quarta-feira, 21 de março de 2012

Da natureza do ego

Não alimente o pavão. 




Carregamos dentro de nós um bichinho faminto, cujo nome é ego, que adora receber gratificações, elogios e ser engrandecido. O dever do buscador é amansar essa fera quase indomável, diluir a complexa 'personalidade' no vazio, esse conceito tão misterioso e abstrato que nós, ocidentais não aprendemos na escola. 


O trabalho é muito árduo e exige uma ajudinha especial: a meditação. Só ela é capaz de adentrar rumo a (in)consciência e purificar a mente. E para meditar é preciso disciplina, pois nesta jornada somos todos iniciantes. De uma hora sentado em meditação, 55 minutos a mente está pulando de galho em galho dos pensamentos, como um macaco bêbado. De repente nem lembramos mais porque estávamos pensando determinado assunto e nem como chegamos ali. Somente a prática diária da meditação, mesmo cheia de experiências 'frustrantes' irá transformar e prolongar esses 5 minutinhos de total presença e atenção, em 10, 15, 20 minutos. O importante não é tempo que ficamos sentados, e sim o tempo em que estamos presentes. 


O ego é inerente ao ser humano e a sua tendência é sempre crescer e fincar raízes profundas. Um bom exercício que podemos fazer em prol do nosso bem estar e da humanidade em geral, sobretudo a minoria que convive conosco, é amansar o próprio ego com a meditação e parar de alimentar o ego dos outros. Em desatenção, muitas vezes acabamos por ajudar a inflar ainda mais o ego e a 'personalidade' alheia, enquanto na verdade o mais amoroso dos atos seria apenas mostrar o caminho da dissolução, quando solicitado. 


A moral da história é simples: o pavão é bonito, mas não o alimente. O ego só nos traz mais apego as coisas materiais e nos afasta do nobre caminho do amor e amizade verdadeira, além de nos fazer seres superficiais, desatentos e perdidos. Somente com o coração livre do 'eu' podemos receber a paz e a harmonia necessárias para fazer da nossa vida um caminho de aprendizados reais e bem aventurança. 


Seguimos juntos nesta jornada com amor, mesmo que um dia a gente não chegue lá, pois o caminho é tão importante quanto o ponto de chagada. 

3 comentários:

Isabela Farias disse...

Não se pode alimentar mesmo...é como o leão de barriga farta de carne pelas caças que suas leoas valentes conseguiram para o "rei da selva"

Ambika disse...

The preening peacock in all of us. Good post!
And sure Flor, you can use my pictures here, as long you link back to my blog. No problemo :)

C.A. disse...

Olá
gostaria de saber qual a origem dessa imagem. Tenho pesquisado a simbologia do pavão e nessa imagem ele me remete a outra conotação.
Obrigada