segunda-feira, 9 de julho de 2012

As máscaras, carapuças e bambus


Quem é você? Perguntinha redundante que permeia o imaginário humano desde tempos muito primórdios. Ao nos definirmos, seja através de nossa profissão, dos nossos gostos ou temperamento, estamos sujeitos a embutir máscaras e conceitos que fortalecem nosso senso de identidade e estão muito longe de definir e refletir quem realmente somos.  É claro que nossas ações, nosso comportamento acaba nos enquadrando dentro de um determinado estereótipo, mesmo contra o nosso desejo. 


Essas escolhas que fazemos e que vai cristalizando nossa personalidade são responsáveis pelas máscaras que vestimos para mostrar quem somos e também é o causador das máscaras que colocam em nós.  Ambas as situações são bastante inconvenientes, pois ninguém é em definitivo alguma coisa e dificilmente alguém conseguiria sustentar exatamente a máscara que carrega por muito tempo.

Ontem fomos presenteados com o maravilhoso texto no Blog Ser Luminoso sabiamente intitulado de “A Mente doente, Roda da vida, 12 elos e...bambu”. O bambu é aquilo que equilibramos ao longo da vida, substituindo por outros quando o deixamos cair, semelhante a máscara que eu falei.  Segue um trecho do Arnaldo Preto: 

 

Eu até convidaria vocês a relacionarem os bambus que vocês estão equilibrando; lembrar que vocês já viveram sem esses bambus, já tiveram outros bambus. Mas ninguém consegue viver sem um bambu – está certo que podemos viver sem essa ou aquela pessoa, mas sem um bambu não dá! A nossa crise é essa: a pessoa fica sozinha por um tempo até que encontre um bambu, seja o qual for; Regra no. 1: Todos os bambus caem; não há bambu que não caia; então, se preparem! Uma alegria vem junto com um sofrimento. Quando deixo de equilibrar o bambu, os infernos se ampliam. Por quê? Porque o inferno é quando o bambu cai. 

E assim vamos levando a vida, cada um segurando o seu bambu, eventualmente substituindo por outros. Estar consciente de que tudo isso é tão passageiro quanto à dinâmica da vida já pode minimizar a carga de sofrimento que temos com a queda desses bambu, com o desprendimento das máscaras e da carapuça que vestimos ou empurramos aos outros. 

Podemos viver naturalmente sem máscaras e carapuças, mas sem o bambu já não sei. A grande essência do viver é largar todos estes esterótipos e viver com leveza, naturalidade. E nas situações adversas, quando você está onde não gostaria de estar, como me aconselhou sabiamente o Arnaldo Preto, apenas testemunhe. E é assim que eu vou levar a vida daqui pra frente. 

4 comentários:

Sissym disse...

Flor, como vai?

Hoje mesmo, no almoço, conversava com uns amigos sobre as várias faces das pessoas. Como nos relacionamos e como nos apresentamos. Muito interessante este texto e comparação de Arnaldo Preto. Nem todos se preocupam em ser mais transparentes, vestem mesmo uma mascara quando nao uma armadura.

Bjs

Mayara disse...

Oi Flor, tudo bem? Eu não sei viver sem meu bambu, e acho que dificilmente conseguiria. Tem aquela frase que diz que quem de define sem limita. Eu penso que precisamos nos definir pq o ser é infinito, coisa com a qual ainda não aprendemos a lidar! Um ótimo dia!

Tatá disse...

Olá Flor,

Que bela reflexão!!!
Lembro que em uma aluna de psicologia o professor nos falou sobre a origem da palavra persona, que era o nome da máscara que os gregos usavam no teatro.
Nossas personas/personalidade(s) são as muitas máscaras que usamos.

--**--

E sobre o bolo, acredito que tenhamos 'mão' para alguns tipos de comida. Eu, por exemplo, nunca acerto o molho.

Bjs

Flor Baez disse...

É verdade, Syssim! O título deste post deveria ser: As máscaras, carapuças, armaduras e bambus!!! rs

Oi Mayara! Quem se define, erra. Porque ninguém é, todos estamos! Viva a impermanência da vida!!! Beijos

Oi Tatá, interessante o significado da persona!!! rs É bem isso mesmo!

Quanto a cozinha, eu tenho mão boa para os pratos salgados! rs
Bjs