segunda-feira, 4 de junho de 2012

Sobre o estar Feliz


Como já dizia Heráclito, que ninguém pode se banhar duas vezes no mesmo rio, tudo flui e nada “é”. A vida toda é um tornar-se, é uma transformação sem fim, por isso é impossível ser feliz, mas podemos estar e isso já é um grande presente. Não há nada que perdure imutavelmente nos mundos, a característica mais completa da nossa situação é a impermanência. 

A natureza da alegria e da felicidade implica num estado de desprendimento do ego, já que na grande maioria das vezes a alegria tem um caráter coletivo. Nós compartilhamos alegria com as pessoas, e quando estamos felizes fazemos questão de envolvê-las neste mesmo ânimo em que nos encontramos.

 Já a tristeza, sua contrapartida tem um caráter de identificação com o ego e ele exige toda a atenção para si. A tristeza precisa de uma platéia não-interativa, onde basta saber que alguém está assistindo sua performance. Sua relação com as pessoas é somente de gerar dó ou talvez compaixão, em alguns raros que conseguem realmente sentir isso. Pois muito se fala de compaixão hoje, mas são poucos que sabem e sentem o que é este nobre sentimento. Já a alegria não precisa de platéia, porque ela é compartilhada, é divida entre todos e todos participam, como numa grande peça em que todos atuam simultaneamente. 

Isso foi pensado depois de ler este pequeno trecho do Osho: “Pessoas infelizes permanecem cultuando o ego. Há uma interconexão. (...) Quanto mais feliz você for, menos existirá o ego. Chegará um momento em que somente a felicidade existirá, e seu ego não.” 

Um comentário:

hannysaraiva disse...

Como diz o sábio Arnaldo Antunes:
“Sempre é pouco quando não é demais.”