segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Especialistas e Generalistas


Especialistas se debruçam numa pequena parte do todo enquanto generalistas olham o todo para compreender as partes. As diferenças entre o modo de pensar são bastante pontuais. Não há melhor e pior, ambas as visões contribuem para o avanço social, apesar de a completude acompanhar as visões generalistas.  Não sei se o termo apropriado deve ser esse, mas foi o único que veio a minha cabeça.

A especialidade é uma característica de nós, ocidentais, que temos a forçosa mania de fragmentar toda a realidade e reduzir o comportamento humano a um cartesianismo maluco sem fim. Dividimos nosso ser para cada papel social, somos mãe, trabalhadora, estudante, esposa, filha, etc. E nos comportamos distintamente como manda a etiqueta social do ambiente. No oriente, antes de ser todos esses papéis, você é – simplesmente. O compromisso do SER está ligado a todas as esferas da vida, como numa rede – um voto de coerência.

É uma tendência de todas as nossas instituições abreviar a grande multiplicidade da vida em pequenos conceitos inquebrantáveis. Um exemplo disso são as academias que obrigam os alunos a recortarem tanto o objeto de estudo que ele se torna um pequeno cílio frente à complexidade do corpo humano. Muitas vezes algumas realidades importantíssimas devem ser ignoradas em prol desse recorte. A interdisciplinaridade é fundamental para o enriquecimento da sociedade e da academia. E diga-se de passagem, a especialização excessiva limita nosso campo de atuação e não permite que usemos os nossos múltiplos talentos.

Outro fator fundamental, que eu nunca tinha percebido, é que especialistas analisam enquanto generalistas sintetizam. Os grandes textos que tenho lido ultimamente só me falam de síntese e jamais análise, justamente por remeter a essa visão cartesiana e fragmentada. Infelizmente, esse “olhar” está enraizado no nosso hábito de pensar, e para se livrar disso é preciso vigiar diariamente e olhar para as questões de forma holística para compreender a grandeza desse todo. Acho que é um exercício para a vida toda.

Na renascença italiana ser generalista era um supremo ideal do ser humano, vide Leonardo da Vinci que exerceu múltiplas tarefas aproveitando todos os seus talentos, como pintor, estudioso da anatomia, etc.

Especialistas serão sempre especialistas, enquanto generalistas podem ser sábios. "Se quiserem, os homens podem fazer todas as coisas", disse Leon Battista Alberti. 

P.S- Tentei escrever isso para minha mãe, que muitas vezes me pediu que eu refletisse sobre isso!

3 comentários:

Hanny Saraiva disse...

"No oriente, antes de ser todos esses papéis, você é – simplesmente. O compromisso do SER está ligado a todas as esferas da vida, como numa rede – um voto de coerência."

Perfeito. Mas ainda acho que somos como o verbo to be em inglês ESTAMOS/ESTOU em estados de espírito/consciência.

=0

Camilla Conrado disse...

Engraçado isso...
Sem querer mesmo vamos reproduzindo esses comportamentos. Daqui pra frente vou prestar atenção em ser mais abrangente no pensamento.
Bjzzzz

Estética Central disse...

Hum... certamente sempre pensei como a Hanny disse, somos verbo to be... Gostei do seu post, amiga...