sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A experiência mística de quem Busca


A experiência mística, ao contrário do que habita o imaginário humano, reside dentro de nós mesmos. Nosso interior é a fonte de todo o mistério, onde a percepção e atenção são os grandes responsáveis pelo vislumbre místico. A maioria das pessoas quando empreendem a Busca ambicionam insights mágicos e transformações instantâneas, esquecendo ou até mesmo ignorando que as dificuldades e os tropeços no meio do caminho também são tão importantes quanto os sucessos.

Quando percebo que algo não está saindo exatamente da forma como eu conspirava tento compreender pelo viés da criatividade. Sempre quando somos surpreendidos pelas situações inesperadas precisamos pensar de forma diferente e bolar soluções criativas. Ou seja, os problemas são apenas oportunidades para pensarmos de formas diferentes, o que faz parte da nossa evolução como Seres humanos. Não se desesperar e buscar o equilíbrio são os primeiros passos para encontrar a solução desejada.

Sempre tive vontade de morar no interior e viver uma vida tranqüila, mas sem abrir mão da minha independência financeira e trabalho. A vida me trouxe exatamente para onde queria, mas uma série de eventos desfavoráveis começaram a acontecer. Eu só teria duas alternativas: 1° me desesperar e achar que isso não é pra mim e voltar ao ponto de partida, o que significa sofrer e vivenciar as conhecidas experiências exaustivas da cidade grande; ou 2ª alternativa, equilibrar minha mente e buscar solucionar os problemas e pensar em novas possibilidades, o que certamente me engrandece e ilumina. 

Nem só de facilidades e boas “coincidências” vivem os Buscadores, pelo contrário, o Caminho é árduo e exige persistência e tranqüilidade. Afinal de contas, a vida é muito curta e temos o grande privilégio ter nascido quem somos, então que isso impulsione a fazer da nossa existência uma experiência alegre. A vida cotidiana mesmo com sua rotina e obstáculos é fonte de sabedoria e agradecimento. Não temos tempo para desespero, conflitos e rancores.                               

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Danças Clássicas Indianas: Bharata Natyan, por Krishna Sharana


Olá amigos, dando continuidade a nossa série de entrevistas com profissionais da dança indiana que atuam no Brasil, Convidamos a linda Krishna Sharana que também é uma das administradoras do Blog Dança Indiana Brasil e a página do Facebook
Krishna Sharana tem 31 anos e é formada em Bharatanatyan, pelo Aatmalaya Institute (Bangalore). Além de lecionar nos grupos Aatmalaya em Porto Alegre e o grupo Aatmanatyam em Florianópolis, Krishna também realizal workshops e apresentações em diversos estados do Brasil.
Confiram a profundidade e o conhecimento compartilhado por Krishna Sharana! Eu, simplesmente fiquei encantada! Obrigada, Krishna!

Páprica Doce: Conte um pouco sobre o Bharata Natyam...

Krishna Sharana: Há mais de 5 mil anos atrás, existia somente um tipo de dança clássica na Índia, e era chamado de “Sadir”, realizada nos templos e cortes, pelas Devadasis, que dedicavam a vida a essa arte. Depois da invasão inglesa, a dança clássica foi proibida por eles, sendo considerada “obscena”. Somente depois de muitos séculos começaram a surgir diferentes tipos de dança clássica, influenciados pela região em que eram praticadas.
O Nome “Bharata Natyam”, na verdade, foi criado no início do séc. 20 por pioneiros que trouxeram a tradição do Sadir para fora do obscurantismo.  É considerada a dança mais fiel ao Natya-Shastra, a escritura milenar do teatro e dança.
A teoria e técnica do Bharata Natyam, extremamente complexas, são passadas de geração em geração pelo Guru Parampara- sucessão de mestre-discípulo. Essa ligação é extremamente importante para se estabelecer a autenticidade e para que os ensinamentos não sejam perdidos. Devido a isso, não existe a possibilidade de alguém ser autodidata nessa arte tão rica.
PD: Quais são as características mais marcantes no Bharata Natyam?
KS: O Bharata Natyam é conhecido por sua riqueza de repertório, que é extremamente variado, com poses esculturais, elementos dramáticos, expressões do rosto e gesto das mãos, e principalmente aos passos rítmicos que dão ênfase ao movimento do corpo em harmonia total com a música. Não é meramente uma dança e sim uma prática espiritual que visa elevar o dançarino e a platéia a um nível superior de consciência. O corpo se torna o instrumento da transcendência, meditando em movimento.
PD: Como você ingressou no universo da dança clássica indiana?
KS: Desde a minha infância, por influência da minha família, era muito interessada em assuntos espirituais. Aos 13 anos comecei a praticar Yoga. Daí começou o meu fascínio com a cultura e filosofia indianas. Quando descobri que haviam aulas de dança indiana em Porto Alegre, em 1996, com somente 15 anos de idade, não pensei duas vezes, apesar de na época não ter idéia do papel que a dança ia ter na minha vida. O Bharata Natyam me conquistou e continua me encantando até hoje. Quando em 2005 pude finalmente ir para a Índia me aprofundar nessa arte, tive experiências muito intensas. Realizei que essa dança milenar é uma prática completa, que engloba história, filosofia, música. Yoga, ritualística e muito mais. Desde 2005 tenho ido anualmente estudar com a minha Guru na Índia.  Esse ano em Março tive a oportunidade de realizar o meu primeiro recital solo na Índia, chamado de Arangetram, e foi um grande marco na minha carreira.
PD:  Quem é sua maior influência no Bharata Natyam?
KS:  Sem sombra de dúvida, a minha querida Guru, Dra. Padmaja Suresh. Incrivelmente inteligente e espiritual, ela é uma grande inspiração para mim, além de ser minha mestra, é uma grande amiga e conselheira. Ela iniciou os estudos na dança aos 4 anos de idade, e até hoje continua ensinando e apresentando na Índia e em diversos países ao redor do mundo. Ela também é uma grande intelectual tendo diversos artigos publicados em jornais e sites. Meu sonho é poder traze-la ao Brasil para partilhar o seu conhecimento e suas experiências com a dança e a espiritualidade.
PD:  A expressão facial é uma característica muito importante em todas as danças clássicas indianas. Para você qual é o maior desafio desta linguagem gestual?
KS: O abhinaya, que é a parte expressiva da dança, vai muito além da expressão facial e engloba tudo o que o corpo transmite ao dançar. Isso vai refletir nossa consciência interna e nossas realizações mais profundas, e nossa interpretação pessoal, baseada em nossas experiências, do tema que está sendo apresentado. Creio que a maior dificuldade em se falando de Ocidente, é que a expressão acaba ficando muito superficial, como se estivéssemos apenas imitando, sendo que temos que VIVER aquele momento, como o personagem, e ser inspirado pelas lições da história sendo interpretada. O estudo do significado e das nuances da poesia a ser interpretada é muito importante, assim como o conhecimento da cultura e filosofia hindu. O Bharata Natyam é vivência, é realização, e não um simples contar de histórias.
PD:  Quais são os trajes mais utilizados no Bharata Natyam?
KS: A julgar pelas esculturas achadas nos templos mais antigos, as dançarinas de Sadir vestiam-se somente com um tipo de canga, com diferentes tipos de amarrações, muito similar aos que os homens usavam, chamado de “dhoti”, e um tipo de bustiê, sendo que algumas dançavam sem o bustiê, já que naquela época não existia nenhum tabu em se mostrar os seios. Já as jóias e arranjos de cabelo eram muito mais abundantes e complexas que a roupa. A partir da idade média as Devadasis passaram a usar blusas, chamadas Choli, com um sári amarrado de diversas maneiras ,e uma calça por baixo. No séc. 20, as roupas passaram a ser costuradas, e são muito práticas de vestir.. Hoje em dia existem 3 tipos de trajes principais: O de calça, o de saia e o de sári. Tanto o de saia quanto o de sári são inspirados nos sáris usados na idade média, já a roupa de calça é inspirada nos dhotis que vemos nas esculturas mais antigas. Toda e cada parte dos ornamentos tem um significado muito profundo. A parte mais importante e sagrada do traje é o "Gajje", ou a tornozeleira de guizos, pois é o que marca o ritmo da música e é um instrumento musical que usamos o corpo para tocar.
PD:  Como você avalia o maior interesse das pessoas na dança indiana atualmente no Brasil?
KS: Vejo que há muita curiosidade em relação a dança, especialmente a clássica pois ainda é pouco conhecida. Mas pela própria dificuldade da dança, que requer uma certa disciplina e dedicação,  os praticantes ainda são poucos. A onda da novela ainda criou um clichê muito grande, pois começaram a aparecer muitas pessoas que se diziam entendidas da dança indiana. Vimos muitas aberrações e felizmente a onda baixou rsrsrs.  Mas é importante que cada pessoa que pratica e admira a dança a apresente de forma adequada, pois senão a pessoa estará fazendo um desserviço á arte e aos dançarinos dedicados, e isso tem um impacto muito forte em todo o meio, que já é pequeno. Nunca devemos nos conformar com o medíocre, só porque “as pessoas não sabem o que é mesmo”. Uma das maiores lições da dança é justamente o da superação dos limites.  Todo dançarino deve sempre continuar aprendendo e evoluindo, pois como é dito no Natya Shastra, “a arte desta dança é infinita”.



Agora assista o apresentação de Krishna Sharana: 


domingo, 11 de setembro de 2011

Aprendendo com Sócrates


A revista “Filosofia, Ciência e Vida” tem me presenteado com incríveis e cada vez mais sou surpreendida pelas mensagens que venho recebendo da vida! São lições de sabedoria que gostaria de compartilhar com todos os amigos. Quando começamos a buscar o Caminho tudo pode se tornar uma aprendizagem, e é assim que estou observando os fatos que vem ocorrendo com a minha vida. A  matéria da qual me refiro é Lições do Socratismo, escrito por J.C Ismael.

A primeira lição é: Cuide da Alma
“Busca-se na solidão serena, e não na opinião dos outros, a resposta para as dúvidas e a libertação das incertezas.” Cuidar de si é também cuidar do ambiente em que vivemos e compartilhamos com tantos outros seres vivos, e fazer das virtudes uma prática diária da evolução. 

Segunda lição: Tome conta da sua vida
Não basta apenas observar suas virtudes e buscar ser uma pessoa melhor, é preciso vigiar para não fazer julgamentos e críticas sobre o comportamento dos outros.  “Tomar conta da própria vida é estar em harmonia com a vontade divina”. Cada indivíduo passa pelas situações exatas para o seu amadurecimento e evolução espiritual, por isso devemos vigiar para não fazer do outro a nossa própria vida.

Terceira lição: A liturgia da amizade
“Os piores males do mundo se originam da relação inamistosa entre os homens”. Ter um amigo leal que compartilha seu amor, confiança e alegria é uma das maiores preciosidades que o ser humano pode ter, pois esse carinho amacia nossa alma. Sempre recordando que precisamos aceitá-los da forma como são sem a inútil pretensão de modificá-los.

Quarta lição: Quando transgredir é salvar-se
“Obedecer não é submeter-se cegamente, mas estar em harmonia com a liberdade e a vontade interior.” Isso significa não se curvar a injustiças e regras de menosprezam e diminuem os seres, sejam humanos ou animais.

E para terminar: “Quem vive bem não tem a obrigação de provar que está certo ou errado, e nem precisa tentar convencer ninguém de que suas opiniões devem prevalecer sobre quaisquer outras”.

Essa matéria do J.C  Ismael prova o quão brilhante é o jornalismo aliado a filosofia. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sobre a Birosca da Flor

Olá amigos, Namastê!
Escrevo para pedir desculpa pela minha ausência nas redes nessas últimas semanas. Estou sem internet em casa e a lan house tem ajudado pouco na minha comunicação.
Em breve a velox chega no meu bairro e poderei voltar mais plena para visitar vocês e respeitar minha frequência de postagens por aqui.

Então, inaugurei uma série de vídeos que denominei web programas para o Birosca da Flor! Lá vocês poderão assistir o preparo das receitas! Estou entusiasmada com os vídeos, apesar de ainda ficar um pouco envergonhada com a câmera.

Confiram e depois me digam o que acharam!

www.biroscadaflor.blogspot.com

Com amor,
Flor

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Artista indiano faz escultura de papel do Senhor Ganesha

Em Hyderabad, na Índia, o artista K Surya Prakash fez uma estátua de Ganesha com 30 mil copos de papel! Com mais de 5 metros a escultura foi preparada para o Festival de Ganesha, que começa hoje na Índia. 


É comum no Festival de Ganesha que os devotos lancem nos rios estátuas do Senhor Ganesha, e pensando em minimizar os danos ambientais, Prakash fez esta obra de papel.