quarta-feira, 4 de julho de 2012

Das amizades no caminho do buscador



Gostaria de compartilhar com vocês alguns trechos e observações que fiz de um magnífico texto que li na Revista Filosofia, Ciência e Vida, do grande mestre André Bueno. Tenho uma afinidade incrível com as coisas que ele escreve.  Mas vamos continuar. O texto dele fala sobre sabedoria e amizade, e começa basicamente com uma indagação:

Será que investigar o íntimo para nos tornarmos melhores necessariamente exige o afastamento de todos?

Eu me pergunto isso praticamente todos os dias. Desde que resolvi realmente realizar grandes mudanças na minha vida, de hábitos a pensamentos, acabei de afastando de muitas pessoas, de muitos amigos. Por que esta “nova vida” de buscadora me tirou o apetite de freqüentar certos lugares e manter amizades com “certas pessoas”.  Quem está neste mesmo barco sabe exatamente do que eu estou falando. 

É preciso perder amigos para buscar a sabedoria? Essa é a grande questão do texto de André Bueno. Sobre o valor da amizade.  Certamente quando iniciamos o processo de mudança automaticamente a própria vida se encarrega desta limpeza, e de repente pessoas que faziam parte do nosso convívio já não fazem mais.

A solução parte da premissa de uma coerência harmônica. Aqueles 3 amigos de verdade que você tem e conta no dedo, é claro que vão continuar na sua vida mesmo que você more no Cazaquistão, há uma conexão amorosa que resiste ao tempo, a geografia e as diferenças de personalidade e objetivos.  Porém, em contrapartida, aquele fluxo constante de pessoas, de “amigos”, já não existirá mais, esta é a verdade. 

“Assim é que o sábio busca na amizade a realização do seu eu; na afinidade existente em torno da busca da sabedoria, ele encontra seus companheiros de viagem e pode, então, realizar plenamente o ‘Ren’, o humanismo”

Fico sem palavras. De repente, seu amigo é aquele que está na mesma busca, na mesma jornada que você. E será ele que vai fazer parte deste novo ciclo, desta nova jornada em busca da sabedoria e da auto realização. Amigos que se conectam por uma afinidade, algo muito natural e sutil. 

“Muitos de nossas associações não são coerentes com o que buscamos – é necessário, portanto, um autoexame profundo neste momento.”

Porque a amizade é uma busca comum. São pessoas que estão juntas compartilhando, vivendo, aprendendo, errando, no mesmo caminho. Com o passar do tempo isso fica mais nítido porque a maioria se afasta e segue seu rumo, uns ainda com alguma saudade e outros de coração vazio. Amigos que não estão na mesma trilha é inevitável que em certo momento a corda arrebente se cada um está puxando com força de um lado. Coisas da vida!

“O sentido profundo do valor da amizade não pode ser encontrado meramente na aparência ou no conhecimento de uma grande diversidade de companhias.”

Quem se acha amigo de todo mundo não é amigo de ninguém e experimenta uma verdadeira solidão que só é admitida lá no íntimo do coração. Grande diversidade de companhias não é garantia de qualidade, de amizade verdadeira e real. É aquele conceito bem popular, que amigo pra farra e bagunça todo mundo tem um monte. O problema é que esses relacionamentos são vazios e não avançam, porque não são construidos em pilares virtuosos.

Enquanto isso, eu vou seguindo minha jornada. Meio sozinha, meio acompanhada. Por que aquele manancial de amigos que eu tinha ficou para trás, mas o Caminho tratou de colocar um ali, outro acolá e estamos conectados por forças energéticas nada materiais.

14 comentários:

hannysaraiva disse...

"A solução parte da premissa de uma coerência harmônica. Aqueles 3 amigos de verdade que você tem e conta no dedo, é claro que vão continuar na sua vida mesmo que você more no Cazaquistão"

Isso é verdade. Tava comentando com uma amiga que talvez vá para outro lugar isso: "Nossa, isso é tão estranho. As pessoas que mais amo e que estão tão conectadas comigo, estão longe. Em outra cidade, em outro estado, em outro país. E sei que ir para longe é ficar bem, então fico feliz por eles, apesar de sentir falta. Às vezes fico até com medo quando me apego a uma pessoa perto, porque sei que se ela for minha amiga mesmo, ela também irá embora" E ela: "É verdade, vc não tem ninguém perto".

Os amigos que sei que se eu gritasse socorro viriam correndo estão espalhados no mundo e quando a gente se vê o sentimento parece inalterado até o fim.

Às vezes fico pensando se realmente mudamos ou nos adaptamos, porque o sentimento de viver e compartilhar com esses amigos, ainda continua lá, como se nunca tivesse se distanciado.

"mas o Caminho tratou de colocar um ali, outro acolá e estamos conectados por forças energéticas nada materiais."

E a vida corre =D

Mayara disse...

Oi Flor, seus textos são sempre valorosos e nos fazem pensar e balancear coisas necessárias e ao mesmo tempo dolorosas. Eu tenho poucos amigos, sempre tive, inclusive para farra. Creio que minha sintonia é um pouco complicada, porque afasto algumas pessoas pelos motivos que aos outros parecem os mais esdrúxulos, mas sinto em mim que simplesmente não era pra sermos próximos, como fazer? Um abraço e ate mais!

Agregador Teia disse...

Olá.
Seu blog é muito legal,gostei,parabéns.
Até mais

Sissym disse...

Flor, eu passei por isso e talvez ainda esteja no processo de auto-conhecimento. Realmente, me afastei de muitas pessoas, acontece que isso não mudou nada negativamente, pelo contrario.

Beijos

Loeni Mazzei disse...

Só fiquei com mais saudades de você!

Jimy Lage disse...
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Jimy Lage disse...
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Jimy Lage disse...
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Jimy Lage disse...
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Jimy Lage disse...
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Jimy Lage disse...

"o tempo é alheio a nossa vontade, se estivermos (ou não) a vontade"

Jimy Lage disse...
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Flor Baez disse...

É isso mesmo Hanny! Mesmo a distância não apaga a motivação de estar com eles, embora a vida material não colabore com encontros concretos, físicos e reais! rs Da vida, né! rs!

Oi Mayara! Complicado... Acho que isso é a sua intuição, que é mais sábia e mais sutil. Escutar a intuição é um ótimo caminho para se desviar dos erros, mesmo que as pessoas não compreendam isso. Beijos! :)

Obrigada, Agregador Teia! :)

Olá Sissyn! Ainda estou neste caminho sim, e é bem provável que para sempre! rs Tenho esperança que isso seja positivo mesmo! O tempo é sábio, nós não!Beijos

Loe, a saudade é muita e machuca! Penso muito em você! Há um amor que vai nos unir pra sempre, que passeia entre Niterói e Miguel Pereira! Te amo!

Jimy, Te amo!

Lucia Monteiro disse...

Oi filha!

sabes minha opinião sobre esse isolamento.
Vou te amar aqui, na China, em Cazaquistão, Marte, Vênus e até a eternidade.
To aqui! bjs