sexta-feira, 16 de março de 2012

Clube do Livro: A Montanha Mágica, de Thomas Mann


Hoje acabei de concluir a leitura do livro “A Montanha Mágica”, de Thomas Mann.  Uma verdadeira escalada rumo ao pico de suas 957 páginas, o desafio já começa por ai, mas no decorrer da história o tamanho do cume já não assusta e você vai se envolvendo com o complexo personagem Hans Castorp, que desperta todo o tipo de sentimento no leitor e muitas vezes você tem vontade de voar nos ombros dele e sacudi-lo bastante.

A narrativa começa com a ida do nosso anti-herói Hans Castorp a um sanatório na Suiça, com o intuito de passar breves 3 semanas de descanso e visitar o primo enfermo, Joachim. Cheio de opiniões precipitadas, típicas de turistas, Hans Castorp olha com muita curiosidade e desdém para a vida que os doentes levavam por lá, até simplesmente se entregar a ela a ponto de não desejar mais sair.

Na sua estadia ao Sanatório de Berghof, Hans Castop conhece o humanista Sr. Settembrini! Um homem cheio de palavras plásticas e amor ao homem, com sua pedagogia ele inicia uma jornada Dantesca com o jovem Castorp, onde assume o papel de mestre, de Virgílio para conduzir o “filho enfermiço da vida” àquilo que ele entende como os verdadeiros valores da humanidade.

Impossível contar a história inteira do livro aqui, mas posso deixar meu humilde olhar sobre a narrativa. Hans Castorp é um protagonista que se esconde, tenho a impressão de que ele esteve sempre em cima do muro. Como um camaleão que muda de cor e se adapta de acordo com o ambiente, mas no caso dele somente para não ser desagradável e não contrariar as pessoas. E assim todo mundo acaba exercendo um papel de pedagogo para com ele, e no fundo ele não está nem ai para nada disso, para nenhum discurso. Ele descobre no sanatório de Berghof uma vida de contemplação, de pensamentos e nela permanece num estado de letargia, se justificando com preleções um tanto pueris.

Numa tentativa de fazer com que o sobrinho voltasse para a vida na planície, o tio de Hans Castorp vai até o sanatório para saber das suas reais condições e por pouco também não é envolvido pela atmosfera do lugar, que parece envolver as pessoas de uma forma muito misteriosa até elas ficarem completamente atadas e sem forças para descer.

Lá pelo meio do livro aparece outro personagem chamado Naphta, que trava com Sr. Settembrini discussões filosóficas muito calorosas. Eles disputam a alma de Hans Castorp, disputam a sua atenção, a sua mentalidade jovem.  Mas os dois senhores se engalfinham em constantes contradições, que chega até a entediar o leitor e o próprio protagonista.

Vou reproduzir um trecho, em que o Sr. Settembrini fala do vício de Hans Castorp por charutos:
- Meu vício? Não diga isso, Sr Settembrini.
- Por que não? É preciso chamar as coisas pelos seus nomes verdadeiros.

Encerro esta postagem assim. Porque gostei da idéia de chamarmos as coisas pelos seus verdadeiros nomes. Não precisamos pintar de rosa aquilo que já tem sua própria cor.

Um dia na vida leia este livro, vale muito a pena. 

Um comentário:

Lucia Monteiro disse...

Muito bom a narrativa. E finalizou de forma fantástica.

gostei da idéia de chamarmos as coisas pelos seus verdadeiros nomes. Não precisamos pintar de rosa aquilo que já tem sua própria cor.

Quero ler esse livro! Me empresta ?