sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Infinito Abstrato (1)

Compartilhando com vocês a história que escrevi "Infinito Abstrato". Nunca foi publicado, porque não tenho coragem. Depois que os anos passaram li e não gostei mais do que eu escrevi a ponto de investir numa publicação, o que saí demasiadamente caro. Então, resolvi postar a história aqui, a história da moça que não tem nome, que não guarda rostos e que vive na espreita. 

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Eu andava com calma, olhando para o céu e vendo os raios do sol cortando e entrando na casa de madeira. Na varanda, uma mulher costurando numa mesa; na rede, um velho preguiçoso. Os raios do sol deixavam a madeira mais bonita, eu queria engolir aquilo. Queria engolir os raios do sol, a rede, a máquina de costura. Eu queria engolir a vida que exalava da casa. Talvez não esteja sendo clara, mas não existem palavras suficientemente válidas que dêem coerência e significação para as coisas que eu sinto. Descobri que o que se sente não se escreve, pois toda a mágica que está no ato de sentir, esvai-se quando tentamos torná-la palpável para o outro. Tentei explicar para ele aquilo que eu estava sentindo, mas a tentativa foi vã, ele não consegue pensar abstrato: sou abstrata em tempo integral, não me interessa saber apenas o que faz sentido. Muitas coisas não têm sentido algum e eu debruço nessas coisas e as disseco, como um estudante de medicina a um cadáver.  
Hoje tive sonhos estranhos: sonhei que estava sendo torturada por um imbecil, como se eu estivesse na época da ditadura militar. Fui me esconder na minha dentista e ela chorava, com medo do que pudesse acontecer comigo. Mas acordei e não houve desfecho. Já tive muitos sonhos bons, conheci Sófocles e Antônio Conselheiro, hoje eles são meus amigos. Talvez o que vivemos acordados seja o sonho e quando dormimos morremos para ressurgir no outro dia. Em que dimensão se esconde a coisa do sonho? Dormir é uma preparação para a morte. Sempre pensei nisso e descobri que outras pessoas pensam também, fiquei feliz. Talvez seja verdade. José também descobriu isso; ele sabe sentir as coisas. Entrar na essência da vida: equilibrar-se numa estrela acima da Terra e mergulhar de cabeça – ir até as profundezas mais extremas para sentir o azedume da mônada vital. Nadar de costas no magma do planeta e ver, com olhos humanos, as supercordas. Estamos conectados por fios prateadamente invisíveis?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Série Osho: Intuição, o saber além da lógica

A intuição viaja sem nenhum veículo, por isso somente em estado de alerta e total atenção podemos desenvolver e ouvir este saber que está além da lógica, como já disse Osho no livro “Intuição – o saber além da lógica, da editora Cultrix.

A intuição só se manifesta quando a mente está em silêncio, daí podemos fazer parte desta experiência maravilhosa que é se conectar com nosso “eu” e o grande universo, que o tempo todo se comunica conosco através da intuição.  Só o silêncio alerta os nossos sentidos e nos mantém em um estado de percepção muito aguçado, muito sutil.  Pode observar, os momentos de insights em que você percebe a intuição é naquele estado de conexão consigo mesmo.

Precisamos nos libertar dos condicionamentos que nos impedem de uma real comunhão com a natureza, com os nossos semelhantes.  Tirar a prisão carregamos ao nosso redor e sentir a vida em todos os aspectos é uma grande vivência para permitir a reconexão.
A intuição é um saber que está além da lógica porque não é possível sua explicação através da erudição. É um conhecimento que ultrapassa todas as esferas do nível puramente “intelectualóide”,  e quem está restrito ainda a acumular informações e não exatamente unir essas informações para o engrandecimento do Ser, certamente não conseguirá acessar este grande portal que carregamos dentro de nós e possibilita uma incrível comunicação com a natureza.  Quando digo natureza, não estou me referindo às árvores e florestas, e sim a natureza de todas as coisas.

Retirei algumas frases do Osho para enriquecer nosso manancial de pérolas:

“Um corpo tão sensível, com tantas aberturas para se relacionar com a realidade: olhos, ouvidos, nariz, o toque – abra todas essas janelas e deixe a brisa da vida entrar, deixe brilhar o sol da vida. Aprenda a ser mais sensível. Use todas as oportunidades para ser sensível, de modo a eliminar o primeiro filtro.”

“Tudo está de cabeça para baixo porque a educação não está de acordo com a natureza das pessoas. Ela não respeita o indivíduo, ela força todo mundo a adquirir um determinado padrão. Talvez por acidente o padrão sirva para algumas pessoas, mas a maioria está perdida e a maioria vive infeliz.”

Para comprar o livro Intuição – O saber além da lógica, do Osho acesse o site da editora Cultrix e participe das redes sociais, tem promoções exclusivas e muitas novidades literárias!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Uma introdução à Filosofia Budista

Hoje a alegria chegou via correio na minha casa! Acabei de receber da querida Editora Madras o livro Uma introdução à filosofia budista, de Stephen J. Laumakis. A narrativa discorre através do entendimento de Dhamma e seus detalhes, a impermanência, Moksha e Nibbana e o desenvolvimento do budismo pelo mundo. 



São 298 páginas de intensa reflexão sobre a sabedoria milenar de Buda. Quem se interessa pela filosofia oriental e o pensamento budista não pode deixar de lê-lo. Eu vou iniciar minha leitura agora e em breve vou escrever para vocês a minha síntese sobre a obra. 

É muito gostoso fazer uma parceria com a editora Madras, pois desde criança que me interesso por assuntos referentes a sabedoria oriental, wicca e ela sempre esteve presente na minha estante! :) 

Para conhecer a editora Madras acesse: 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A jornada rumo ao processo evolutivo

Há cerca de 2 ou 3 meses iniciei de fato minha jornada rumo ao processo evolutivo, abandonando o que não prestava. Mas ok, o que é isso? Venho me conectando muito mais com a minha consciência, sendo coerente nas minhas ações e muito mais: me livrando do comportamento condicionado e não mais respondendo  no antigo nível. Isso é maravilhoso, intenso e muitas vezes doloroso, por mais sublime que sejam as palavras. As crises chegam e o desafio de conviver com pessoas que não vibram no mesmo vórtice que você, seja no trabalho, no relacionamento amoroso ou com os amigos. Mas o foco da atenção do buscador não deve ser esse  e sim você! 


Nesta vida as pessoas são instrumentos que nos empurram rumo ao aprendizado, sempre. Às vezes o empurrão é brusco, outras não! Depende do que necessariamente você precisa aprender. Hoje vivenciei uma calorosa discussão com  uma amiga e quando chegou no final, acreditem: foi maravilhoso. Maravilhoso porque o agora é sempre a solução, já que ele limpa o coração dos resquícios de negatividade. Pude perceber que meu coração, fique claro: CORAÇÃO já não vibra em níveis de obscuridade como antes. Apesar da emoção tomar dar corpo as palavras e muitas vezes se repetir mais do que necessário e afastar a consciência, é muito importante observar o coração, porque ele sempre deve estar limpo, fluido e sereno. Pelo menos quando tudo termina. 


Sentar e escrever essas palavras com calma, fazendo uma profunda reflexão pude perceber a coerência entre minha nova filosofia de vida meu coração, eles estão em sintonia e se recusa a carregar tensão, peso, rancor e animosidade. E pasmem a coincidência, hoje recebi da Editora Pensamento o livro "Transformando crises em oportunidades", do Osho e no mesmo dia pude aprender esta lição maravilhosa de amor. Amor a sí-próprio, amor aos outros. Porque tudo nesta vida é impermanência, é passageiro, é aprendizado. 

sábado, 10 de dezembro de 2011

Vivência Alimentação Viva

Olá amigos, 
Hoje vim compartilhar com vocês um pouco da vivência de alimentação viva no Sítio São José Vivo, em Cachoeiras de Macacu. Passamos o final de semana aprendendo a preparar deliciosas receitas com grãos germinados e crus, que possui maior vitalidade já que estão no inicio do seu crescimento. São alimentos que valorizam a nossa saúde e desintoxicam de forma muito clara e intensa. Fizemos sucos verdes, crurrasquinho, tomamos banho de açude, participamos das vivências com o fogo sagrado e o mais importante, desanuviamos o coração, a mente, e saímos de lá infinitamente mais leves do que quando entramos. 


Para conhecer um pouco desse universo sagrado da alimentação viva, visite o blog da amiga Juliana Malhardes, uma expert no assunto! 


Vou compartilhar algumas fotos com vocês e em breve vou ensinar algumas receitinhas no Birosca da Flor, com direito a participação especial e tudo da amiga Juliana Malhardes! 


Rondelli de Abobrinha

Nosso almoço fresquinho e vivo! 

Saladão de pupunha

Farofa de côco

Vivência no açude

Crurrasquinho (com repolho, cebola, berinjela e batata)

Alimento vivo, alimento lindo! 

O grupo! 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Extraviar



Para conhecer algo, você precisa perdê-lo. 

Todo o mundo se extravia de seu mundo interior, do espaço interior, e aos poucos se sente privado dele, ávido dele. Surge um apetite, sente-se sede.Vem um chamado do ser mais profundo para voltar para casa, e começa-se a jornada. 


Ser um buscador é ir para o calor do espaço interno que um dia você deixou. Você não ganhará algo novo; você ganhará algo que esteve sempre presente, mas ainda será um ganho, porque agora, pela primeira vez, você perceberá o que ele é. Na última vez em que você esteve naquele espaço, você estava cego para ele. Você não pode ficar consciente de algo se não o deixou. Dessa maneira, tudo é bom. 


Extraviar-se também é bom, pecar também é bom, porque essa é a única maneira de se tornar um santo.


Osho - 365 Meditações Diárias.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Danças Clássicas Indianas:Odissi, por Andrea Albergaria


Olá amorosos amigos!


 A série Danças Clássicas Indianas chega com uma nova entrevista com Andrea Albergaria, dançarina de Odissi, natural de São Paulo e crescida no Oriente Médio. Andrea é Licenciada em Letras e Artes Cênicas e dedica-se ao estudo da dança Odissi desde 1994.

Com apresentações no Brasil, África e Índia, também ministra aulas regulares e cursos intensivos desta modalidade de dança clássica indiana. Recebeu menção honrosa do parlamento indiano do estado do Gujarat, e em novembro último, apresentou-se no International Festival of Music and Yoga, em Rishikesh, India. Vai a Índia regularmente para aprofundar seus estudos em Odissi.

Páprica Doce:    Sabemos que o estilo Odissi nasceu com as dançarinas dos templos indianos. Conte-nos um pouco sobre a história do Odissi.

Andrea AlbergariaA dança Odissi, encontrada no Natya Shastra como Odra Maghadi, nascida em Orissa (antigamenta Odra Desh), tem registros arqueológicos anteriores ao século II a.C. em esculturas de dançarinas nos arredores de Bhubaneswar, capital de Orissa. Nascida como parte do culto religioso em louvor às divindades, a dança Odissi permanece até os dias de hoje com o caráter sagrado, seja dançada nos templos ou nos palcos, o repertório continua sendo uma forma de louvor.

PD: Quais são os temas preferidos do Odissi?
     
      AA: O repertório da dança Odissi foi codificado pelos gurus com os cinco itens necessários para um programa completo: Mangalacharan (saudação inicial á Mãe Terra, seguida de oração a uma divindade, geralmente Sri Ganesh, e finalizada com a saudação tripla a Deus, ao Guru e a audiência), Battu (dança consagrada a Shiva, com a interpretação das posturas que remetem aos músicos celestiais e a dança de Shiva), Pallavi (composições diferentes relacionadas a inúmeras ragas, em dança pura, como o Vasant (raga Vasant), Saveri, Shankaravaranan, entre tantos outros), abhinaya (peças interpretativas relacionadas ao Gita Govinda, livro  do poeta máximo Jayadeva, século XII, onde o amor sublime de Krishna e Radha é relatado) e o Moksha, item que finaliza o repertório, relacionado com a libertação do ser humano, dentro do conceito hindu das fases da vida.


       
     PD: Como foi seu ingresso no universo da dança clássica indiana? Por que Odissi?
      
     AA: Cresci no Oriente Médio, mais precisamente no Iraque, onde muitos indianos trabalhavam na mesma empresa que meu pai. Os sáris, o mehandi, o jeito das indianas que eu conheci sempre me fascinaram. Voltando ao Brasil, cursando a Universidade de Artes Cenicas, na Unicamp, entrei em contato com o estudo dos gestos e movimentos do ator, pesquisados por Eugenio Barba. Encantei-me com a profundidade do estudo dos gestos e expressões do teatro do sul da India, o Kathakali. A pesquisa começou aí, em 1994, até que iniciei meus estudos nas danças Bharat Natyam e Odissi, com professoras brasileiras que iniciavam sua jornada nesta caminhada e que me abriram portas para o conhecimento. Um ano depois estava eu na Índia, em Orissa, mergulhando e recebendo o néctar divino deste conhecimento que é infinito, apaixonante e que me faz muito feliz. Em 1996 conheci Guru Kelucharan Mohapatra, na sua casa, que mostrou um caminho que eu deveria seguir. Nunca parei minha prática, minha pesquisa e meu amor e devoção a esta arte só aumenta.
     
      Não sei porque o Odissi. Amo assistir a todas as danças clássicas indianas, principalmente Bharat Natyam, que é muito vigorosa e apaixonante, mas para dançar, expressar minha alma, entregar de verdade o meu ser ao movimento sagrado a dança Odissi é meu veículo. Não a escolhi. Fui escolhida. E devo isso ao Senhor Jagannatha, que tudo vê e se alimenta de alegria e dança. Como eu.

      PD: A graciosidade dos movimentos é encantador no Odissi. Quais são os elementos que você considera mais importantes neste estilo?

      AA: Sou apaixonada, sou fã deste estilo, então não tem algo que seja mais ou menos importante para mim. Cada mínimo movimento, que faz parte do todo, tem seu valor infinito.  A energia de praticar ou de assistir é como se fosse uma corrente elétrica que carrega minha bateria. Então desde o movimento dos olhos, ou um tronco, ou os mudras, enfim, tudo é mágico, mas é claro que a sinuosidade provocada pela forma em S, da técnica em tribhanga, formada por triângulos corporais, que só é encontrada na dança Odissi é realmente hipnotizante.

     PD: Quem é sua maior inspiração no Odissi?

     AA: Todas as pessoas que se dedicam a este estilo já tem minha admiração porque não é um caminho fácil, tanto físico, como mental e espiritual. Mas algumas pessoas que já conheci fizeram a diferença no meu estudo. E também tive a honra de conhecer dois dos quatro gurus que revitalizaram a dança Odissi, guru Kelucharan Mohapatra e Guru Mayadhar Raut, que ainda vive em Delhi, aos 83 anos. Mas também admiro aqueles que não têm nomes em neon, ou em sites, aqueles que dançam porque só sabem dançar, porque são como pássaros, cantam e pronto. Dançam sem subsídios, sem apoio, e não param porque amam sua alma e o jeito que ela se expressa. Gosto de verdades, de quem não é detido por adversidades. A dança atravessa os séculos assim, por que existem gurus e porque existem pessoas que não vêem limites e acreditam no que fazem.  Mas sinceramente minha admiração vai para Guru Manoranjan Pradhan e sua esposa Minati Pradhan, que formam o dueto mais perfeito que pude ver na dança Odissi. Talvez porque este dueto também é harmônico na vida pessoal e familiar deles, na fé no Senhor Jagannatha, no amor que tem pela família, ou seja, são seres humanos da melhor qualidade, e assim, quando dançam esta verdade de quem são é demonstrada na dança. Fazer aula com eles , na casa deles, em Orissa, pra mim foi uma grande e feliz benção.

     PD: Que relação você vê entre a Dança Clássica Indiana e Dança Tribal?

      AA: Não vejo relação direta entre a dança Odissi e a dança Tribal. O que vejo é que a dança Tribal utiliza conceitos de danças milenares, como as danças indianas e seus mudras. Por isso as bailarinas de dança tribal me procuram para que eu possa ensinar os gestos a serem utilizados com o significado verdadeiro, pois do contrário o uso dos mudras fica caricato e sem sentido.

     PD:  Para fechar, quais são os maiores obstáculos de trabalhar com a dança indiana no Brasil?

     AA: Obstáculos? Não vejo obstáculos, moro numa cidade distante de São Paulo mais ou menos 60 km, pequena e pacata. Desde 1997 organizo espetáculos, que lotam o teatro, divulgo a dança Odissi na região, tenho alunas de todas as idades, escrevo para revistas locais sobre a arte clássica da Índia, vou a Índia quase que anualmente, e me relaciono bem com outras bailarinas do mesmo estilo.  Tenho alunos que vem do litoral, de Campinas, de São Jose dos Campos. Vou a outros estados ensinar, me apresentar. Sinceramente, sou muito feliz e acredito que dançar Odissi no Brasil é uma missão. É mostrar uma pequena chama de uma lamparina, que mostra um caminho, que dá idéia do brilho máximo de expressão artística que o ser humano pode alcançar na dança Odissi, vinda da mágica terra de Orissa.  Jaya Jagannatha!