quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Clube do LIvro: O tigre Branco, Aravind Adiga

A última leitura que fiz foi "O tigre Branco", de Aravind Adiga. O romance conta a história de um motorista da casta de doces, que como a maioria dos indianos, deseja mudar de vida, ganhar status, dinheiro, poder etc. A narrativa é muito semelhante com os trabalhos de Rubem Fonseca, nítida e gritante semelhança com o nosso escritor brasileiro. 

A ironia é ferramenta chave para descrever em uma só palavra o livro, que é narrado pelo típico anti-herói que almeja profundas transformações materiais a troco de qualquer má ação no meio do caminho. Não podemos sequer julgar como lamentável a sua conduta, uma vez que a própria descrição da sua vida, envolvida em miséria, nos faz conscientemente desejar que Balram (o personagem principal do livro) se dê bem na sua jornada. 

Para desfazer a visão romanceada que nós, ingênuos ocidentais fazemos da Índia é bom ler de quando em vez um Aravind Adiga, uma Gita Metha. Há muito, muito o que melhorar socialmente na Índia, que ainda convive com disparates sociais muito intensos. 

Livro recomendado! :) Indicação da amiga Julia Schetini 

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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

BHAVA: Universo do Cinema Indiano





A mostra “Bhava: Universo do Cinema Indiano”,  é a maior mostra do cinema indiano realizada no Brasil e apresenta o cenário atual do maior produtor de cinema mundial, em 35 películas de importantes diretores indianos, todas inéditas no Brasil. O diferencial da mostra é apresentar todas as vertentes do cinema da Índia, indo muito além da indústria de Bollywood, já conhecida no Brasil, fazendo um panorama de todas as indústrias do cinema indiano espalhadas pelas principais regiões do país.


A programação da mostra retrata a efervescência do sub-continente indiano, que convive com a tradição e com a modernidade, com vilarejos tradicionais e grandes metrópoles, com a rica espiritualidade e a ambição material, com uma cultura milenar e contemporânea fundamentada na tecnologia.

Entre os destaques, a mostra traz filmes do ano de 2010 e 2011 recém-lançados nos cinemas indianos. O filme Indian Rupee do diretor Ranjith, em cartaz no cinema indiano, vai inaugurar a mostra, e representa a nova geração de diretores da Índia. Os filmes selecionados englobam trabalhos recentes dos mais importantes diretores da Índia, como os mestres Adoor Gopalakrishnan e Girish Kasaravalli, entre outros, e também filmes de diretores expoentes da nova geração do cinema indiano.

A mostra faz ainda uma homenagem às mulheres indianas realizadoras, trazendo  clássicos de Mira Nair e Aparna Sen, além de filmes da geração jovem de diretoras. E para discutir a presença e linguagem da mulher no cinema indiano, a mostra receberá uma diretora indiana convidada. A semana de debates discutirá também os caminhos de co-produção entre o cinema indiano e brasileiro ao lado de personalidades brasileiras e indianas do cinema.

BHAVA, do sânscrito emoção, traz a diversas emoções de um país em ascensão que chama a atenção do mundo pela capacidade de combinar sua tradição e modernidade, qualidade expressada nas histórias e rica dramaturgia de seu gigantesco cinema.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Choque de Amor - Rio de Janeiro


Eu achei o vídeo lindo, a iniciativa muito mágica e pode inspirar para que novos Choques de Amor aconteçam pelo mundo. Compartilhando, porque acredito na transformação, na mudança, na pureza do coração! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A simbologia de Saraswati



Associada às artes e ao conhecimento secular, a consorte de Brahma, Saraswati é a representação da música, criatividade e inteligência. Geralmente vestida de branco, a iconografia da deusa é acompanhada de uma mala, o terço de contas (Akshamala) que simboliza o ciclo do tempo e o livro (Pustaka) que se refere ao vedas, e de forma geral a prosa e poesia. Além disso, Saraswati carrega a vina, um instrumento musical indiano. O pavão simboliza a imortalidade, e por se um animal que também representa a beleza, ela ensina aos seus devotos a não se preocuparem com os atributos materiais. 

Na maioria das vezes, Saraswati é retratada próxima ao rio, em referência ao seu culto inicial, onde era venerada como a deusa do rio, das águas, fertilidade e pureza. Cada divindade é associada a um animal, no caso dela, o cisne representa o grande veículo, a imensidão e alento a vida. As aureolas iluminadas em torno da cabeça dos deuses, indicam que eles já alcançaram um estado de transcendência espiritual e iluminação, e esse conceito abarca divindades de diversas religiões, inclusive o cristianismo, que também utiliza as aureolas em Jesus. 

De forma geral, os mesmos símbolos que cercam a iconografia de Saraswati são encontrados nas imagens de Brahma, seu consorte.


Trecho retirado da minha monografia "Os aspectos do sagrado na arte indiana clássica".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Série Osho: Consciência, a chave para viver em equilíbrio

A primeira vez que li o livro  Consciência, a chave para viver em equilíbrio, de Osho, fiquei estupefata, sem ar! Osho tem suas manias e uma maneira bem direta e franca de falar, o que faz muita gente não simpatizar com o "guru" da modernidade.


Pois bem, para estar consciente é preciso acordar! Eba! O sol é muito lindo! Não dá para permanecer muito tempo adormecido e inconsciente do que realmente somos e podemos nos tornar. Para Osho, a meditação é a peça chave para que alcancemos a iluminação, e para isso precisamos estar sempre no agora, sempre no presente. E quando você perceber que perdeu o contato com o agora, é simples: basta estar atento novamente. 
A mente é assim mesmo, como um macaco bêbado. Pensamentos, pensamentos, mais pensamentos e raramente a sensação de estar no agora, o instante-já, como dizia Clarice Lispector. 


Para Osho a iluminação é simples, não precisamos de símbolos, incensos, imagens, nada disso. Precisamos apenas ser testemunhas do agora, assim vive a consciência. Todo o resto é inconsciência, é sono, é irreal. 
"Toda a metodologia oriental pode ser reduzida a uma coisa: testemunhar. E toda metodologia ocidental pode ser reduzida a uma coisa: analisar." 


"A experiência não-verbal é a experiência da verdade".Assim, como eu já disse em outras postagens, toda ação pode se tornar uma meditação se você simplesmente estiver presente. Quando for tomar banho, sinta o banho, viva o banho. Água que bate nas costas, o calor que aquece o corpo: seja o próprio ato do banho. 
Mas Osho pondera: " Se a observação virar inação, você está cometendo suicídio." Equilíbrio é tudo na jornada rumo ao processo evolutivo. É possível alinhar  busca com a dinâmica de maya.


"O homem de consciência, age. O homem que está desatento, inconsciente, mecânico como um robô, reage." 
Até quando vamos continuar respondendo de forma inconsciente às tramas da vida? Olhamos o tempo todo para fora e somos incapazes de observar o que acontece no interior, que é o lugar onde floresce a mais linda primavera, mas que também guarda o mais rigoroso inverno. 

Quem quiser um tapa na cara para acordar é só ler Consciência, a chave para viver em equilíbrio, de Osho. Editora Cultrix. 

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O voto do coerência


Há um ano atrás assisti a palestra do prof. Evandro Ouriques e duas palavras que ele disse ecoam na minha consciência até hoje: voto de coerência. Foi um tapa na cara, o inicio do despertar de um profundo sono no qual eu roncava e babava. O voto de coerência continua me inspirando até hoje e é ele que me ajuda a resolver as contradições entre filosofia x ação - pensamento x prática. Alinhar isso é um grande exercício de humanidade. 

Mas o que é o voto de coerência? O voto de coerência é deixar irradiar do coração e consciência todos os nosso valores e fazer com que as virtudes do qual tanto falamos e aspiramos reflita no nosso comportamento. É preciso sintonia. Qual é o valor de lindas palavras sobre a espiritualidade quando a consciência ainda está aprisionada em vícios? Como uma pessoa que maltrata sua alma e não alimenta seu espírito pode falar sobre os benefícios da espiritualidade? Desculpe a franqueza, mas é como ir a um  dentista que tem dentes podres. 

Sei que não é nesta encarnação que iremos nos transformar em Buda, mas o voto de coerência merece mais atenção. O que você pensa e o que é precisam estar em plena sintonia. 

Há algum tempo iniciei a jornada do voto de coerência, e adianto que não é fácil. Nem só de néctar e sublimidade vive o buscador, principalmente no inicio da caminhada, pois além do desapego de ter que abandonar todo o lixo que era carregado nas costas, é preciso viver com almas que ainda dormem alegremente e exaltam seus defeitos. Porém acredito que isso faça parte do aprendizado e que no fundo essas pessoas são oportunidades para exercer a compaixão, paciência e gratidão por tudo que aprendemos com elas. Porque os "indivíduos"  que teoricamente nos colocam em situações de tensão, desconforto e problemas também são lindas, pois nos dão a oportunidade de colocar em prática aquilo que realmente acreditamos ser a virtude. 

Existem pessoas lindas que acalmam nosso coração e enche nossa alma de conforto, mas também há aquelas que fazem o que não esperamos, que pisam no nosso calo e geram conflitos. Sabe por quê essas pessoas são lindas? Pois através delas usamos nossa criatividade para solucionar problemas, criar soluções maravilhosas, enfrentar o nosso ego e tentar ser quem somos. 

Acabei emendando um assunto no outro. Shampoo e Condicionador: 2 em 1. 

Viva quem pisa no nosso calo! 
Viva o voto de coerência!  

Ilustração de Maurício Negro, para o livro Histórias da Índia. Um artista completo! Vejam o blog e trabalho dele! ;)