sábado, 18 de fevereiro de 2012

Encerrando a viagem à Índia

A Índia é mágica mesmo, e olhar mais de perto tudo que eu li sobre ela foi vertiginoso. De repente as letras tomavam movimento, forma e eu descobria aquilo que estava além de todos os livros. Suas cores, aromas e texturas foram me encantando e me deixando mais apaixonada. Chegamos por Delhi, e ela é como qualquer capital, não deu para descobrir a Índia por ela, é preciso caminhar um pouco mais. O trânsito de lá, que no inicio achávamos caótico, passa a não ser quando se conhece o trânsito de Varavasi. Os automóveis não usam retrovisor, o instrumento chave para sobreviver é a buzina. Árvores no meio do asfalto, tuc-tuc, rickshaw, pedestres, camelo, cavalo, macaco, ufa! Sem contar os guardas de trânsito que usam uma vara de bambu para "organizar" a bagunça das ruas, dando porrada na cabeça dos motoristas, na bunda dos cavalos e por ai vai. 


Varanasi


Em Delhi fizemos nosso primeiro market, no Delhi Haat. Tomamos uma super pernada! Um sapatinho nos custou 1200 rúpias, que achei depois no Craft Museu por 250 rúpias. Horror! Como ainda não tínhamos feito compras e pesquisado preços, tomamos uma volta violenta. Pagamos caro em tudo e não recomendo ninguém a comprar no Delhi Haat, foi péssimo. O dinheiro que gastamos mais levaríamos o triplo de coisas se  tivéssemos comprado em Varanasi. Vivendo e aprendendo. Delhi não é lugar para comprar nada, a verdade é essa! Tudo que compramos lá achamos por preços melhores em outras cidades da Índia. 


Depois de Delhi fomos para Varanasi. Ficamos hospedados no Radisson, um hotel maravilhoso. Mas olhar a cidade da janela do meu quarto foi uma experiência de gritante contraste. Varanasi é a cara da Índia! Lá pude sentir de forma muito intensa, muito real a devoção dos hindus. É óbvio que Shiva mora em cada pedra de Varanasi, você sente isso pulsando o tempo inteiro. Passeamos por todos os Gats, e lá todos desfrutam da vida. Há pessoas tomando banho, realizando seus pujas diários, lavando roupa, fazendo necessidades, crianças brincando, uma alegria contagiante! Os búfalos descansam na escadaria, os macacos correm de templo em templo e nós caminhamos, caminhamos muito. O Gat onde as pessoas são cremadas fica cheio o tempo inteiro. Lá tem um fogo que está aceso há 3 mil anos. Quem morre em Varanasi é cremado lá e custa 2 mil rúpias, mas quando a pessoa não tem este dinheiro a família paga, se não tiver família, os vizinhos pagam e se nem isso adiantar, o governo paga. Resolvido! Eu vi uma perna queimando lá.


Eu e Abilio em Varanasi
Quanto a alimentação, a comida indiana é bem gostosa mas sempre lotada de pimenta. Tem tanta pimenta que acaba obstruindo o sabor do alimento. Nos primeiros dias estava fácil, mas depois não aguentávamos mais e apelamos para o Mc Donald, o delicioso Mc Veggie! É óbvio que isso não resolveu o problema, acabei emagrecendo além da conta. A alimentação foi a maior dificuldade que tivemos, no meio da viagem eu já estava ansiosa pelo meu feijão com arroz. Mas sobrevivemos. 


De Varanasi fomos para Agra conhecer o Taj Mahal e o Red Fort. Ambos lindos demais! Deslumbrante e magnífico. Mas é isso. Agra não oferece nada além disso, pelo menos esta foi minha impressão. O Taj Mahal é bonito demais, grandioso de tirar o fôlego. Lá eu perdi a conta de quantos indianos pediram para bater foto comigo e com o Abilio. Eles ficam muito curiosos com os estrangeiros e olham mesmo,  batem foto o tempo todo, a sensação é que você é um astro de bollywood e não te avisaram. O Red Fort é lindo demais! Fiquei apaixonada por ele e não queria sair de lá por nada! Cada detalhe é cheio de perfeição. Acho que esta é a palavra certa para definir as construções da Índia: perfeição. 


Taj Mahal
De Agra fomos para Jaipur. Ufa! Jaipur tem aquela cara de deserto, a rua cheia de camelos, as roupas extremamente coloridas, do jeito que eu gosto! Lá é um bom lugar para compras, se acha de tudo a um bom preço. Principalmente pedras e prataria. Fomos aos principais pontos turísticos: Hawa Mahal, Jantar Mantar, City Palace, Nahargarh Fort, Amber Fort (que foi o meu preferido), e etc. Mas o lugar mais encantador, que mexeu com os meus sentidos foi o Galta. Caraca! Que lugar foi a aquele! Pedimos para o tuc-tuc nos levar até o Galta,mostrei uma foto e ele concordou com a cabeça. Quando chegamos eu não acreditei: ué, cadê? Não via nada, mas disseram que precisávamos subir, subir. Compramos uns amendoins para dar aos milhões de macacos que ficam por lá e iniciamos a caminhada. Vimos o templo de Surya e continuamos até chegar numa fonte linda, com uns templos, um jardim, não sei nem explicar a mágica que circunda por Galta. Não é um ponto que turistas frequentam, não vimos nenhum por lá. Os tanques tinhas uns peixes pre-históricos! Enormes, de uns 50 kg! Enfim, lindo demais! 
Galta


De Jaipur fomos para Ladakh. O coração estava apertado pois sabia que naquele momento eu estava deixando a Índia, e realmente eu tinha razão. Ladakh tem muito pouco de Índia. Era inverno e sofremos muito! Pegamos -22 e não estávamos preparados para o frio! rs Chegamos no Hotel Omasila e água estava congelada e ficamos 4 dias sem banho, apenas lavando as partes íntimas. A energia é racionada e a noite o aquecedor do quarto desliga. Tudo silencioso, tudo em paz. Visitamos alguns mosteiros, poucos estavam abertos e ficamos caminhando na neve. No primeiro dia tivemos que ficar no hotel para o corpo se adaptar, eu senti muita falta de ar e insônia, mas ainda há quem sofra com as dores de cabeça e enjoo. Somente no terceiro dia que o corpo está totalmente adaptado. Os animais em Ladakh são lindos! Todos bem peludos! Yaks, cachorro, burro, vaca, todo mundo bem peludinho para aguentar o frio! Uns fofos! Dá vontade de levar todos para casa! Ficamos menos tempo do que planejamos em Ladakh, mas foi o suficiente para o período de inverno. 


Ladakh
De Ladakh fomos para Paris. E Paris foi muito fácil frente as intempéries que passamos na Índia. Caiu algumas lágrimas. A Índia é maravilhosa! Mas uma encarnação é pouco para compreendê-la! Seria pretensão demais achar que numa primeira visita a Índia é possível desvendar seus segredos, suas contradições, sua cultura. 


Paris foi fácil! Tudo limpo, tudo diferente! Maravilhoso, mas a Índia me enche mais os olhos mesmo! 
Gratidão por todos que acompanharam minha jornada! 

6 comentários:

Anônimo disse...

Minha linda, adorei sua viagem! Gosto muito da maneira que você escreve...tive a sensação de ter viajado com você...incrível! Bj grande em seu coração :)
Tia Mônica

birosca da flor disse...

RAISA

ESCREVEU COMO SEMPRE DE MANEIRA FÁCIL E COMPLETA DE TE ENTENDER, MUITAS IDAS A INDIA TERÃO BEIJO FLÁVIO

۞ Potira ۞ disse...

Adorei o relato da viagem Flor!

Estou esperando as próximas postagens!

=)

Hanny disse...

Ai, vi você lá com os olhos brilhando pelas suas palavras. Lindo.

Loeni Mazzei disse...

Amiga, sua realização nos contagia! Quem te conhece sabe o quanto vc merecia ir a india! Que bom ler tuas palavras e poder compartilhar deste teu lindo encontro. Te amo e vc nao pode imaginar o quanto fiquei feliz por vc! A realização de meus amigos sao minhas tambem!etr

Simone Campanhã Dipti Gota de Luz Doce manifestação da luz disse...

Olá!
Muito legal sua descrição da Índia.Estive na Índia na passagem de 2011 para 2012 e fiquei até dia 19 de janeiro de 2012. Depois fiquei 4 dias em Paris. Passei pelas cidades de Delhi, Rishikesh, Chennai e Pondecherri. Namastê!