quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Encerrando 2012: sobre sonhos e crianças

2012 foi um ano de muitas surpresas e realização de alguns sonhos. Não imaginaria que minha vida daria uma guinada tão forte e tomaria os rumos que agora está tomando. Em janeiro tive e linda oportunidade de conhecer a Índia, olhar as pessoas, seus costumes, suas cores, seus cheiros. Foi sem dúvida o momento mais mágico e incrível até então, já que tudo o que eu li sobre o país foi ganhando contornos mais nítidos e ficando mais evidente a cada dia que eu perambulei por suas ruas. Espero um dia poder retornar, pois só Deus, que habita meu  íntimo sabe a falta (!) que eu sinto desse lugar. Coisa de outras vidas, sem dúvida. 




Em Setembro mais uma surpresa: descobri que vou ser mãe! De repente comecei a amar com todas as minhas forças alguém que ainda nem nasceu e a cada dia, cada semana me apresenta uma surpresa nova, seja uns quilinhos a mais, os chutinhos, os desejos e a responsabilidade de guiar uma alma nesse planeta tão denso, tão desigual. Só peço a Deus que nasça com saúde e que me dê sabedoria para que eu possa ser uma boa mãe. 




Se 2012 foi um ano de muitas surpresas, acho que eu não perco por esperar em 2013. Agradeço a vocês, meus amigos, que acompanharam minhas palavras, minhas reflexões, minhas angústias por aqui. Desejo que o próximo ciclo que já se inicia seja de transformação, crescimento e harmonia para todos nós.

Paz.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Clube do Livro: A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera




 A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, é sem dúvida um dos melhores livros que já li, apesar de no inicio ter tido certa desconfiança.  Já que esses livros ditos “obrigatórios” sempre acabam me decepcionando um pouco, como o “Apanhador do Campo de Centeio”.

Os diálogos, as reflexões dos personagens são verdadeiros néctares sobre nossas questões e crises existenciais, que durante a história são tratadas com profundidade.  A história circula entre a vida de quatro personagens, Franz, o professor universitário;  Sabine,artista plástica; Tomas, cirurgião conceituado; e Tereza, garçonete, fotografa e companheira de Tomas. 

Os quatro possuem dilemas em comum e têm suas vidas entrelaçadas, seus próprios dramas pessoais que enfrentam paralelamente junto com o regime totalitário da União Soviética. A complexidade dos personagens e os muitos ângulos que nos são apresentados, possibilitam que nós, leitores, possamos observar e refletir sobre diferentes perspectivas os dilemas existenciais dos personagens, que certamente também são nossos. Afinal de contas, quem nunca se questionou sobre a fugacidade da vida, o efêmero, a leveza, o peso, a densidade das coisas, dos fatos, as responsabilidades e os relacionamentos?! Todos nós em algum momento enfrentamos, mesmo que no foro íntimo, essas questões. Algumas vezes eu sentia alguma coisa de Sartre na leitura. 

O romance é apenas um condutor dos diálogos filosóficos, que em certas passagens somos acompanhados pelo próprio autor, que se posiciona sobre a história. Sem dúvidas um livro para ser lido e relido muitas vezes.

Alguns personagens ficam para sempre em nossas lembranças. Onde mora Hans Castorp, da Montanha Mágica, de Thomas Mann, agora mora também Tomas e Tereza.

 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A minoria na vida espiritual



Os assuntos do espírito, do transcendente, não são compreendidos pela maioria, para constatar basta começar a falar da espiritualidade com as pessoas e percebe-se claramente que poucas são as que estão familiarizadas ou sintonizadas com este tipo de tema. Na minha visão, isso ocorre porque esta maioria ainda está completamente submersa no mundo material e ainda não teve a necessidade ou vislumbre de emergir deste vasto oceano de ilusão

 Não digo com isso que apenas uma “aristocracia espiritual” seja verdadeira e legítima, mas como dizia o filósofo Luiz Felipe Pondé, “alguns tem algo que maioria não tem.”.  É um fato empírico que esta maioria ainda não está pronta para compreender a espiritualidade. Não é que falte inteligência, porque o entendimento desses assuntos está distante de ser relativo e/ou associado com a capacidade intelectiva do ser humano. Isso nada tem a ver com eruditismo, boa capacidade de memorização livresca, pelo contrário. Geralmente é na simplicidade que os mistérios da vida espiritual são revelados, talvez seja um dispositivo que habite o coração e a consciência de uma minoria desperta, que muitas vezes caminha sozinha, sem desfrutar da gratificação de ser compreendido. 

Por isso o silêncio ser tão valioso. Perceba que as pessoas que possuem este dispositivo são bastante silenciosas, não perdem tempo em discussões vazias em grupinhos. Elas falam para quem está realmente escutando, não só com o ouvido, mas com o coração aberto.  Elas têm o cuidado de não se expor, não “filosofar no lugar errado” e falar coisas por demais complicadas para pessoas que são, ainda que temporariamente, incapazes de compreender essas nuances tão sutis da espiritualidade.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O casamento hindu



O Casamento indiano é um verdadeiro espetáculo para os nossos sentidos. Para começar os trajes, que são de cores vibrantes cheio de brilhos. Branco nem pensar, é a cor do luto. O mais tradicional na Índia é casar com um saree vermelho e muitas jóias, muito ouro!

A festa pode durar até uma semana. O meu guia turístico em Delhi, Ramesh, nos contou que a festa de casamento dele durou exata uma semana. Começando na sua casa, com sua família e seguindo até a casa da noiva. A festa geralmente é aberta ao público, para todos os moradores do bairro, por isso custa tão caro casar na Índia. Inclusive entrei em um casamento em Varanasi. Fui muito bem recebida pela família, toda hora nos serviam apeitivos e bebidas e convidaram para tirar fotos com os noivos, foi sensacional! Eles acreditam ser bastante auspicioso quando estrangeiros chegam à festa do casamento. 

Atualmente ainda é muito comum o casamento arranjado. Inclusive nosso guia Ramesh teve sua esposa escolhida por seus pais e só a conheceu pessoalmente na véspera da cerimônia, após muitas consultas com o astrólogo e trocas de presentes. Quando perguntamos se ele era feliz, ele disse que sim, mas que a maioria das pessoas não tem a mesma sorte e felicidade que ele teve. Na Índia a dinâmica é diferente, primeiros se casam e depois aprendem a amar o outro. 

A cerimônia é cheia de simbologias ancestrais, como a troca de colares de flores, a noiva derruba  arroz na porta da casa do noivo para trazer boa sorte, a presença do fogo sagrado, Mehndi (henna) nos braços e nos pés, e por ai vai.  O casamento é visto como uma relação sagrada, onde o casal ajuda um ao outro ao seu desenvolvimento espiritual, é uma relação de almas antes de qualquer coisa. 

Ao contrário da nossa tradição, as esposas vão morar na casa da família do noivo. Não há qualquer privacidade. Casa-se com a família completa.

Quando estava em Varanasi, com o meu marido, fomos abordados por um guru que estava sentado nas escadarias dos Gats e ele nos perguntou se éramos oficialmente casados, eu disse que não e quando me dei conta ele já estava nos casando! As pessoas começaram a se aglomerar a nossa volta e o guru começou fazendo um ritual, que molhava nossa mão com as águas do ganges, nos fazia repetir mantras, escrever os mantras num caderno, etc. Quando a "cerimônia" terminou ele nos cobrou 500 rúpias. E nós nem tinhamos 500 rúpias naquela hora, ai oferecemos 300, ele aceitou, mas disse que eu só teria um filho. E todos os outros dias que nós caminhávamos pela beira do ganges ele nos olhava e fazia o número 1 com a mão. Jogando a praga do filho único.... rs

Foi bem engraçado. Abaixo segue uma foto nossa após o nosso casório a la indiana.
Depois da nossa foto, imagens aleatórias dos casamentos hindus. 








quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A receita mágica dos relacionamentos




Se existe algo muito complicado e complexto na vida do ser humano, isso se chama relacionamento. E não dou ênfase apenas na esfera conjugal, qualquer tipo é alvo de ruídos, convergências, primaveras e sínteses. 

Vivemos em uma sociedade em que as pessoas desaprenderam a viver sozinhas, e grande parte das  vivem não estão felizes e satisfeitas. Podem até esboçar que sim, mas você vê de longe que tem alguma coisa meio oca dentro da pessoa. A grande maioria, para não dizer todos nós, buscamos na companhia do outro o preenchimento de um vazio interior, que certamente jamais será preenchido através da consumação desta relação -  ele só será preenchido se nós mesmos aprendermos a viver com ele. Transferir a alguém a missão de satisfazer aquilo que nós não conseguimos sozinhos é utopia. 

Não estou dizendo com isso que os relacionamentos têm um caráter negativo ou sem valor, longe disso. Eles são verdadeiras salas de aula onde aprendemos o respeito, a tolerância, a compreensão, a paciência e por ai vai. 

A questão é que muitas vezes mantemos relacionamentos completamente caducos e aleijados apenas para não estarmos sozinhos. É como se algo estivesse morto e nós reivindicarmos a posse do moribundo para nós – um apego àquilo que já não funciona mais e não possui nenhuma vitalidade. Se não conseguimos sentir prazer e satisfação com a nossa própria companhia, o problema não está no outro e nem na relação, e sim com você! Isso mesmo, o problema é seu

Não é justo com ninguém depositar no outro a responsabilidade das suas frustrações e nem esperar que vá encontrar o verdadeiro Éden, fonte de regozijo apenas na presença de uma pessoa. O medo da solidão é tão exasperador  e repugnante, que grande parte dos indivíduos hoje, por exemplo, vivem casamentos mentirosos, onde ambos encenam um teatrinho para manterem as aparências e acabam afastando  a possibilidade de experimentar o alívio que seria retirar as suas máscaras, fechar a cortina e viver com mais autenticidade. 

Não adianta se orgulhar de que têm ótimas companhias, ótimo marido, ótimos amigos, ótimos familiares, ou que só a sua é o suficiente. É preciso se relacionar e saber viver em paz dentro da sua própria caverna, cultivar relações saudáveis, seja com quem for e ter a capacidade de se retirar a exílio quando é necessário. É como se dentro de cada um de nós houvesse um grande Himalaia a ser percorrido, para experimentarmos a delícia de sermos quem somos precisamos fazer esta peregrinação sozinhos para não descontar nos nossos relacionamentos as frustrações e amarguras da vida. 

E como disse meu professor de sociologia, Gilson Caroni, "Ninguém se separa por um mal-entendido. Mas muita gente permanece junta por um."