segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sobre o desabrochar da flor



As mudanças são sempre apressadas, de repente a necessidade surge e o tempo fica escasso, é sempre urgente, sempre para ontem. Eu, que vivi toda uma vida em apartamento, agora fico deslumbrada e animada em começar uma vida nova numa casa, com quintal, árvores, bichos e todo espaço que só uma velha e nostálgica casa pode trazer. As mudanças trazem novas perspectivas, novos planos e tudo parece ao alcance, porque o ânimo de fazer as coisas acontecerem é incomensurável.
Mesmo com os desgastes emocionais e a cobrança de sair de casa e começar uma história nova, mesmo com um joelho parcialmente deficiente e limitador, meu coração e intuição mostram que a decisão foi sábia, frente às oportunidades e novidades que tudo isso está me oferecendo. 

Os tempos modernos fez que toda a complexidade da vida se tornasse nano (tipo nanotecnologia). Apartamentos compactos com espaços embutidos, pequenos objetos,  pequenos animais domésticos, repetitivos e mecânicos modos de vida e sonhos padronizados.  De repente me vejo num sonho, fora de todo o contexto da capital: uma vista para a mata atlântica, um jardim de inverno como nos velhos tempos, uma cozinha grande típica de Brasil colonial esquecido e a oportunidade de vivenciar uma vida completa, uma realidade que só os filmes antigos mostram e com muito quintal e galinhas ciscando livremente.
Foi-se o tempo em que meus sonhos estavam voltados para habitar às grandes capitais, na correria dos transportes, das multidões, da pressa, da vida mecânica. Hoje idealizo para mim uma vida tranqüila, com um trabalho que complete a alma, com um ar puro, com pessoas simples e ensinando tudo aquilo que aprendi com muito esforço.

De nada me adiantaria ser mais uma neurótica, alienada e ambicionando riquezas distantes, irreais que não preenchem o espírito. Minha bem- aventurança está estacionada na área acadêmica, dentro das universidades, priorizando a aprendizagem e um futuro melhor para os seres humanos. Tudo pode parecer muito utópico, muito longe da nossa “realidade”. Mas tenho certeza que não vim novamente nesta Terra para cometer antigos erros. Precisamos acreditar nas coisas que nos propormos a fazer para que elas se tornem reais, pois a nossa consciência segue um fluxo cósmico, um fluxo natural, que podemos chamar de muitos nomes: deus, energia, natureza, Jesus, Buda. 

Tudo conspira para a nossa realização.Um joelho em recuperação me ensinou a fazer as coisas com calma, pois tudo tem o seu tempo.  [Não posso deixar de citar aqui o nome do Abilio que me apresentou, por mais ironicamente que isso pode parecer, a beleza de toda essa vida.

7 comentários:

hannysaraiva disse...

"tenho certeza que não vim novamente nesta Terra para cometer antigos erros. Precisamos acreditar nas coisas que nos propormos a fazer para que elas se tornem reais, pois a nossa consciência segue um fluxo cósmico, um fluxo natural, que podemos chamar de muitos nomes: deus, energia, natureza, Jesus, Buda."

Não sei pq, mas meus olhos se encheram de lágrima.

=)

Raminagrobis disse...

Pois floresça, minha cara Flor - e dê frutos.

Zaray disse...

Rá,
Lindo texto! Espero que esta nova etapa seja tão ou mais frutífera que as passadas. Muita luz para vcs!

Alexandra Deitos disse...

Me deixa muito feliz e me dá grandes esperanças quando vejo alguém se encontra assim... Toda beleza que você lhe seja maior!
=)

Loeni Mazzei disse...

Ai amiga, chorei! lindas palavras, me encontrei em quase tudo que dizia, pois assim me sinto... preciso conhecer a casinha de miguel e vc a casinha do fonseca... rsrs. o triste é ficarmos longe...

Mariana Angeli disse...

Sou doida pra sair do meu nano-apartamento e ir pra uma casa... nem que seja uma nano-casa, mas uma casa... Lindo texto!

Flor Baez disse...

Oi amigos! Obrigada pelas manifestações de carinho! Fico muito contente quando os vejo por aqui e dialogando!

Eu desejo essa mesma vida para quem tenha amor no coração! A vida simples é realmente muito mais linda do que podemos imaginar.

Beijos de luz!