terça-feira, 19 de junho de 2012

As emboscadas do "Caminho do Meio"



Nós, seres humanos, somos marcados também por cometer erros. Natural que quem está aprendendo, erre. Mas como aprender com os erros e transformar o aço em ouro é outra história, muito mais difícil se você não está consciente das suas ações. 

Quando fazemos uma análise verdadeira sobre quem realmente somos, sobre nossas escolhas e nossos pensamentos é natural que percebamos o quanto ainda precisa ser aprimorado, praticamente tudo.  Mas a tendência é sempre amenizarmos e ocultarmos aquilo que necessita de modificação e reduzir a sua importância. 

Sempre escuto por ai as pessoas dizendo que precisamos de equilíbrio, do caminho do meio. Como bem sabemos este é um conceito da filosofia budista, mas que ganha contornos extravagantes e errôneos quando usamos o caminho do meio para justificar nossos desequilíbrios, nossos vícios e comportamentos incoerentes. Isso porque o que Buda quis dizer com Caminho do Meio está longe de ser uma bengala.

Não é possível ser equilibrado, se apoiar no meio termo para atingir o que precisamos para nossa transformação. Toda mudança precisa de atitudes, de firmeza e determinação e quando não usamos isso acabamos submersos em padrões de comportamento escravizantes, continuamos reféns da reação, do toma lá da cá. Quando se tem um objetivo não é prudente usar os atalhos. 

É uma empreitada um tanto árdua, ainda mais quando se está buscando isso praticamente sozinho. Por isso é importante meditarmos no sentido que essas transformações têm na nossa vida. É preciso ter sentido! Quando não há sentido, não há mudança, não há estímulo. Então, antes de qualquer coisa é preciso uma reflexão profunda sobre o quê faz sentido nas nossas vidas, e assim iniciar a limpeza dos pensamentos e a desintoxicação de substâncias viciosas que atrapalham nossa jornada e não trazem equilíbrio sob nenhuma hipótese, apenas mais confusão mental e repetição de antigos erros. 

*A imagem que ilustra o texto foi enviada pela minha amiga Hanny, depois de uma longa conversa sobre este assunto o qual abordei aqui. 
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Resultado dia 20 de Junho! 


12 comentários:

Soraia disse...

Bom dia Flor!

Ainda continuo sem meus olhos artificiais, mas pelo pouco que li (depois eu volto mais tarde para ler com calma) o "fazer" é a parte mais difícil na hora em que as mudanças precisam ser feitas, na teoria tudo é mais fácil.


Bjs.

Flor Baez disse...

Bom dia, Soraia!
É verdade, a teoria é sempre mais confortável, por isso muitas vezes nos sustentamos nela acreditando que irá provocar uma mudança. Mas ela só chega mesmo é com a ação, com a vontade e o ato de "arregaçar as mangas."

Beijos!
Flor

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Claudio Reis disse...

Lembrei do velho Aristóteles e da virtude como meio termo. E ele lembrava que, na ordem da excelência, a virtude é uma perfeição, um extremo (ou seja, embora seja um "estado intermediário", está longe da mediocridade).
Não é por acaso que um dos "aros" da roda do dhamma (do caminho óctuplo) é o esforço correto - o esforço que se materializa, em primeiro lugar, na meditação (na plena atenção e na concentração).
Grande abraço, cara Flor!

C.

Gilber†o Ângelo Begia†o disse...

flor belo texto! Realmente quando estamos seguros ou equilibrados penso que o controle está em nossas mãos. Quando entro em um conflito e permito as dúvidas então o descontrole pode me trazer a novas ideias e pensamentos. Entre estar equilibrado e em contínua reconstrução opto pela segunda opção, ela sempre tra focos novos acompanhados de motivação.

Tatá disse...

Oi Flor,

Obrigada pelo seu comentário lá no blog.
Gostei muita da sua reflexão nessa postagem. Principalmente quando diz que o caminho do meio não é uma bengala.Os extremos também fazem parte da trajetória.

Bjs

hannysaraiva disse...

"Confiar e ter fé" que o caminho vem...

=D

Blog Teia disse...

Olá.
Gostei muito de seu blog, interessante, organizado e bem escrito.
Parabéns
Até mais

Eduardo Medeiros disse...

Oi Flor, tudo bem?

Sou o Edu, lá da confraria Logos e mythos e vim conhecer seu espaço.

Gostei muito do seu texto, e suas observações quanto ao "equilíbrio desequilibrado" são muito pertinentes.

Um abraço.

RODRIGO PHANARDZIS ANCORA DA LUZ disse...

Olá, Flor!

Eu diria que mudar não é fácil.

O primeiro passo para muito seria não tapar o sol com a peneira, mas encarar a realidade.

Ultrapassada esta fase (nem todos passam por ela), a dificuldade reside em trabalharmos a energia interior para que o desejo de mudança se fortaleça e se torne uma ação concreta.

Na escola, muitos passamos por isso quando resistimos ao estudo. E aí hei de admitir que o método da disciplina seria fundamental.

Um abraço e agradeço por sua visita à Confraria Teológica Logos e Mythos.

Quando puder, meu blogue pessoal.

Saúde e paz!

Flor Baez disse...

Oi amigo Claudio, quanto tempo! :)
É só com o esforço correto que conseguimos manter a disciplina. Ainda bem que você me lembrou isso! Ando com dificuldade para manter a meditação diariamente, e só com o esforço correto posso despertar a força dentro de mim!

Abraços para você, amigo Claudio!
Metta!

Flor Baez disse...

Olá Gilberto, a reconstrução e a impermanência são condições inseparáveis de ser humano, de habitar o planeta Terra. Tudo está em constante mudança e transformação, cabe a nossa consciência continuar se reciclando em sabedoria.

Abraços,
Flor

Gratidão, Tatá! :)

Hanny, é isso ai. Li uma coisa sobre o "confiar". Vou mandar pra você via email. É díficil porque é muito natural! Beijos! <3

Obrigada pela visita, Blog Teia! Fico muito feliz que tenha gostado do texto, do espaço! Volte mais vezes! Abraços,

Olá Edu, seja bem vindo por aqui! Tenho me deliciado com as postagens de vocês na confraria logos e mythos! Fui muito bem recebida por vocês! Gratidão! :)

Oi Rodrigo, primeiro gostaria de agradecer pela visita! Mudar realmente é uma empreitada bem árdua, porque nós complicamos tudo e não deixamos que o processo natural aconteça. Disciplina é a palavra-chave para toda transformação bem sucedida! Disciplina, responsabilidade, palavras que costumamos temer no dia a dia, mas que são verdadeiras amigas no processo de auto realização.

Gratidão pela visita! Fui muito bem recebida na Confraria! Obrigada! :)

Abraços,