segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sobre a arte indiana clássica

Pela 1ª vez estou compartilhando trechos da minha monografia sobre "Os aspectos do Sagrado na Arte Indiana Clássica", orientada pela profª Rosângela Araújo.  Quem quiser ler na íntegra é só solicitar o material através do e-mail papricadoceblog@gmail.com


(...)

Na Índia clássica não existe arte por ela mesma como sempre foi no ocidente, o artista deve obedecer sistematicamente os cânones que revestem a produção da obra de arte, e assim deve receber dos deuses a inspiração perfeita para por em prática a imagem do inimaginável, após práticas de meditação e yoga que o artista deve se submeter. A imagem serve como um diálogo entre quem contempla e o próprio deus, que é convidado a encarnar na obra depois que ela está pronta[1], fugindo do estereótipo de pura adoração, para uma relação de unidade com o elemento figurativo. Uma cerimônia religiosa é preparada para conceder vida à imagem, que será utilizada como um veículo espiritual. Arte indiana, sobretudo a hindu, assim como em todos os campos sociais e culturais, também foi unificada dentro de um complexo coercitivo, típico da tradição indiana, que visa manter sob controle toda a diversidade, ou mais do que isso: buscar a unidade dentro da diversidade. Assim como as tarefas sociais são regidas pelo dever das castas, a arte também é sempre mantida dentro dos cânones que conduzem sua produção.  Ainda que todo o processo criativo seja completamente distinto da maneira ocidental de viver e fazer arte, a estética indiana teve lentamente sua evolução, que foi marcada pelas transformações sociais e históricas do país, dificultando a sistematização cronológica da arte em si mesma. Seu progresso não foi marcado simplesmente pela questão técnica intencional, mas sim por necessidade de evolução das formas e do pensamento indiano em si, que foi se tornando cada vez mais complexo com a sistematização das filosofias e influências de outros povos.

Toda a influência estrangeira foi de certa forma, “indianizada” pelos artistas indianos, que buscaram reunir todo o manancial de influências dentro da sua cultura, a fim de formar uma identidade artística própria e equivalente a suas crenças e costumes. De certa maneira, eles tentam manter sob controle tudo o que é diferencial com o intuito de causar nos indivíduos a sensação desejada por eles, vide a história de Buda e como a Índia hindu remanejou os papéis simbólicos originários da tradição budista. Após a rejeição por seu sistema filosófico, houve uma inserção do Buda dentro dos avatares de Visnu já antes previstos para encarnar na Terra. É a concretização do famoso ditado “se não pode derrotar seu inimigo, junte-se a ele”. Destaca-se no povo indiano a capacidade de sintetizar as informações e influências vindas do estrangeiro, que apesar das adaptações realizadas para serem inseridas como elementos próprios da Índia, são recebidos com admiração e comoção pública.


[1] AUBOYER, Jeannine, Mundo Oriental. Editora Expressão e Cultura, São Paulo, 1966.

5 comentários:

Paulo Leite disse...

Fiquei curioso para ler tudo. Você publicou esse estudo? Vou mandar um e-mail para você.

Att,
Paulo L.

@ Escritora disse...

Muito interessante!

Saudações

Mayara disse...

Oi Flor, como você escreve bem! O tema é interessantíssimo, adorei!
Um abraço!

Flor Baez disse...

Obrigada, amigos!
Caso queiram ler o estudo completo é só mandar um e-mail!
Bjs

Flor Baez disse...

Obrigada, amigos!
Caso queiram ler o estudo completo é só mandar um e-mail!
Bjs