sexta-feira, 29 de outubro de 2010

As extremidades do pensamento


O livro ponto de mutação, de Fritjof Capra, me fez refletir sobre diversos conceitos e estados de consciência que abrangem nossa sociedade. A sensação que tive quando terminei a última página foi de ter despertado de um sono muito pesado. Obviamente que eu gostaria que as pessoas que eu amo fossem tocadas da forma que eu fui, mas certamente cada um tem o seu tempo para despertar, e o mais importante: de formas distintas.

As condutas radicais, que ainda infestam os seres humanos, estão em decadência. Pois todo radicalismo tende a dissipar-se pelo grande peso que carrega nas extremidades. Vejo o equilíbrio como a única conduta que se mantém estável ao longo dos anos.

Pessoas muito radicais não conseguem sustentar por muito tempo os hábitos que acreditam. E além de tudo, tem uma forte propensão a ser intolerante com as diferenças. Alimentar tantas convicções é cansativo e desgastante. A vida me trouxe uma pessoa desequilibrada para me ensinar o valor do equilíbrio e a sua importância para o convívio social.

O desenvolvimento, seja ele na esfera espiritual, social e ambiental só é conquistado através do equilíbrio entre as forças dominantes. A transformação só acontece quando o individuo está em sintonia com todos os âmbitos da vida humana, o que exige grande esforço e concentração. As mudanças não são fáceis, mas são inerentes aos seres humanos. O equilíbrio é um exercício que deve ser praticado por toda a vida.

Moral da história – Ninguém agüenta uma pessoa que fica a todo tempo tentando convencer os outros de que seu modo de vida é o melhor. A tendência é nos afastarmos de pessoas assim. Alguém que não seja capaz de ouvir e mudar opinião está coberto pelo véu da ignorância.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Danças folclóricas do Rajastão

Postei esse vídeo que mostra a dança folclórica do Rajastão, terra dos Marajás. Aprecio muito as fusões culturais e as suas influências, acho que toda manifestação artística é enriquecida. Claro que as danças típicas que não sofreram nenhum tipo de influência também são belas, mas acho as adaptações incríveis e inerentes aos seres humanos.

As danças típicas do Rajastão são bastante fluidas, diferente da perfeita geometria do Bharatanatyan, Odissi, etc. Podemos encontrar no deserto de Thar, a Kalbelia que é uma dança folclórica da região, de origem cigana e que imita os movimentos sinuosos das cobras. Lindo demais. Sem contar os figurinos que são bastante coloridos.

Gipsy é outra dança típica do Rajastão, que é mais ritualística e usa o corpo para despertar os elementos da natureza. Para que vocês possam ouvir e sentir um pouco dessa cultura rica e maravilhosa, segue o link para baixar o CD do Kohinoor Langa Group.


video

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O homem e a natureza


A noção de relação com a natureza que o homem tem atualmente é de subordinação e dominação. Para se chegar a este patamar foi preciso retirar o aspecto “sagrado” que habitava a natureza. De mãe nutridora e morada dos deuses ela se tornou, com o advento do cientificismo e da corrida industrial, uma máquina cuja obrigação é servir aos propósitos do homem. O universo natural como cenário de cooperação passou a ser visto pela competitividade – e esse conceito levamos para a nossa vida. Competimos no trabalho, com a família, enquanto poderíamos cooperar para o bom funcionamento das coisas. Há algum tempo que essa questão vem martelando na minha cabeça, principalmente após a leitura de Joseph Campbell e Fritjjot Capra. Mesmo o pensamento cientificista ter caído em desuso e a natureza não ser vista hoje meramente como uma máquina, nossa relação com ela é pautada pelo medo.
Todas as ações de proteção ao meio ambiente são realizadas com o objetivo, não de proteger a natureza, mas de preservar a espécie humana das furiosas tragédias naturais. Na verdade, a maioria das pessoas tem medo da natureza e quando a protege faz por instinto de sobrevivência. Não conseguem captar a essência primeira do equilíbrio ecológico e muito menos compreendem a importância do ambiente na continuidade da vida. Sustentabilidade, meio ambiente, ecologia viraram jargões da moda e ditam a tendência que vem por ai. Estamos cansados de ver pessoas públicas contando pequenas atitudes que fazem pelo meio ambiente. Não usam sacolas plásticas, mas são extremamente consumistas, compram além da necessidade.
Através dessas leituras pude compreender o papel da natureza como um organismo vivo, onde cada SER faz parte dessa grande rede. Não se protege o ambiente quando se prioriza a subordinação das necessidades individuais em prol da comunidade. Problemas como corrupção, fome, desmatamento não serão resolvidos com soluções bairristas, tudo isso faz parte do grande complexo existencial do homem. Todas as mazelas sociais são frutos de uma só crise. Para mudar esse cenário é preciso que o homem transforme sua forma de pensar, pois só assim essa mudança irá refletir nas ações. O bem irradia.
Foto: Mazé Mixo