quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A receita mágica dos relacionamentos




Se existe algo muito complicado e complexto na vida do ser humano, isso se chama relacionamento. E não dou ênfase apenas na esfera conjugal, qualquer tipo é alvo de ruídos, convergências, primaveras e sínteses. 

Vivemos em uma sociedade em que as pessoas desaprenderam a viver sozinhas, e grande parte das  vivem não estão felizes e satisfeitas. Podem até esboçar que sim, mas você vê de longe que tem alguma coisa meio oca dentro da pessoa. A grande maioria, para não dizer todos nós, buscamos na companhia do outro o preenchimento de um vazio interior, que certamente jamais será preenchido através da consumação desta relação -  ele só será preenchido se nós mesmos aprendermos a viver com ele. Transferir a alguém a missão de satisfazer aquilo que nós não conseguimos sozinhos é utopia. 

Não estou dizendo com isso que os relacionamentos têm um caráter negativo ou sem valor, longe disso. Eles são verdadeiras salas de aula onde aprendemos o respeito, a tolerância, a compreensão, a paciência e por ai vai. 

A questão é que muitas vezes mantemos relacionamentos completamente caducos e aleijados apenas para não estarmos sozinhos. É como se algo estivesse morto e nós reivindicarmos a posse do moribundo para nós – um apego àquilo que já não funciona mais e não possui nenhuma vitalidade. Se não conseguimos sentir prazer e satisfação com a nossa própria companhia, o problema não está no outro e nem na relação, e sim com você! Isso mesmo, o problema é seu

Não é justo com ninguém depositar no outro a responsabilidade das suas frustrações e nem esperar que vá encontrar o verdadeiro Éden, fonte de regozijo apenas na presença de uma pessoa. O medo da solidão é tão exasperador  e repugnante, que grande parte dos indivíduos hoje, por exemplo, vivem casamentos mentirosos, onde ambos encenam um teatrinho para manterem as aparências e acabam afastando  a possibilidade de experimentar o alívio que seria retirar as suas máscaras, fechar a cortina e viver com mais autenticidade. 

Não adianta se orgulhar de que têm ótimas companhias, ótimo marido, ótimos amigos, ótimos familiares, ou que só a sua é o suficiente. É preciso se relacionar e saber viver em paz dentro da sua própria caverna, cultivar relações saudáveis, seja com quem for e ter a capacidade de se retirar a exílio quando é necessário. É como se dentro de cada um de nós houvesse um grande Himalaia a ser percorrido, para experimentarmos a delícia de sermos quem somos precisamos fazer esta peregrinação sozinhos para não descontar nos nossos relacionamentos as frustrações e amarguras da vida. 

E como disse meu professor de sociologia, Gilson Caroni, "Ninguém se separa por um mal-entendido. Mas muita gente permanece junta por um."

6 comentários:

Sissym disse...

Olá Florzinha,

Com certeza, é preciso saber se relacionar e tambem se amar. Quando nos respeitamos e somos verdadeiros, estamos abrindo portas para contatos duradouros.

Beijos

alexandre esteves disse...

oi menina Flor

Estou passado e descobrindo o seu espaço e começo por lhe dar os parabéns pelo seu blogue
Gostei da perspectiva deste seu texto, mais particularmente do último parágrafo onde de um modo brilhante apelidas de "Himalaias" a um nosso porto de abrigo capaz de, quando bem gerido, ser o equilíbrio. e o catalisador de toda uma nossa frustração

Beijo e muita inspiração

Flor Baez disse...

Olá Syssim, é isso mesmo. Precisamos ser verdadeiros com a gente para que possamos desfrutar dos relacionamentos.
Bjs
Flor

Oi Alexandre,
Obrigada pela visita, por ter gostado do blog! É assim que vejo o nosso interior, algo muito bonito, grandioso, mas muito misterioso e com alguns perigos.
Volte sempre, viu!
Bjs
Flor

Léia Silva disse...

Também acredito que se não conseguimos sentir prazer e satisfação com a nossa própria companhia, o problema em nós mesmos!
Se não nos amarmos e respeitarmos, não teremos como amar e respeitar o outro.
Abraços fraternos
Léia

Fernanda Mendes disse...

Em essência, temos a consciência de que existe um "universo interno" a ser vivenciado com contemplação. Manter-se elevado e coligado consigo, torna grandiosa a vivência com os demais. Quando identificarmos a divindade nos outros, adotaremos comportamentos mais saudáveis. Gratidão pelas palavras. Fernanda Mendes.

Fernanda Mendes disse...

Em essência, temos consciência do "universo interno" a ser vivenciado com contemplação. É preciso manter-se coligado consigo, identificando a divindade no outro para elevar a "consciência". Adotar um comportamento saudável e elevado é um exercício diário. Gratidão pelas palavras. Abraço, Fernanda Mendes.