sábado, 31 de março de 2012

Bharata Natyan, por Meenakshi Srinivasan

Na minha viagem à França fui num museu de arte oriental maravilhoso chamado Guimet, que tem uma vasta coleção de esculturas e também espetáculos de dança indiana. Foi de uma emoção muito grande conhecer este museu, pois durante os estudos da minha monografia sobre "Os aspectos do sagrado na arte indiana clássica", usei muitas obras de Guimet para ilustrar os textos, sem nunca imaginar que um dia iria conhecê-lo pessoalmente. Enfim, foi um grande presente do universo. Em breve vou fazer uma postagem com as obras, mas por enquanto estou compartilhando com vocês a apresentação de dança clássica indiana, Bharata Natyan, com a belíssima dançarina Meenakshi Srinavasan, que eu assisti por lá. 


E no fim da apresentação ainda consegui tirar uma foto com ela! ;) 


quinta-feira, 29 de março de 2012

Sustentabilidade, por Fritjof Capra


Ontem assisti ao Encontro de Sustentabilidade do Santander, no Rio de Janeiro, com o físico Fritjof Capra. Apesar da duração ter sido curta demais, foi o suficiente para entusiasmar as nossos pensamentos. Vou tentar passar aqui para vocês  o que foi conversado durante o encontro. 


O tema é amplo e está na moda: sustentabilidade. Capra ressaltou que para a preocupação com o ambiente se tornar de fato real e gerar ações concretas é preciso começar a alfabetização ecológica. Quando falamos em alfabetização pensamos logo em crianças, mas na verdade o público que ele destacou para ser "alfabetizado ecologicamente" são os líderes, gestores públicos e privados, que costumam tomar decisões que geram grande impacto no meio ambiente. Essa é uma realidade bem brasileira, já que um código florestal que deprecia e facilita a sua degradação foi aprovado por líderes políticos que se encaixam perfeitamente neste conceito de analfabetismo, e estão completamente alheios e indiferentes aos benefícios de uma floresta em pé, e não conseguem se enxergar como parte integrante da natureza


O grande problema é que vivemos uma crise, uma crise de percepção. Como é possível uma economia que busca um crescimento infinito num planeta finito? Ops.. O crescimento é não linear e deve se espelhar na própria natureza, que é sustentável e cresce com equilíbrio orgânico, onde não há desperdício, há reciclagem. Ainda vivemos sob o paradigma de um crescimento competitivo que se sustenta num modelo de gestão hierárquico, onde quem está no topo domina toda a base da pirâmide. Esse tipo de crescimento apesar de ser o globalmente difundido e na grande maioria, aceito pelas pessoas não gera um crescimento sustentável. Elevam-se somente números e ignoram os indivíduos que fazem parte do corpo. E como disse Fritjof Capra: "O todo é muito mais que a soma das partes." Chega desta crença absurda que só temos que ganhar, ganhar, crescer, isso é uma ganância muito grande. Todas as nossas necessidades são atendidas pela própria natureza (ou seja, são finitas), o resto é supérfluo (ou seja, a ganância é infinita) e faz parte desse consumo descartável, esgotando os recursos naturais da Terra. Existe este mito econômico do crescimento perpétuo, que na verdade é uma doença enraizada em práticas insustentáveis.


No lugar do crescimento competitivo, Capra coloca o crescimento cooperativo. Uau! :) Isso é muito mais leve, mais humano. Vamos dizer a verdade, quem é realmente feliz vivendo neste sistema competitivo? Eu só vejo pessoas depressivas, estressadas, doentes e sobrecarregadas, onde toda a criatividade e humanidade é tolhida em prol de números. Ignora o bem estar das pessoas em detrimento de métricas, números. No sistema de crescimento cooperativo temos que pensar a realidade em termos de conexões, onde estamos conectados numa rede - algo orgânico, composto de teias que são autorreguladoras. Aqui o poder que prevalece é o poder de dar poder aos outros para fortalecer a rede e mantê-la firmemente conectada. Aqui os conceitos mudam, não é necessário pessoas que administrem, mas sim pessoas que cuidem do ambiente, não só florestal, mas social, educacional e por ai vai; A evolução neste sistema de cooperação é como uma dança e traz qualidade de vida para as pessoas.

A TERRA É O NOSSO LAR COMUM! 




quarta-feira, 21 de março de 2012

Da natureza do ego

Não alimente o pavão. 




Carregamos dentro de nós um bichinho faminto, cujo nome é ego, que adora receber gratificações, elogios e ser engrandecido. O dever do buscador é amansar essa fera quase indomável, diluir a complexa 'personalidade' no vazio, esse conceito tão misterioso e abstrato que nós, ocidentais não aprendemos na escola. 


O trabalho é muito árduo e exige uma ajudinha especial: a meditação. Só ela é capaz de adentrar rumo a (in)consciência e purificar a mente. E para meditar é preciso disciplina, pois nesta jornada somos todos iniciantes. De uma hora sentado em meditação, 55 minutos a mente está pulando de galho em galho dos pensamentos, como um macaco bêbado. De repente nem lembramos mais porque estávamos pensando determinado assunto e nem como chegamos ali. Somente a prática diária da meditação, mesmo cheia de experiências 'frustrantes' irá transformar e prolongar esses 5 minutinhos de total presença e atenção, em 10, 15, 20 minutos. O importante não é tempo que ficamos sentados, e sim o tempo em que estamos presentes. 


O ego é inerente ao ser humano e a sua tendência é sempre crescer e fincar raízes profundas. Um bom exercício que podemos fazer em prol do nosso bem estar e da humanidade em geral, sobretudo a minoria que convive conosco, é amansar o próprio ego com a meditação e parar de alimentar o ego dos outros. Em desatenção, muitas vezes acabamos por ajudar a inflar ainda mais o ego e a 'personalidade' alheia, enquanto na verdade o mais amoroso dos atos seria apenas mostrar o caminho da dissolução, quando solicitado. 


A moral da história é simples: o pavão é bonito, mas não o alimente. O ego só nos traz mais apego as coisas materiais e nos afasta do nobre caminho do amor e amizade verdadeira, além de nos fazer seres superficiais, desatentos e perdidos. Somente com o coração livre do 'eu' podemos receber a paz e a harmonia necessárias para fazer da nossa vida um caminho de aprendizados reais e bem aventurança. 


Seguimos juntos nesta jornada com amor, mesmo que um dia a gente não chegue lá, pois o caminho é tão importante quanto o ponto de chagada. 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Clube do Livro: A Montanha Mágica, de Thomas Mann


Hoje acabei de concluir a leitura do livro “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann.  Uma verdadeira escalada rumo ao pico de suas 957 páginas, o desafio já começa por ai, mas no decorrer da história o tamanho do cume já não assusta e você vai se envolvendo com o complexo personagem Hans Castorp, que desperta todo o tipo de sentimento no leitor e muitas vezes você tem vontade de voar nos ombros dele e sacudi-lo bastante.

A narrativa começa com a ida do nosso anti-herói Hans Castorp a um sanatório na Suiça, com o intuito de passar breves 3 semanas de descanso e visitar o primo enfermo, Joachim. Cheio de opiniões precipitadas, típicas de turistas, Hans Castorp olha com muita curiosidade e desdém para a vida que os doentes levavam por lá, até simplesmente se entregar a ela a ponto de não desejar mais sair.

Na sua estadia ao Sanatório de Berghof, Hans Castop conhece o humanista Sr. Settembrini! Um homem cheio de palavras plásticas e amor ao homem, com sua pedagogia ele inicia uma jornada Dantesca com o jovem Castorp, onde assume o papel de mestre, de Virgílio para conduzir o “filho enfermiço da vida” àquilo que ele entende como os verdadeiros valores da humanidade.

Impossível contar a história inteira do livro aqui, mas posso deixar meu humilde olhar sobre a narrativa. Hans Castorp é um protagonista que se esconde, tenho a impressão de que ele esteve sempre em cima do muro. Como um camaleão que muda de cor e se adapta de acordo com o ambiente, mas no caso dele somente para não ser desagradável e não contrariar as pessoas. E assim todo mundo acaba exercendo um papel de pedagogo para com ele, e no fundo ele não está nem ai para nada disso, para nenhum discurso. Ele descobre no sanatório de Berghof uma vida de contemplação, de pensamentos e nela permanece num estado de letargia, se justificando com preleções um tanto pueris.

Numa tentativa de fazer com que o sobrinho voltasse para a vida na planície, o tio de Hans Castorp vai até o sanatório para saber das suas reais condições e por pouco também não é envolvido pela atmosfera do lugar, que parece envolver as pessoas de uma forma muito misteriosa até elas ficarem completamente atadas e sem forças para descer.

Lá pelo meio do livro aparece outro personagem chamado Naphta, que trava com Sr. Settembrini discussões filosóficas muito calorosas. Eles disputam a alma de Hans Castorp, disputam a sua atenção, a sua mentalidade jovem.  Mas os dois senhores se engalfinham em constantes contradições, que chega até a entediar o leitor e o próprio protagonista.

Vou reproduzir um trecho, em que o Sr. Settembrini fala do vício de Hans Castorp por charutos:
- Meu vício? Não diga isso, Sr Settembrini.
- Por que não? É preciso chamar as coisas pelos seus nomes verdadeiros.

Encerro esta postagem assim. Porque gostei da idéia de chamarmos as coisas pelos seus verdadeiros nomes. Não precisamos pintar de rosa aquilo que já tem sua própria cor.

Um dia na vida leia este livro, vale muito a pena. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Fotos viagem à Índia

Já em casa, quando imagino que há pouco tempo atrás eu estava na Índia, me dá uma saudade grande e uma vontade irresistível de voltar, porque uma vez parece insuficiente. É como se comêssemos apenas a cereja do bolo. 


Estou com tanta saudade, mas tanta saudade da viagem em si que resolvi compartilhar com vocês algumas fotos, na intenção de amenizar e fazer o meu coração sorrir mais um pouco.


Em Varanasi




Ladakh 


Bollywood 

Aonde??? 
Ladakh

Hawa Mahal
Amber Fort

domingo, 11 de março de 2012

Cozinha Vegetariana do Mediterrâneo



Cozinha Vegetariana aliada à Culinária Italiana. Será que essa combinação pode dar certo? Na verdade, não só deu certo, como foi perfeita. Esta nova experiência se tornou tema de livro e já foi publicado em mais de seis países, com mais de 60.000 cópias vendidas, ao todo. Agora, publicado pela Editora Cultrix no mercado brasileiro, Cozinha Vegetariana do Mediterrâneo traz o resultado do trabalho de uma chef brasileira nada comum e de um italiano vanguardista.

Há mais de 18 anos, Malú Simões, chefia acompanhada de Chefs internacionais, a cozinha da Casa Montali, um aconchegante “boutique hotel”, situado no coração da Itália, na região da Úmbria. Ela e seu marido, Alberto Musacchio, que há 25 anos está no ramo hoteleiro e administrando restaurantes na Itália, são proprietários deste verdadeiro paraíso vegetariano que recebe visitantes de todas as partes do mundo. Reconhecido pela imprensa internacional, alguns dos veículos como, The Guardian, The Observer, Jerusalém Post, De Standaard já publicaram matérias elogiando a qualidade e elegância do Resort, além dos programas televisivos da BBC e da Televisão Holandesa.

O livro traz uma coletânea de criativas receitas vegetarianas desenvolvidas por Malú, na cozinha do famoso hotel Casa Montali. Ali, os “clássicos” da culinária italiana: calzone, ravióli, nhoque e lasanha, entre muitos outros, são transformadas em pratos contemporâneos cheios de estilo e requinte. Especialidades como o Pasticcio di Melanzane (torta de berinjela servida com molho de alcaparra e salsinha), o Gateau di Patate (petiscos individuais de batata com queijo provolone defumado) e o Rotolo do Crespelle (crepes com recheio de legumes crocantes) revelam as alturas a que a culinária vegetariana pode chegar.

A criatividade brasileira e o bom gosto italiano estão misturados neste delicioso livro de receitas e reflexões do casal vegetariano, que já ganhou prêmios internacionais, como: "Best Vegetarian Cookery Book of The Year", na Grã Bretanha e o "Winner of the Publisher Association Award" na Holanda. A obra ainda mostra como tirar o melhor dos ingredientes frescos e combinar os sabores e as texturas para preparar pratos gostosos e inesquecíveis.

Mais do que um livro de culinária, Cozinha vegetariana do Mediterrâneo pode ser considerado como um diário, no qual os autores expõem suas alegrias e desafios de forma bem-humorada. Entre uma receita e outra, Malú e Alberto revelam histórias interessantes sobre esta trajetória.

terça-feira, 6 de março de 2012

Os desafios de viver com você e o outro

By Heavenriver

É muito comum enfrentarmos durante nossa vida alguns obstáculos de vivência com as pessoas ao nosso redor. É muito engraçado quando você começa a pensar no seu círculo e como as pessoas foram parar ali, como uns continuam firmes na sua vida e outros vão embora junto com tudo que você deixou pra trás. 
Li um texto no Blog Ser Luminoso, falando sobre o outro que me deixou extática, boquiaberta e muitos outros adjetivos que caberiam de forma conveniente. E me recordou de um texto que escrevi aqui no blog em 2008 sobre a sombra, que Thomas Hobbes afirma ser a sombra o outro. Só que Thomas Hobbes não foi adiante, devido suas inúmeras limitações que não é necessário citar aqui, porque a sombra não é só o outro, a sombra somos nós também. O outro, a sombra e você são a mesma coisa, só que em dimensões diferentes. Algumas questões nos acompanham durante toda a vida e essa insiste em ficar e eu vou insistir em resolver. 


Portanto, se você também é o outro todos os problemas de relacionamento que você tem seja em qualquer esfera da vida, me desculpe a franqueza: é problema seu. E nunca será resolvido se você não se desafiar a desfazer os nós. Não esperar nada de ninguém e tudo de você! O inverso é ignorância e apodrecer nas expectativas.  


Apesar desse outro nos trazer aborrecimentos, alegrias, nos fazer rir e chorar, é graças "aos outros" que todo o universo existe e que podemos evoluir quanto seres humanos, desenvolvendo virtudes como paciência, compaixão, amor e aos poucos, mesmo que muito difícil, amenizando os efeitos da raiva, da tristeza e indiferença no coração. Se uma pessoa é um desafio para você, mude de tática mudando o foco do seu olhar sobre ela e sempre estar Presente quando estiver em sua companhia. Mas não é aquela presença seca, é a presença real, em que toda a sua atenção está ali, assim vá deixando que tudo fique ameno, claro até chegar o ponto (aonde ainda não cheguei) de se tornar tão leve que já não faz mais parte de você. 


Viver e conviver seja com os outros e com si mesmo é sempre um aprendizado. Estar na Terra é isso! Estamos suscetíveis a todos os tipos de acontecimentos em prol do crescimento espiritual.  

sexta-feira, 2 de março de 2012

A síntese da Alma (3)

By Omkali
Tem dias ou momentos da vida em que perdemos o sentido das coisas, e nos sentimos desnorteados, perdidos pelo caminho e massacrados pela dinâmica da vida - como é curioso o seu poder de impermanência e inconstância. Lembro no dia quando eu li o livro "Mitologia Oriental", de Joseph Campbell eu estava sentada numa cadeirinha no quintal de casa, lendo em voz alta para o meu marido e o sol era ameno e o vento fresco. E algum momento me deparei com a passagem, mais ou menos assim: Uma vez iniciada a jornada não há mais volta. Quando li isso meu coração se encheu de alegria e eu ria, ria como uma criança. Não há mais volta. 

Então, o que acontece quando de repente não mais do que de repente as coisas perdem o sentido, perdem o rumo? Dei uns passos pra trás nesses últimos tempos de viagem e muito fiquei me cobrando por isso, me sentindo culpada e tentando enxergar as coisas com as mesmas lentes do passado. Será que eu tinha que ler tudo de novo? viver tudo de novo? Não sei. Sei que hoje num lapso nada confortável o sentido voltou a habitar nas minhas escolhas, pelo menos. Quando a gente sai da nossa rotina a vida parece confusa e estou tendo um trabalho de realmente colocar tudo no lugar, não só as tralhas e objetos, mas tudo aquilo que eu vivia. O trabalho é grande, mas mão a obra! Nunca é tarde para tentar, para colocar em prática e começar tudo de novo. Acho que é isso, acabei de descobrir: começar tudo de novo. É isso que vou fazer daqui pra frente, porque com esforço tudo é possível.

Para aprender é preciso sair da zona de conforto.