segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sidarta, de Herman Hesse


Numa bela noite de inverno, em Miguel Pereira, estava conversando com uma amiga sobre literatura quando ela começou a falar de Hermann Hesse e manifestou o seu interesse em ler o livro Sidarta. Continuamos a conversa e encerramos assistindo a novela das 21h.
De repente, não mais que de repente, chega meu companheiro e estende a mão com um livro e diz: - Flor, pra você!
Adivinhe qual era o livro??? Exatamente! Sidarta, de Hermann Hesse! Que maravilhosa sintonia! Naquele instante senti que era este o momento de iniciar a leitura, e Tarthang Tulko ficou na prateleira para daqui a pouco.

Sidarta fala de um jovem rapaz que desde criança manifestava o profundo interesse pela vida de samana. Abandona o conforto do lar e a família em busca de experiências místicas, quando a vida o leva exatamente para o oposto do que estava procurando: Sidarta se vê no meio de uma vida luxuosa, usufruindo dos prazeres carnais. É como a história que publiquei aqui sobre a dinâmica de maya e o devoto Narada que vai buscar um copo d’água para Visnu e de repente está dançando na melodia de maya.

Mas a história avança muito mais, e consegui me conectar com Sidarta e com o árduo caminho de quem busca a unidade de maneira pueril, olhando para a natureza como quem vê a essência de todas as coisas, o incognoscível que escapa das palavras.

Não vou contar o fim da história para não perder a graça!
#Fica a dica: Sidarta, de Herman Hesse. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A sutil diferença entre Brahma e Brahman



O primeiro olhar que eu tive quando comecei a estudar a Índia foi: - Meu, deus! Quantos deuses!  E se tornou uma missão quase impossível conhecer a história de cada um deles, mas com o tempo que ainda tenho, continuo a busca.
Meu interesse nesta postagem é tirar a dúvida de algumas pessoas que entram no blog buscando uma resposta para a diferença entre Brahma e Brahman. Pois vamos lá! A Índia, apesar de abrigar muitos deuses no seu panteão, é em essência monoteísta. Isto significa que acima de todos os deuses está brahman, que é a partícula incognoscível, imanente, o neutro, o absoluto, uma questão metafísica. Brahman não tem forma e dele provêm todas as energias da natureza, que compõe a nossa experiência empírica e isso implica as dicotomias e contradições que podemos observar. 

Já Brahma, é a personificação da criação divina, sempre representando a fase criativa e espiritual da criação. Brahma foi o primeiro a nascer e com Shiva e Vishnu, compõe a tríade hindu. Brahma utiliza um ganso como seu veículo (Vahana), que “flutua na superfície da água, mas ela não o limita” (Heinrinch Zimmer), simbolizando a essência divina. É retratado com quatro cabeças, pois na Índia o número 4 é associado à totalidade, ao quadrado, a yuga Krta, a mais perfeita de todas as yugas (eras). Algumas imagens mostram Brahma com três cabeças, mas na verdade é apenas um jogo de perspectiva, uma vez que a 4ª cabeça está virada para as costas, logo impossível de avistarmos geometricamente. O norte da Índia costuma retratá-lo com barba branca, para sugerir sua avançada idade e sabedoria. Porém Brahman, não é um deus de grande veneração popular, como Shiva e Vishnu e pouquíssimos santuários são dedicados a ele. É como se Brahma, de certa forma, não participasse do jogo da vida. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aarakshan cria polêmica na Índia


Deu no g1

Nova Délhi, 11 ago (EFE).- Os protagonistas da produção indiana 'Aarakshan', que trata do controvertido tema das castas na Índia, tiveram que receber proteção policial, da mesma forma que as salas onde o filme estreará na sexta-feira, informaram meios de comunicação locais.
A exibição do filme, protagonizada por algumas das maiores estrelas de 'Bollywood', como Amitabh Bachchan e Saif Ali Khan, foi vetada provisoriamente nos estados de Uttar Pradesh e Punjab.

A história de 'Aarakshan' ('Reserva' em hindu) se passa em um colégio cujo diretor deve enfrentar o espinhoso assunto das reservas de postos nos serviços públicos que a Constituição indiana estabelece para algumas castas desfavorecidas.
Os diálogos e o argumento do filme provocaram a ira do Partido Republicano da Índia (RPI), formação próxima aos chamados 'intocáveis', e fizeram com que os dois Governos regionais a proibissem por medo de distúrbios entre comunidades.
O filme recebeu o sinal verde do comitê de censura que revisa todas as obras cinematográficas do país, mas o diretor de 'Aarakshan', Prakash Jha, reconheceu nesta quinta-feira que está disposto a realizar algumas mudanças para evitar polêmica.


Não é comum que 'Bollywood' aborde temáticas sociais ou políticas em seus filmes, mas, desde o início da promoção de 'Aarakshan', seus produtores jogaram a carta da controvérsia que agita o tema das castas na Índia. EFE

VEJA O TRAILER: 



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Recital de Música Indiana em Curitiba

Olá amigos, 
Mais um lindo evento de música indiana: Música para Krishna, desta vez em Curitiba com o querido sitarista Diego Hauptman, Ratnabali Adhikari, na voz e harmônico e Rodrigo Fonseca, na Tabla. O evento será realizado no dia 19 de Agosto, em Curitiba. 


Clique na imagem para as letrinhas ficarem visíveis! 
Namastê,


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O que é comunicação não-violenta?

Por indicação de uma amiga li o livro de Marshall Rosenberg, Comunicação Não-Violenta. E fiquei muito maravilhada com as possibilidades de dialogarmos com clareza e empatia.
A comunicação não-violenta nos ajuda a compreender as nossas necessidades que não estão sendo atendidas e as do outro, estabelecendo assim uma empatia. Ela parte do princípio que todos os conflitos se originam da falta de clareza e esforço para sentir as nossas próprias necessidades e da outra pessoa e nos ajuda a identificar a humanidade inerente em todos os seres humanos.

É uma técnica muito bonita, que se todos tivessem a oportunidade de aprender e colocar em prática, boa parte dos nossos problemas de entendimento seria solucionado. O grande desafio é saber como podemos pedir e mostrar as nossas necessidades sem parecer uma exigência, o que diminui as chances de sermos atendidos. E aceitar com compaixão aquelas que não serão imediatamente supridas apenas porque desejamos.

Os nossos conflitos internos existem porque não sabemos como expressá-los para o outro. Convenhamos, se disséssemos o que nos aflige para quem supostamente está envolvido na nossa rede de tensão, isso certamente seria resolvido numa conversa, por mais que não fosse simples. Ninguém é obrigado a entender e captar as nossas “indiretas”. Para que possamos conseguir aquilo que precisamos é necessário falar com clareza e objetividade e ouvir as necessidades dos outros não apenas com os ouvidos, mas com todo nosso Ser trabalhando.

Agora que já concluí o livro segue o desafio de transformar toda a teoria em prática buscando mais harmonia nos relacionamentos. E, é claro com esperança de fazer em breve o curso!

#Fica a dica: Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Danças Clássicas Indianas: Kathak, por Susane Travassos

Estamos começando aqui no Páprica Doce uma série de entrevistas com professoras de dança indiana clássica, que atuam no Brasil. Para inaugurar, convidei a minha mestra Susane Travassos para compartilhar sua história com a gente! 



Dinâmica e veloz, o Kathak é uma das sete modalidades da dança clássica indiana. Originária do norte da Índia, com a influência dos povos nômades, o Kathak é uma maravilhosa fusão da cultura muçulmana e indiana e pouco conhecida e praticada no Brasil.
Com movimentos fluídos marcados pela rapidez o Kathak enfatiza a velocidade rítmica dos pés com a suavidade das mãos e os famosos giros.  A complexidade dos ritmos faz com que o Kathak seja, em minha opinião, a modalidade mais bela das danças clássicas indianas. 

Susane Travassos iniciou sua formação em Kathak em 1998 na França, com Sharmila Sharma no Centre Mandapa e hoje é dançarina e coreógrafa de Kathak. 





Páprica Doce: Para você é possível inovar dentro da tradição?

Susane Travassos: Sim, é possível. A própria dança indiana clássica tradicional  que se conhece hoje em dia já uma inovação em relação às danças de 2.ooo anos atrás.Como todas as formas artísticas, a dança está vinculada às novas necessidades estéticas das sociedades, e  estas estão cada vez mais permeáveis entre si. Há um grande movimento de inovação no panorama da dança clássica indiana atualmente.

PD: Quais são os pré-requisitos para quem quer se aprofundar no estudo do Kathak?

ST: Gostar de ritmo e percussão.

PD: Qual é a grande diferença do Kathak para as outras modalidades de dança clássica indiana?

ST: O kathak  é do norte da Índia, tem influências da antiga Pérsia. A música e os instrumentos que acompanham a dança são diferentes das danças do Sul da Índa. A posição dos joelhos não é fletida e isto torna a dança kathak  mais ágil, além da característica única que são os giros, que dão enorme beleza à esta forma.

PD: Para você quais são as qualidades básicas para um bom dançarino de Kathak?

ST: São as mesmas para qualquer dançarino: disciplina, curiosidade e paixão.

PD: Quem é a sua maior inspiração dentro do Kathak?

ST: Kumudini Lakhia, sem dúvida .É uma coreógrafa extremamente inspirada e inovadora. Pude estudar com ela e sua energia e disponibilidade são incríveis.

PD: Quais são as maiores dificuldades de quem trabalhar com dança indiana no Brasil? 

ST:O desconhecimento e a desinformação. A maioria das pessoas ainda confunde a dança clássica  indiana com a dança do ventre (muito frequente!), com yoga ou com qualquer coisa vinculada à meditação ou espiritualização. Já vi aberrações sendo apresentadas como dança clássica indiana, e oportunistas sem estudo algum se dizendo professores.