sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A síntese da alma (1)

Estava procurando uma fresta dentro do próprio imaginário para conhecer a alma humana. Ela deve estar escondida em algum lugar desértico de clima seco. De repente, quando eu fechava os olhos sentia o meu corpo limpo, cheio de uma energia flutuante e uma cor laranja que atravessava a alma.

Quanto mais se busca compreender a essência última das coisas, menos se alcança a resposta – porque as respostas são feitas de éter, e elas escapam das mãos com muita facilidade. Quando você pensa ter encontrado a verdade inalterada, de repente os dias passam e ela continua seguindo o seu fluxo e foge da sua compreensão.
Assim vou oscilando numa busca para toda a vida. Ora desvendando alguns mistérios, ora deixando tudo que conquistei escapar. Ontem senti a ausência das formas sobrenaturais e da perplexidade dos cosmos diante da minha pretensão.

4 comentários:

DaniNeves disse...

Obrigada por deixar um pouquinho de vc no meu blog... e me trazer até o seu blog!
Inspirador.
Beijocas

Raminagrobis disse...

Mas se a "essência íntima das coisas" é a impermanência, deixando escapar e sentindo a ausência você talvez já tenha compreendido o que há para compreender a esse respeito.
E como dizia Caeiro, "Há metafísica bastante em não pensar em nada".

Flor Baez disse...

Não pensar em nada é a maior metafísica que pode existir nesse universo!

Alexandra Deitos disse...

Linda, obrigada pelas palavras lindas! :)


"Quanto mais se busca compreender a essência última das coisas, menos se alcança a resposta – porque as respostas são feitas de éter, e elas escapam das mãos com muita facilidade."

Isso é maravilhoso!!!