quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O homem e a natureza


A noção de relação com a natureza que o homem tem atualmente é de subordinação e dominação. Para se chegar a este patamar foi preciso retirar o aspecto “sagrado” que habitava a natureza. De mãe nutridora e morada dos deuses ela se tornou, com o advento do cientificismo e da corrida industrial, uma máquina cuja obrigação é servir aos propósitos do homem. O universo natural como cenário de cooperação passou a ser visto pela competitividade – e esse conceito levamos para a nossa vida. Competimos no trabalho, com a família, enquanto poderíamos cooperar para o bom funcionamento das coisas. Há algum tempo que essa questão vem martelando na minha cabeça, principalmente após a leitura de Joseph Campbell e Fritjjot Capra. Mesmo o pensamento cientificista ter caído em desuso e a natureza não ser vista hoje meramente como uma máquina, nossa relação com ela é pautada pelo medo.
Todas as ações de proteção ao meio ambiente são realizadas com o objetivo, não de proteger a natureza, mas de preservar a espécie humana das furiosas tragédias naturais. Na verdade, a maioria das pessoas tem medo da natureza e quando a protege faz por instinto de sobrevivência. Não conseguem captar a essência primeira do equilíbrio ecológico e muito menos compreendem a importância do ambiente na continuidade da vida. Sustentabilidade, meio ambiente, ecologia viraram jargões da moda e ditam a tendência que vem por ai. Estamos cansados de ver pessoas públicas contando pequenas atitudes que fazem pelo meio ambiente. Não usam sacolas plásticas, mas são extremamente consumistas, compram além da necessidade.
Através dessas leituras pude compreender o papel da natureza como um organismo vivo, onde cada SER faz parte dessa grande rede. Não se protege o ambiente quando se prioriza a subordinação das necessidades individuais em prol da comunidade. Problemas como corrupção, fome, desmatamento não serão resolvidos com soluções bairristas, tudo isso faz parte do grande complexo existencial do homem. Todas as mazelas sociais são frutos de uma só crise. Para mudar esse cenário é preciso que o homem transforme sua forma de pensar, pois só assim essa mudança irá refletir nas ações. O bem irradia.
Foto: Mazé Mixo

5 comentários:

Yasmin Thayná disse...

ótimo texto. ótima linha de raciocínio. E eu acho que é isso mesmo: um aproveitamento para se promover daquilo que é sério. O que faz bem para nós, é tratado de uma forma muito "pesada" e com isso só é possível observar uma postura hipócrita.

patricia disse...

adoro pasar por tu casa, estoy completamente de acuerdo con tus palabras, excelente!
un abrazo fuerte, amiga!

disse...

Perfeito! Como acredito de verdade nisso! Mudanças de pensamentos, de atitudes podem fazer a diferença nas nossas escolhas e com certeza nessa mudança de cenário. Mas precisamos iniciar. Bjosss

hannysaraiva disse...

Essa aí é a Mayana? hehehehe

Qual do Campbell vc leu? Eu li Jornada do Herói. Gostei bastante.

Ah, mudamos. Atualiza aí

www.hannysaraiva.wordpress.com

Beijo

Zaray disse...

Gosto desta idéia de pensar a natureza pelo sagrado. Gostei muito do seu texto! Cada dia está escrevendo melhor querida! Parabéns!