quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Clube do Livro: Tarthang Tulku, Gestos de Equilíbrio

Sempre anotei os livros por mês, e costumo sempre fazer uma avaliação das obras e do meu entendimento sobre a leitura. Afim de não deixar que este hábito morra, resolvi compartilhar com vocês e assim me comprometer a dar continuidade na prática.

Terminei de ler o livro Gestos de Equilíbrio, de Tarthang Tulku, Lama-chefe do Centro Tibetano de Meditação Nyingma. Sem dúvidas uma das obras mais tocantes e completas que já li, pois me deparei com soluções para os meus conflitos nesta jornada de Busca.

O livro mostra que o Caminho é dificultoso, porém quando aprendemos a lidar com os nossos desgostos, a idéia romantizada da espiritualidade se esvai – existem mais espinhos para retirar do que flores para colher. Assim como grandes mestres, Tarthang Tulku nos ensina a  desenvolver a atenção plena, pois desta forma qualquer ação pode se tornar uma meditação. E desmistifica a concepção de que a meditação é simplesmente acender um incenso, sentar num local tranqüilo e abstrair pensamentos. A meditação pode Ser a qualquer instante desde que estejamos atentos, com a nossa percepção natural constante e valorizando o potencial de iluminação em cada momento.  (MESMO NAS AÇÕES COTIDIANAS DA VIDA)

O capítulo que mais me envolveu do livro Gestos de Equilíbrio foi o “Transmissão”, que discorre sobre o relacionamento entre mestre e discípulo, algo que nosso sistema educacional (um tanto decadente) se esqueceu de nos ensinar. Estamos preocupados em acumular o maior número possível de teorias e técnicas esquecendo que a experiência direta é na verdade tão precioso, tão necessário. De resto é tudo mera erudição para alimentar o insaciável ego.

O mestre é aquele que indica caminhos e partilha com gratidão e amor sua sabedoria. Mas no nosso caso,  que vivemos num ambiente em que encontrar mestres é uma missão quase impossível, Tulku ressalta: “Podemos, então, meditar bem e a própria meditação toma conta de nós e torna-se nosso mestre. Finalmente, nosso melhor mestre somos nós mesmos. Quando estamos abertos, atentos, alertas, podemos guiar-nos corretamente.”

“À proporção que desenvolvemos a meditação, já não precisamos apoiar-nos em explicações intelectuais para justificar quem somos, pois a nossa auto-identidade redutora se dissipa, como o nevoeiro tocado pela luz do sol.”

“Desenvolver a confiança e animar-nos, compreendendo que as nossas vidas são muito preciosas e que a nossa experiência comum é o verdadeiro caminho do conhecimento.”

“Começamos a transcender as nossas tendências dualísticas desenvolvendo estabilidade e equilíbrio, e compreendendo que a verdade espiritual se encontra em nós mesmos e em nossa vida cotidiana.” 

4 comentários:

Raminagrobis disse...

Pois é, esta é a (difícil...) meta: fazer coincidir a prática espiritual (a meditação) com a própria vida. É quando a meditação transborda que ela começa a ficar interessante.
Metta, minha cara.

C.

Sebastian Valle disse...

Esse livro iniciou o processo que me levou a editar o Livre de Si. Com certeza é um dos 10 livros mais importantes da minha vida!
Eu o recomendei há dois anos aqui:
http://www.livredesi.com/2009/11/01/bibliografia-recomendada/

obrigado pela bela lembrança!
um abraço, boa sorte e seja feliz!

Adriana Borghi disse...

Adorei.

Flor Baez disse...

É a meta mais difícil mesmo, C.! É preciso estar atento para não ficar caindo nos mesmos e velhos hábitos...

Oi Sebastian, pelo o que minha falha memória me diz, acho que foi através do seu blog que conheci este livro.
Suas recomendações de leitura são muito boas!

Sejam felizes também!
Metta!