia. Esta é a característica do homem moderno ou contemporâneo, que privilegia o trabalho e os compromissos em detrimento de saborear sua existência. Não acho que deveríamos parar de trabalhar e ficar coçando dentro de casa, mas acho imprescindível que as pessoas retomem alguns esquecidos valores. A professora da USP, Scarlet Marton disse:“A atual compulsão por trabalho criou pessoas sem consciência da própria existência. E isso não é saudável, nem no ambiente corporativo, nem no lar, de maneira geral. Isso atrapalha o trabalho em si”.

O que vejo é uma massa cada vez mais alienada, e não digo “massa” no sentindo de uma maioria pobre, marginalizada. Digo das pessoas que têm todas as condições de ser esclarecidas, mas ficam tão preocupadas com questões tão inconsistentes como beleza, dinheiro e trabalho, que acabam atrofiando seu cérebro com bobagens do mundo moderno. Não preciso nem citar exemplos, é muito óbvio.

Privilegia-se a informação em detrimento do conhecimento, a beleza em detrimento da saúde e assim vai. Desperdiçam vidas, anos de vida, com bobagens tão efêmeras quanto sua própria passagem na Terra. Pessoas que vão sair do planeta da mesma forma que entraram e não deixarão nada de valoroso para a posteridade.

DESLIGUE O COMPUTADOR E VAI LER UM LIVRO!!!!!!!!!

sábado, 29 de maio de 2010

Aluga-se um marido indiano


Acompanho um blog muito interessante sobre a Índia, chamado
Indiagestão, alguns de vocês até devem conhecer, tem uns post super bacanas sobre os costumes. Mas hoje tirei o dia para visitar outros blogs e fui no Índiagestão. Me surpreendi com uma postagem em que ela oferece um amigo indiano que gostaria de casar com uma brasileira. Mas ele é um pouquinho exigente (rs): quer conhecer uma moca bem educada, estudada (com nivel superior completo) e que fale inglês. Moças podem mandar o currículo com foto para o e-mail indiagestao@yahoo.com.

Eu, se fosse ele, completaria: que saiba resolver questões aritméticas, saiba cozinhar, higiênica e que fale aramaico e hindi. Longe de mim disseminar a discórdia, mas a que ponto chegamos!
Será que precisamos pagar um dote para este marido::: (interrogação)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Instante Abstrato e não estéril

Magritte

Comecei a ler um livro chamado “Filosofia e Ciência do Tempo”, do Bernard Piettre, que esboça as diversas e infinitas teorias sobre a existência do tempo a partir da ótica de filósofos e cientistas. Como tudo na vida tem um começo, exceto o tempo, no primeiro capitulo do livro está assim: “Não, o instante é uma abstração. Exatamente como o ponto de uma linha. Podemos dividir o tempo em tantos instantes e uma linha em tantos pontos quanto quisermos: o instante, como o ponto ou a linha têm uma existência matemática, mas não real”.

Eu, que sempre tentei capturar o instante e tentar respirá-lo com força para aprisioná-lo dentro de mim... Fiquei assustada e feliz ao mesmo tempo. Talvez tudo seja mentira; talvez não exista real ou imaginário – ou tudo é a mesma coisa. O tempo é engraçado porque sabemos o que é, mas não conseguimos explicá-lo para o outro. Apenas sentimos quando ele passa quando é semana que vem e nos deparamos como a vida é rápida. Ontem eu tinha 15 anos. Ontem eu caí do berço. Assim como o instante não existe, é algo abstrato, o tempo também deve ser apenas uma referência criada pelo homem para se situar no espaço em que vive.

Então, se o tempo não existe hoje vou lá no ontem dormir mais um pouquinho....
E quando acordar vou daqui há dez anos ver os efeitos da vacina H1N1. Vou passear nas esferas mais contemplativas do tempo – vou andando bem devagar.

Diário da Índia


Há alguns anos atrás conheci um amigo na internet, seu nome é Bruno Radesca, um artista e a pessoa mais iluminada que eu conheci. A sensação é que nos conhecemos pessoalmente, tamanho o carinho que sinto por este amigo. Bruno está na Índia e manda aleatoriamente seu diário de viagem, contando sobre as cidades que passou, os lugares que visitou, as pessoas que conheceu e etc. Fico aguardando ansiosamente cada e-mail dele, que vem recheado de fotos lindas que cheira sândalo.

Os seus relatos são muito simples, mas muito profundos. Fico imaginando se pudesse estar na Índia e meditando dentro da gruta. Ele me mandou algumas fotografias, todas belíssimas! Passei muito tempo olhando para esta que está ilustrando o post e tentei imaginar a sensação do sol com neve; tentei imaginar a temperatura do vento que corria a cidade.

Gostaria de compartilhar aqui o diário do Bruno, mas não posso... Seria falta de privacidade...Enfim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Tela vazia


Se eu fosse pintora e tivesse que escolher uma única escola, seria impressionista. Colocaria meu banco de madeira no jardim e ficaria observando os efeitos da luz do sol nos objetos. Minhas formas seriam apenas uma impressão, uma sugestão do que poderia ser tal coisa. Escolheria o roxo, lilás e amarelo.
Mas deve ser muito chato ter que escolher uma única forma de pintar, e exatamente por isso que atualmente não existem correntes da arte. Acabou o expressionismo, o neorealismo, o rococó, o surrealismo. A pintura contemporânea não se sujeita a uma tendência. Talvez por isso seja tão difícil compreender a pintura moderna e aceitá-la como uma expressão de artística.
Uma vez fui numa exposição no Centro Cultural do Banco do Brasil e no salão principal havia uma tela em branco, sem um único borrão de tinta e o nome da obra era: “O vácuo”. Não agüentei e comecei a rir da minha ignorância e da preguiça do artista. Se eu soubesse pintar jamais me daria ao luxo de desperdiçar uma grande tela – usaria todas as cores possíveis de uma aquarela e abusaria de todas as formas geométricas. Duchamp e ready made em 1913, obviamente, era um máximo porque quebrava paradigmas da arte. Mas em pleno século XXI, um artista dono de uma tela em branco é no mínimo redundante.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Instante estéril


Duros momentos - A vida aqui parece algo estéril, geométrico e cheia de sentidos práticos. Na hora que entro dentro desta sala todas minhas abstrações e conflitos se dissipam e fogem de mim como um gato corre da água.
Gostaria de perguntá-lo: qual é a cor da última flor que você viu (interrogação).
Aqui todos os seres elementares e mágicos desaparecem e as questões míticas e místicas se tornam ridículas pelo seu caráter abstrato.
Poucas horas atrás Rama me pediu ajuda para resgatar Sita, mas não pude acompanhá-lo para cumprir este dever moral que parece sugar uma boa parte da minha vida. Sinto minha orelha quente: Rama e Hanuman conspiram contra mim agora! Não posso falar sobre o Ramayana, nem sobre o impressionismo, muito menos comentar sobre o portal 11:11 que me atormenta todas as manhãs. Tudo que martela meus pensamentos precisam fugir neste instante, para que eu pura possa me concentrar neste dever.
Peço aos barões: - Dai-me a carta de alforria! Liberte meu corpo para que meu espírito possa voar pelos planetas e cumprir sua sua missão. Na era de aquário vou me alinhar as estrelas.
Penso com imagen e cheiros fortes - sinto agora a assa-fétida tomando o ambiente. Vejo a terra subir. Sinto cheiro de fumo de rolo. Vejo a água evaporar violentamente. Ahh... minha era de aquário!

O selo de presente




Não entendo muito como funciona esses selos, mas fiquei lisonjeada por ganhar um!
Bia Carvalho, do blog Sobre músicas e Flores (http://sobremusicaseflores.blogspot.com/) foi quem me deu este lindo selo.
Existe uma regrinha, que copiei do blog dela para ficar mais fácil:

- Tenho que postá-lo em meu blog;
- Dizer 2 coisas que me fazem sorrir;
- Dizer 1 coisa que me faz sorrir sobre o blog do qual recebi o selo;
- Indicar o selo para 5 a 20 blogs e avisá-los.

Duas coisas que me fazem sorrir: Dormir com barulho de chuva e quando meus gatos fazem gracinhas.

Uma coisa que me fez sorrir sobre o blog que recebi o selo: A simplicidade como a Bia escreve e como ela consegue ser profunda nos seus contos.
Aqui vai a penúltima postagem da Bia: Flávio as vezes ouvia vozes. Ana falava demais.
Um dia Flávio viu Ana conversando com amigos, e a voz dela não saiu de sua cabeça nunca mais.

Vou escolher cinco blogs para dar este selo: