terça-feira, 27 de abril de 2010

Karma-Cola ou Gita Mehta ou Ocidentais desesperados


Não devo mais temer a represália das pessoas quando ler minha opinião sobre as coisas me cercam, decidi assumir minha postura um tanto intolerante e descrente. Seria tudo mais fácil se eu continuasse acreditando no azul dos deuses e nas energias que o universo emana, mas algumas horas não consigo acreditar em nada e em outras coloco minhas pedras para energizar, sento e passo algumas horas meditando, tentando alcançar o vazio. Os indianos criaram o zero porque nós, ocidentais, não conseguimos compreender o vazio – aprendi isso no livro Carma-Cola da Gita Mehta.

E por falar em Carma-Cola, resolvi comprar o livro porque via em mim um forte potencial de ser uma ocidental desesperada por turismo espiritual e atraída pelo fundo exótico da índia. Li diversos relatos de ocidentais iludidos, confundindo yoga com ginástica (o que realmente me incomoda) as mensagens, até o ponto de não conseguir distinguir a realidade e marginalizar na loucura e falta de bom senso.

Terminei o livro em quatro dias e consegui perceber que, definitivamente, eu não faço parte desta parcela desesperada e ávida por qualquer manifestação divina. Minha curiosidade é, acima de tudo, antropológica. Mas o que não falta no meu repertório de lembranças são amigos e amigas, que desenvolveram em um curto espaço de tempo, uma paixão desenfreada pela Índia e fica adquirindo todas as suas pérolas como meros produtos comercializáveis e aceitam qualquer tipo de informação como verídica. Depois da novela, principalmente, vários amigos meus agora são Ph.D em Índia, quase indólogos. Discutem com uma propriedade que me impressiona. Resta-me o silêncio, que é mais apropriado para esses momentos, pois as pessoas não buscam aprender e ouvir, mas sim falar sem critério algum.
Crédito da foto- Pandyan

Apenas o fim...da sessão!


No feriado, como de costume, fiquei assistindo alguns filmes com meu companheiro e insisti que gostaria de ver o filme “Apenas o fim” do diretor -----------.

Acho que nunca vi um filme tão chato e inexpressivo. Os diálogos são tão patéticos, tão infantis que acabei desistindo de ver o filme todo, acho que interrompi a sessão antes do meio. Sem contar a atuação dos atores, que é péssima! A estética do filme é puczinha, com meninos barbudinhos e com óculos do avô e que se consideram grandes intelectuais do absurdo. Nada de atrativo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

O mundo de Théo


Alguns livros, em especial os romances, nos fazem viajar por grandes caminhos e o melhor de tudo é que não precisamos pagar nada!!! Paguei vinte reais na semana passada e conheci Jerusalém, Egito, Roma e um pedaço da Índia, mais especificamente, Benares (Varanasi).

Há três anos estava voltando para casa de metrô e vi uma mulher muito concentrada lendo um livro relativamente grosso. Como sempre, fiquei curiosa e não consegui ler o título do livro, então fui até ela que me respondeu secamente: - A viagem de Theo. Fiquei curiosa e vi o preço do livro na Saraiva – para o meu quase espanto: R$80!!!! Os anos passaram e esqueci-me do livro, daquele dia e tudo mais.

Dia 1º de Abril fui ao centro de Nova Iguaçu e fui surpreendida por um super sebo – diversas barraquinhas vendendo livros a preços populares e eis que vi A viagem de Theo na última barraca!!! O melhor: por R$ 20!!!!
Não costumo ler romances simplesmente porque não tenho muito saco para personagens melosos, mas tive que dar uma chance a Catherine Clément. A viagem de Theo conta a história de um rapazinho que conhece o mundo através das religiões. Theo visita templos em Jerusalém, Darjeeling e até mesmo na Bahia! Mas não cheguei nessa parte ainda.

A minha sensação é que estou viajando com o pequeno Theo... Pesquiso os templos, sinagogas e igrejas que ele conheceu e fico feliz da vida! Parece mesmo que estou passando por todos esses países. Esse é o poder da leitura, podemos ir embora com os personagens quando nos envolvemos com a história. Conheci religiões que nunca tinha ouvido falar, por exemplo: O babismo, do líder Bab, que nasceu no Irã e migrou para o Tibet e pregava a igualdade entre os sexos, algo inadmissível para o islã. Descobri que o nome da alimentação de ouro e prata é denominado oligoelementos e que nos países orientais isso é muito comum. Vi que a Tia Marthe não gosta muito dos hare krishna, acha que são ocidentais fantasiando sua alma, o que ela chama de Karma-cola. Indianos, como bons comerciantes que sempre foram, oferecem pacotes especiais de meditação e outros atrativos para ocidentais cansados, e assim ganham dinheiro. Que inclusive até riem dessas pessoas que acham que se tornaram hindus. Felizmente ou infelizmente para ser hindu é preciso que nasça e nada vai mudar isso. Decidi que agora vou começar a estudar marketing oriental, por hobbie.

Enfim, o livro trata da modificação do antigo bramanismo para o hinduísmo, conta a história dos judeus, muçulmanos e outras religiões que ainda não cheguei muito perto. Pretendo desenvolver depois, com mais calma, algumas coisas que estou estudando como os Bodhisattvas, pirâmide das varnas, etc...

Agradeço a minha mãe por ter me incentivado a ler mesmo quando eu não sabia! Acho que a atividade mais nobre que eu tenho é a leitura mesmo, e não existe nada que supere a sensação de terminar um livro – Dever cumprido! É uma pena que a maioria das pessoas ainda não consegue identificar na leitura um potencial de aprimoramento.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O silêncio



O silêncio é uma coisa simples que rende muito barulho. Acho que poucas pessoas conseguem apreender o seu valor e consegue aplicá-lo no dia-a-dia. Com o bendito silêncio aprendi que nem tudo deve ser dito e que as pessoas não estão preparadas para sentir o silêncio, sua presença é sinônimo de solidão e tristeza.
Os melhores momentos são mudos e as palavras geralmente se mostram falhas para descrever algumas coisas: SILÊNCIO!
Não existe hora mais feliz e alegre do que a hora do almoço e a hora do silêncio. Comemoro sozinha a minha liberdade de pensar o que quiser e poder gritar dentro da minha cabeça os meus pensamentos mais desestruturados. Em silêncio sou muitas vozes e consigo escutar sons inaudíveis e imateriais: som transcendental. Se for para ser barulho que seja apenas o da chuva – há uma sintonia rítmica no cair da água.
Algumas pessoas podem não acreditar, mas prefiro o mundo mudo, o silêncio absoluto.
Só funciono assim. Poucas pessoas, poucas vozes e pequenos insetos.
A mulher muda o mundo no ovo cósmico: Dá a luz ao silêncio, filho da tempestade – um contraste que só a mulher poderia conceber. No ventre uma mandala contemporânea, porque afinal de contas, o mundo não-mudo muda e nada fica no mesmo lugar. Exceto o silêncio – uma criança obediente que fica sentada no canto da sala de qualquer casa no centro do mundo.
Aos 19 anos eu pari o silêncio.