sábado, 30 de junho de 2012

Clube do Livro: O Caminho da Habilidade, por Tarthang Tulku


O Caminho da Habilidade nos mostra maneiras mais produtivas e serenas de lidarmos com nosso trabalho, que quando feito em consciência, concentração e amor se torna fonte inesgotável de crescimento e transformação. Nosso trabalho denomina a nossa própria maneira de agir no mundo e interagir com os outros.

Hoje cultivamos uma maneira muito desequilibrada de lidar com o trabalho e por isso ele tornou manancial de esgotamento físico, mental e insatisfação pessoal.  A maioria das pessoas faz o que não gosta simplesmente por dinheiro, para sustentar uma vida vazia que não oferece nenhum preenchimento verdadeiro e contínuo.

As pessoas, de fato, só vão sentir prazer no seu trabalho quando resolverem parar de se sabotar, criar coragem para ir fazer o que gosta e exercer sua verdadeira aptidão, aquilo que a natureza, mesmo que sutilmente presenteia a todos.

Tarthang Tulku é um mestre! Tem uma capacidade de comunicação muito objetiva e cada palavra emana paz e estímulo. O livro “Caminho da Habilidade”, da Editora Cultrix, é divido em 3 partes: Atenção Plena, Mudança e Compartilhar.

Atenção Plena é focada na 1.Lliberdade interior, de escolhermos segundo o nosso coração a profissão que realmente queremos seguir. 2. Cuidando do Trabalho: Valorizar aquilo que nós nos propomos a fazer. 3. Desperdiçando energia. 4. Relaxamento. 5. Apreciação. 6. Concentração. 7. Tempo. 8. Trabalhando no nível visceral.

Todas as mudanças devem partir do princípio de equilíbrio para lidar com problemas e fugas repentinas de atenção, superficialidade, competição e manipulação. O trabalho bem realização é cooperativo pautado na responsabilidade individual e na humildade.  Cada capítulo dá uma postagem. Confesso que os temas que mais gostei foram  “Responsabilidade”, “Superficialidade” e “Competição.” Pois são temas que sempre habitaram meus pensamentos. E para eles vou dedicar um único post.

Encerro com algumas palavras do próprio Tarthang Tulku:

“Qualquer que seja o caso, quando enxergamos o trabalho como algo a ser resistido e não como uma oportunidade a ser usada totalmente, estamos, na verdade, nos aproveitando da vida em si. Nós temos o dom da vida e, se não o usamos por inteiro, criamos desequilíbrio no mundo, já que os outros precisam nos sustentar com suas energias.”

“A medida que ganhamos entendimento acerca da natureza da existência, vemos que, em última instância é pela verdade que nós somos responsáveis. Embora ela nos coloque algumas vezes numa posição solitária, é a verdade que irá nos libertar do egoísmo, do ressentimento, do medo e da ansiedade.”

“Quando falamos de um processo de crescimento interior, antes que o tenhamos integrado por inteiro, corremos o risco de perder o que já conseguimos.”

“Quando tentamos compartilhar nossa atenção plena cedo demais, em geral, ficamos igualmente desapontados e desiludidos. Podemos descobrir que as pessoas interpretam mal o que lhes contamos, ou que talvez não se importem muito com o que temos a dizer. Elas podem nos ridicularizar, negando a validade dos nossos pontos de vista, levando-nos a duvidar de nós mesmos. Quando isto ocorre, há uma possibilidade de perdermos nossa confiança e até mesmo a capacidade de tocarmos os nossos pensamentos e sentimentos mais profundos e sensíveis.”

Tarthang Tulku Rinpoche é um mestre em religião do Monastério Tarthang, no Tibete Oriental e fundou o Dharmamudranalaya, uma editora dedicada à preservação da literatura tibetana.
 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A jornada do autoconhecimento


Para aumentarmos nossa qualidade de vida precisamos conhecer melhor a nossa natureza humana, a fim de clarear as nossas percepções sobre nossas próprias necessidades e descobrir a verdade profunda, dessas que ficam escondidas nas beiradas do coração e da consciência. 

O autoconhecimento é libertador, pois ele nos emancipa da escravidão da auto-imagem. Entre aquilo que somos e o que os outros pensam que somos há um abismo de vulnerabilidade, e é natural do homem estar sempre na defensiva a fim de se proteger. Mas quando abandonamos as máscaras da auto-imagem e nos permitimos sermos o que realmente somos, nos livramos da culpa e do medo, e conseqüentemente  deixamos de lado o pesado fardo da aparência. Simplesmente abrimos mão da preocupação que existe do que o outro pensa sobre nós e os rótulos que adquirimos ao longo da vida. 

Quando nos apegamos a nossa auto-imagem deixamos de nos relacionar verdadeiramente com as outras pessoas e nos enganamos. Para nos conhecer de modo verdadeiro e nos livrar dos conceitos que carregamos sobre nós, é preciso reconhecer nossas limitações e se perdoar, pois infelizmente é muito difícil sermos aquilo que gostaríamos de ser, apesar das nossas tentativas. 

O crescimento interior é fruto do perdão, da aceitação de quem nós somos e da nossa natureza intrínseca. Somente quando deixamos de lado a nossa auto-imagem podemos realmente progredir com sinceridade e confiança. É muito importante na jornada do buscador se conhecer verdadeiramente, sem se importar com o que os outros esperam de nós. Afinal de contas, estamos em processo de transformação e o nosso reflexo tende a se modificar com o tempo e já não somos aquela personalidade cristalizada que habita o imaginário alheio.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Resultado do Sorteio do livro Shantaram

Olá amigos, bom dia! 
Estava super ansiosa para sortear logo o exemplar do livro Shantaram! 
Segue o resultado: 



 A sortuda foi a Pâmela Quaresma Belliato, que terá 48h para entrar em contato. Caso negativo, vamos realizar outro sorteio! 
Obrigada a todos por participarem! Fiquei muito feliz com as 48 participações!
Com amor,


terça-feira, 19 de junho de 2012

As emboscadas do "Caminho do Meio"



Nós, seres humanos, somos marcados também por cometer erros. Natural que quem está aprendendo, erre. Mas como aprender com os erros e transformar o aço em ouro é outra história, muito mais difícil se você não está consciente das suas ações. 

Quando fazemos uma análise verdadeira sobre quem realmente somos, sobre nossas escolhas e nossos pensamentos é natural que percebamos o quanto ainda precisa ser aprimorado, praticamente tudo.  Mas a tendência é sempre amenizarmos e ocultarmos aquilo que necessita de modificação e reduzir a sua importância. 

Sempre escuto por ai as pessoas dizendo que precisamos de equilíbrio, do caminho do meio. Como bem sabemos este é um conceito da filosofia budista, mas que ganha contornos extravagantes e errôneos quando usamos o caminho do meio para justificar nossos desequilíbrios, nossos vícios e comportamentos incoerentes. Isso porque o que Buda quis dizer com Caminho do Meio está longe de ser uma bengala.

Não é possível ser equilibrado, se apoiar no meio termo para atingir o que precisamos para nossa transformação. Toda mudança precisa de atitudes, de firmeza e determinação e quando não usamos isso acabamos submersos em padrões de comportamento escravizantes, continuamos reféns da reação, do toma lá da cá. Quando se tem um objetivo não é prudente usar os atalhos. 

É uma empreitada um tanto árdua, ainda mais quando se está buscando isso praticamente sozinho. Por isso é importante meditarmos no sentido que essas transformações têm na nossa vida. É preciso ter sentido! Quando não há sentido, não há mudança, não há estímulo. Então, antes de qualquer coisa é preciso uma reflexão profunda sobre o quê faz sentido nas nossas vidas, e assim iniciar a limpeza dos pensamentos e a desintoxicação de substâncias viciosas que atrapalham nossa jornada e não trazem equilíbrio sob nenhuma hipótese, apenas mais confusão mental e repetição de antigos erros. 

*A imagem que ilustra o texto foi enviada pela minha amiga Hanny, depois de uma longa conversa sobre este assunto o qual abordei aqui. 
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Resultado dia 20 de Junho! 


segunda-feira, 18 de junho de 2012

Clube do Livro: Viagem ao Oriente, Hermann Hesse

Numa tardinha bem gostosa de domingo li o pequeno livro "Viagem ao Oriente", de Hermann Hesse. Um deleite para alma e um encontro com todos os anseios dos buscadores. Uma narrrativa bem diferente do querido Sidarta, e é capaz que nem todos que se apaixonaram pelo romance tenham a mesma sensação com Viagem ao Oriente. 

O livro é uma história mística contada por H.H, membro de uma confraria secreta que empreende uma viagem rumo ao Oriente com seus outros membros, que incluem filósofos, músicos, artistas. Mas para fazer parte da confraria é preciso ter um objetivo pessoal.
Viagem ao Oriente é na verdade uma viagem para dentro de si mesmo. Daquelas que todos nós ansiamos: o voltar para a 'casa', uma viagem puramente simbólica.

No caminho para o Oriente um membro do grupo, Leo, desaparece junto com algo muito importante, causando mal estar, dúvidas e discussões. O resultado é a fragmentação do grupo. E assim, H.H se vê fora da Confraria, o qual julgara ter chegado ao fim. Mas algo permance inquieto dentro do personagem e ele inicia uma empreitada de encontrar Leo e saber o que aconteceu de fato. É como se isso fizesse parte da sua história e o ajudasse a encontrar algo que ele mesmo também julgou perdido na vida dele. 

H.H encontra Leo e descobre que na verdade ele nunca deixou a Confraria, e sim o inverso. Assim ele será julgado por toda a comissão pelo seu abandono. Uma história emocionante, que reflete muita das nossas tentativas de reconstrução individual e na busca que empreendemos para conhecermos a nós mesmos. E geralmente aquilo que julgamos perdidos na verdade foi por nós negado, deixado de lado. E assim passamos um tempo procurando o que nós mesmos escondemos.

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Resultado dia 20 de Junho! 


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Do privilégio de nascer ser humano



Dentre milhões de seres vivos espalhados pelo planeta (reduzindo o assunto a limites geográficos compreensíveis) nascemos seres humanos! Uau! Que vitória, conseguimos! Quando percebemos o valor que é nascer como um ser humano ficamos bastante contentes e entusiasmados, não que nossa espécie seja de fato a mais evoluída, não acredito muito nisso. A vantagem de nascer ser humano é poder vivenciar o sagrado, poder empreender transformações conscientes do seu propósito. 


Só que 99% da humanidade ainda sobrevive (não vive). Não usam suas potencialidades e ainda estão completamente iludidos pelo véu de Maya, fazendo coisas que não deveriam ser feitas, ou melhor, não precisam ser feitas. Grande parte de todos nós ainda vive de forma mecânica: nasce, cresce, trabalha, procria e morre, sem fazer a menor diferença na própria vida, quiçá no planeta. E não tem a menor consciência disso. Colocam o dinheiro, o status e a vida material como prioridade nas suas vidas, mesmo que para conseguir tudo isso tenha que passar por cima do próprio bem estar, da própria felicidade. 


Do que vale ser rico e poderoso e não poder dar uma inocente caminhada pela rua? Qual é a finalidade do excesso senão privar nossa liberdade, nosso ir e vir?! É preferível ser modesto e levar uma vida sem luxos e ter todo o tempo para ler um livro, para nadar no rio e observar a vida. As pessoas vivem como asnos em corpos de humanos. 


É como se vivêssemos num planeta em que todos dormem e sonham. Acreditam que os sonhos são realidades, como a alegoria da caverna de Platão. Por que perdemos tempo com tantas inutilidades? Se contabilizarmos superficialmente como gastamos nossos dias vamos perceber que 90% desse tempo fizemos coisas que não queríamos fazer e estivemos acompanhados de pessoas que não nutrimos um amor verdadeiro. Até quando vamos continuar repetindo este padrão de comportamento? 


Precisamos reinventar a ordem de prioridade das nossas vidas e fazer somente aquilo que acreditamos ser benéfico para nós e para os outros. Dar um basta nas situações em que nos colocam em fragilidade, em tristeza e depressão, mas para isso é preciso coragem. 


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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sobre o estar Feliz


Como já dizia Heráclito, que ninguém pode se banhar duas vezes no mesmo rio, tudo flui e nada “é”. A vida toda é um tornar-se, é uma transformação sem fim, por isso é impossível ser feliz, mas podemos estar e isso já é um grande presente. Não há nada que perdure imutavelmente nos mundos, a característica mais completa da nossa situação é a impermanência. 

A natureza da alegria e da felicidade implica num estado de desprendimento do ego, já que na grande maioria das vezes a alegria tem um caráter coletivo. Nós compartilhamos alegria com as pessoas, e quando estamos felizes fazemos questão de envolvê-las neste mesmo ânimo em que nos encontramos.

 Já a tristeza, sua contrapartida tem um caráter de identificação com o ego e ele exige toda a atenção para si. A tristeza precisa de uma platéia não-interativa, onde basta saber que alguém está assistindo sua performance. Sua relação com as pessoas é somente de gerar dó ou talvez compaixão, em alguns raros que conseguem realmente sentir isso. Pois muito se fala de compaixão hoje, mas são poucos que sabem e sentem o que é este nobre sentimento. Já a alegria não precisa de platéia, porque ela é compartilhada, é divida entre todos e todos participam, como numa grande peça em que todos atuam simultaneamente. 

Isso foi pensado depois de ler este pequeno trecho do Osho: “Pessoas infelizes permanecem cultuando o ego. Há uma interconexão. (...) Quanto mais feliz você for, menos existirá o ego. Chegará um momento em que somente a felicidade existirá, e seu ego não.”