sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Do fenômeno religioso




A religião sempre foi um fator social altamente desenvolvido pelos seres humanos. Em busca de uma explicação dos fenômenos do universo, os temas foram se ampliando e os cultos se disseminando, transformando e ganhando corpo e importância. Até que chega a razão, o homem e sua ciência separatista e relega a religião ao patamar da inferioridade, do primitivismo. Creio eu que todas estas fases históricas tiveram sua importância para a evolução do pensamento humano, sem preferências. Foi preciso jogar deus e deuses no lixo para que o potencial humanístico se desenvolvesse com liberdade, afinal de contas se não fosse isso talvez estivéssemos agora andando de carroça e escrevendo telegramas aos parentes distantes.

Lá pela década de 50 um novo vislumbre místico começa a nascer e as pessoas se voltam mais uma vez para o fenômeno religioso com o intuito de ter seus dilemas e questões respondidos, pois assim como a fé ortodoxa, a ciência também não soube amenizar ou mesmo sanar nossas dúvidas. E assim o caminho estava aberto para o que hoje conhecemos por aqui, o Yoga, I-Ching, Xamanismo e todas as correntes do neo-esoterismo. E para completar tivemos um Fritjot Capra, um Amit Goswami  e muitos outros homens de respeito para unir tudo isso à ciência e assim inaugurar uma nova etapa do processo espiritual.

É bem verdade que hoje a maioria das pessoas não tem uma relação tão estreita assim com a espiritualidade. Começam a embarcar na onda, mas não aprofundam e nem estão dispostas a realizar sérias transformações para experimentar o puro néctar, e se satisfazem com meia dúzia de palavreados em latim, em sânscrito e por ai vai. Chamam de radicalismo e olham para a religião do outro e apelidam de “alienação”, “ópio” e muitos outros adjetivos para julgar aquilo que não conseguem compreender. Mas assim como a própria religião pode ser utilizada como um ópio, o capital e ismos/istas da vida também são ópios que cegam a visão na hora de olhar com complacência para a cultura do outro.

A saída para todos os dilemas e julgamentos é a tolerância e respeito às culturas, pois graças a diversidade do seu caráter conseguimos conhecer e até mesmo nos tornar pessoas melhores. Religião não é apenas o cristianismo, o budismo, o hinduísmo. Ser religioso é acreditar e devotar suas forças naquilo que você crê e gasta a maior parte do seu tempo, mesmo que tenha outro ismo. Hoje muitos fazem de sua profissão uma religião, outros sua arte, e muitos outros se confortam na religião institucionalizada. Cada um tem sua própria maneira de olhar o mundo e se movimentar nele. 

2 comentários:

Z Rubens Turci disse...

Que bom, Raisa, compartilhar estas reflexões... Os seus textos são assim... ecos do sagrado em nossos corações.

Ambika disse...

Good to read these meaningful thoughts on religion..