terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Competir ou Cooperar



Uma das características mais insanas do sistema que vivemos hoje é a propagação exacerbada da competição. Basta ligar a televisão, abrir o jornal ou uma rede social que o que vemos são pessoas ávidas competindo uma com as outras, seja dentro do ambiente corporativo, esportivo ou social. E ainda há quem viva dando dicas e suporte de como ter um espírito competitivo. Tudo bem que para sobreviver nessa sociedade doente quem é competitivo acaba realmente em vantagem, pois superficialmente o mundo e as organizações foram feitos exatamente para esse tipo de pessoa e repare bem, o ambiente onde isso é mais visível certamente é mais hostil, pesado e cheio de indivíduos infelizes, frustrados e depressivos.  E tudo isso é o grande gerador de doenças e distúrbios.

Acompanhado desse espírito competitivo vem com ela a vontade salutar de constranger o semelhante, desqualifica-lo e fazê-lo com que se sinta inferior. E ao contrário do que pensa o senso comum, esse comportamento não é exclusivo em ambientes corporativos  é claro que é mais evidente, porque esses locais tem uma propensão de concentrar em maior quantidade pessoas cuja característica “competitiva” é uma qualidade, mas elas estão em todos os lugares: no seu trabalho, na sua roda de amigos, na sua família, e por ai vai.

Não entendo, sinceramente, o prazer que as pessoas sentem de competir com as outras. O mundo seria muito mais rico, mais diverso, mais harmônico se as pessoas simplesmente cooperassem uma com as outras. Pois cada indivíduo é único e possui habilidades, conhecimentos, pontos de vista particulares, próprios que são muito mais proveitosos quando divididos. Somente uma sociedade cooperativista é capaz de proporcionar uma convivência fraterna entre as pessoas. Precisamos apenas cooperar para o bom funcionamento da vida e não provar que somos melhores.  Como disse certa vez o amigo Fábio Goulart, não competir é uma questão de respeito próprio: ao seu tempo, à sua paz, à sua vida e ao seu talento.

Jamais esse sistema competitivo irá trazer paz de espírito, enriquecimento e harmonia, jamais.  Seja altruísta, solidário e esqueça essa mania de competir com os outros, você não é melhor do que ninguém. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Clube do Livro: Milagrário Pessoal, de Agualusa


Milagrário Pessoal, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, é daqueles livros que é bom você ler num dia só e não perder o fôlego. Os diálogos fascinantes despertam uma vontade imensa de mergulhar na história, sentar na varanda e ouvir de pertinho cada palavra dos personagens.

O livro conta a história de uma linguista cujo trabalho é recolher as novas palavras que surgem diariamente na língua portuguesa. Até que ela percebe que alguém está subvertendo a língua propositalmente inserindo neologismos de forma inescrupulosa, e pede ajuda de um professor. No meio dessa busca pelo o que de fato está acontecendo com o idioma os dois tem um breve romance, mas sem dúvidas o amor mais bonito que o livro conta é o dos personagens com a língua portuguesa. O que acontece entre eles pode passar como um leve e fluido pano de fundo, pois o mais envolvente é essa paixão que ambos nutrem, cada um da sua forma, pelo português e suas nuances e transformações.

O que é Milagrário Pessoal?! O professor tem um pequeno diário que ele escreve todos os dias os milagres que acontecem na vida dele. Daí veio o título do livro. Das coisas mágicas que acontecem no nosso dia a dia e nós não damos a menor importância, deixamos que passe despercebido.

Os diálogos são verdadeiras poesias que enchem nossos olhos e abrem nosso apetite de ler mais, de conhecer e sentir esse mesmo amor. Agora já estou com outro título do autor chamado "Um estranho em Goa" que vou começar a leitura a qualquer momento.

É claro que eu separei alguns trechos do Milagrário Pessoal para transcrever aqui.

"Há infinitos instantes, explicou. Neste eu estou um tigre. Tu, um homem. Noutro tu estás um tigre e eu um homem. Num seguinte estou eu uma larva e você pássaro que me devora. Estás depois um peixe e eu o pescador. Nada existe que não possa ser a cada momento algo diverso."

"As palavras, como os seres vivos, nascem de vocábulos anteriores, desenvolvem-se e fatalmente morrem. As mais afortunadas reproduzem-se." 

"Entre as palavras recém-nascidas, a taxa de mortalidade é elevada. Muitas padecem de graves defeitos congenitos. São frágeis, mal respiram, não resistem ao duro processo da seleção natural."




domingo, 20 de janeiro de 2013

Limpando o céu, o nosso templo interior


Nós nos esforçamos para nos manter conscientes e despertos, mas em determinados momentos da nossa vida o simples fato de manter a mente no presente representa um sacrifício e a vida parece correr como um sonho louco, algo desgovernado e fora do controle. É exatamente assim que vivemos quando não estamos cônscios da realidade, tudo parece uma grande confusão.

Eu, neste exato momento estou experimentando isso. Talvez pelos hormônios extras que estão circulando pelo meu corpo e a ansiosidade da maternidade que esteja me deixando assim. É incrível como você fica  sensível e as coisas ganham contornos mais nítidos e tudo parece maior do que realmente é. Confesso que está muito difícil manter minha mente alerta, minha consciência no presente e desperta. Tenho experimentado tristezas e alegrias profundas e meu humor oscila. Tudo parece um grande deserto.

Coisas e situações que eu não daria importância ganham vida própria na minha cabeça, uma novela. Um saco! Nem eu tenho me aguentado nas últimas semanas e encontrar o retorno para a tranquilidade e a paz de espírito se tornou o meu objetivo neste momento. Sabe quando você acorda disposta a ir tirando as ervas daninhas que vão crescendo dentro de nós quando nos abandonamos?! É isso que vou fazer agora, porque tenho plena consciência de que esse não é o meu estado natural e que eu preciso resolver isso sozinha, eu e eu, eu e deus.

A vida é mais, a ilusão é menos. Estamos sozinhos nessa jornada e precisamos apenas de um pouco de estímulo, força de vontade e amor próprio para entendermos que a tranquilidade é que é a chave para uma vida feliz, uma vida serena. Esses picos de alegria e tristezas são tão inconstantes quanto a fumaça e não podemos nos enganar quanto isso.

A mente tem muitos venenos e não precisamos de mais ninguém para contaminar nosso santuário anterior, nós mesmos é que nos sabotamos e poluímos nosso Ser com pensamentos pessimistas e da mesma forma, a limpeza só pode ser feita por nós.

Agora é tempo de colocar a mão na massa, a teoria na prática e arrancar essas ervas daninhas que cresceram e dar mais atenção ao jardim. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Não comprem no RECANTO DAS AVES


Vim aqui fazer um post de alerta para os criadores de aves do Brasil.
Meu marido cria galinhas e eventualmente compra ovos férteis para chocar. 

Depois de gastar quase R$150 de ovos no site "RECANTO DAS AVES", os ovos chegaram porém NENHUM eclodiu! Quando fomos fazer a queixa com o criador ele nos deu a seguinte resposta, que por sinal bem mal criada para alguém que lida com público, comércio, essas coisas.

Apenas respondi sua pergunta , como se faz para comprar ..., Ovos não
existe garantia de nascimento pois isto depende de varios fatores , quem
não deseja correr o risco , aconselho a comprar as aves !

Att Lucas


Por isso, quando for comprar no site RECANTO DAS AVES, pense duas vezes. Só faça isso se o dinheiro estiver realmente sobrando e você for um sortudo. Porque não é possível, entre dezenas de ovos NENHUM eclodir. Isso é típico de golpistas da internet. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Erudição, inteligência e sabedoria




Em tempos de Big Brother o Facebook ferve, ferve de pessoas com ânimos exaltados que ora odeiam ou amam programa. Vi todos os tipos de argumentos contra e a favor, eu particularmente me excluo desse debate, pois esse tipo de entretenimento não me interessa.  Tenho livros pra ler, casa para arrumar, janta pra fazer, um bebê chegando, animais que precisam de minha atenção e cuidado, ou seja: já tenho distrações demais. 

Alguns que assumem assistir o programa (porque tem muita gente que assiste, torce o nariz e esconde como se fosse um crime) se justificam com um discurso de que lê muito, tem fluência em línguas, tem mestrado, seu autor predileto é Machado de Assis, mas assiste Big Brother. Qual é o problema?

Dei uma volta no programa para chegar aqui. Só uma questão me interessa nesse assunto: o que é erudição, inteligência e sabedoria?! São três qualidades muito distintas. Já vi muita gente inteligente e erudita, mas completamente tola. Dominar mil idiomas, ler 5 livros por mês não faz de ninguém um sábio, às vezes um inteligente, mas mesmo assim não há nenhuma garantia nisso. Nas biografias dos gênios podemos ver muitos inteligentíssimos, grandes cientistas, filósofos, que fizeram grandes descobertas, mas que não foram capazes de resolver seus próprios dilemas e foram pessoas infelizes e tiveram um fim trágico

 A sabedoria é o supra-sumo da inteligência porque ela não é fragmentada, não é feita de especialidades, de pequenos conceitos. A sabedoria é total, ela consegue conectar fatos, conceitos, ações numa única visão, algo holístico mesmo e ela não depende da formalidade da educação, não é pré-requisito ter um doutorado para ser sábio, sua bagagem vai muito além disso. A inteligência é vantajosa nesse mundo desigual em que vivemos, pois ela nos garante status, nos dá a sensação de superioridade e grandeza e tudo isso amacia nosso ego. Mas é a sabedoria que pode realmente nos proporcionar a paz de espírito, a tranqüilidade, simplesmente porque ela nos tira dessa corrida ensandecida pela competição, de ser melhor do que o outro, de ter mais. Ela tira todo esse peso imaginário das costas e nos mostra que a vida pode ser muito mais simples e bela do que imagina nossa mente iludida. 

O referencial não deve ser o acúmulo de informações e sim a felicidade genuína, que só pode ser alcançada através da sabedoria. Há quem diga que o mundo não precisa mais de pessoas inteligentes e não precisa mais de Big Brother.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Curiosos hábitos Jainistas



 
Nesse meu interesse pela cultura e filosofias da Índia, eventualmente me deparei nos livros com o Jainismo, uma antiga religião, que assim como o Budismo (a única semelhança) negam a existência de um deus supremo.  É uma religião pré-ariana e nega as autoridades dos Vedas e das escrituras do hinduísmo. 

Na tradição jaina há 24 Tirthankaras (anunciadores da salvação), sendo o mais conhecido deles, o Mahavira, que vivia em rigoroso ascetismo.  O estilo de vida de um adepto jainista é bastante rígido. Como ressaltou Mircea Eliade, na obra “História das crenças e das idéias religiosas.”, um traço característico da filosofia jaina é o pampsiquismo, que significa que tudo o que existe possui uma alma, assim como os animais, as pedras, plantas, gotas d’água e por ai vai. O respeito a vida é por isso o mandamento mais importante e deve ser observado com bastante atenção, por isso os jainistas quando se iniciam recebem uma tigela de esmolas, uma vassoura (para que ele possa ir varrendo o caminho e afastar os insetos) e uma máscara de musselina para cobrir a própria boca a fim de evitar que um inseto seja engolido. E eles devem obedecer a 5 votos:
1.       Poupar toda e qualquer vida
2.       Dizer sempre a verdade
3.       Nada possuir
4.       Nada adquirir
5.       Permanecer casto

Na leitura que fiz do livro “Filosofias da Índia”, de Heinrich Zimmer ele cita um exemplo curioso. Por exemplo, se alguém joga um jaina no mar ou num lago ele não deve subir a superfície com braçadas fortes e violentas, pois esta ação agita as moléculas de água. O que ele deve fazer o menor movimento possível para chegar à superfície.  

E fica proibido que saiam após o pôr do sol e beber água durante a noite, tudo isso para evitar que vidas sejam mortas.  Matar, mesmo que acidentalmente, turva a mônada vital do indivíduo e o objetivo do praticante Jaina é manter pura ou aproximar sua mônada vital o máximo possível da pureza.

“O monge jaina não se permite reagir ante qualquer evento que aflija sua pessoa ou que aconteça diante dele. Sujeita seu físico e sua psique a um rigoroso treino de distanciamento ascético e chega realmente a ser indiferente às investidas do prazer e da dor.”

Zimmer, Heinrich. Filosofias da Índia. São Paulo. Editora Palas Athena. Pág. 185.

Obviamente que tudo isso tem um sentido dentro da sua filosofia e da sua tradição. É muito interessante conhecer os moldes do pensamento jainista, que é profundamente rico e também extremamente radical e pessimista.Veja que interessante o ponto de vista da criação do mundo, segundo os jainas.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Oração Karuna do Perdão


Hoje vou reproduzir a Oração Karuna do Perdão, que li no maravilhoso Blog Ser Luminoso, do Arnaldo Preto, que sempre cito por aqui. 

O perdão é díficil, mas é necessário para uma vida de paz e uma mente tranquila. Não necessariamente precisamos esperar o pedido oficial de perdão para perdoarmos aqueles que de alguma forma nos machucaram. O coração pode fazer esse trabalho sozinho, apesar da nossa 'resistência'.

Abaixo segue a Oração Karuna do Perdão:

A partir deste momento, eu perdôo todas as pessoas que, de alguma forma, me ofenderam, me machucaram ou me causaram alguma dificuldade desnecessária. Perdôo sinceramente quem me rejeitou, me entristeceu, me abandonou, me humilhou, me amedrontou ou me iludiu. 
Perdôo, especialmente, quem me provocou, até que eu perdesse a paciência e acabasse reagindo agressivamente, para depois me fazer sentir vergonha, culpa, ou simplesmente, me sentir uma pessoa inadequada.

Reconheço que também fui responsável por estas situações, pois muitas vezes confiei em indivíduos negativos, escolhi usar mal minha inteligência e permiti que descarregassem sobre mim suas amarguras, suas histórias, seus traumas e seu mau humor.  Por tempo demais suportei tratamento indigno, humilhações, medo, grosserias e desamor, perdendo muito tempo e energia, na tentativa de conseguir um bom relacionamento com essas criaturas. Agora, me sinto livre da necessidade compulsiva de sofrer e livre da obrigação de conviver com pessoas e ambientes que me diminuem e, principalmente, destas pessoas que se sentem incomodadas com a minha presença e a minha energia. 
 
Iniciei, agora, uma nova etapa na minha vida em companhia de gente mais positiva, cheia de boas intenções, gente amiga, que se preocupa em ser saudável, alegre, próspera e iluminada. Gente preocupada em melhorar a qualidade de vida não só a nossa, mas de todo o planeta. 
Queremos compartilhar sentimentos nobres, aprendendo uns com os outros e nos ajudando mutuamente, enquanto trabalhamos pelo nosso progresso material e nossa evolução espiritual sempre procurando difundir nossas idéias de unidade, de paz e de amor. Procurarei valorizar sempre todas as conquistas que fiz e o amor que tenho em mim, evitando todas queixas desnecessárias, que me seguram nesta freqüência, de onde já consegui sair.
 
Se, por um acaso, eu tornar a pensar nestas pessoas com quem ainda tenho dificuldade de convivência, lembrarei que elas todas já estão perdoadas.  Embora eu não me sinta na obrigação de trazê-las novamente para minha intimidade, eu o farei, se elas demonstrarem interesse em entrar em sintonia.
 
Agradeço pelas dificuldades que elas me causaram, pois isso me desafiou e me ajudou a evoluir, do nível humano comum, a um nível de maior amor e compaixão, maior consciência, em que procuro viver hoje.
Quando eu tornar a lembrar destas pessoas que me fizeram sofrer, procurarei valorizar suas qualidades e também liberá-las, pedindo ao Criador que também as perdoe, evitando que elas sofram pela lei de causa e efeito, nesta vida ou em outras. 

Também compreendo as pessoas que rejeitaram meu amor e minhas boas intenções, pois reconheço que é um direito de cada um, não poder ou não querer corresponder ao meu amor. Faça agora uma pausa e respire profundamente por algumas vezes para acumular energia...  Quando se sentir pronto(a) continue.
 
Agora, sinceramente, peço perdão a todas as pessoas a quem, de alguma forma consciente ou inconsciente, magoei, prejudiquei ou fiz sofrer. Analisando o que fiz ao longo da minha vida, sei que minhas intenções foram boas, embora nem sempre tenha acertado e que, estas coisas que fiz de bom, são suficientes para resgatar a dor do meu aprendizado, ainda deixando um saldo positivo ao meu favor.
 
Sinto-me em paz com minha consciência. (de cabeça erguida, respiro profundamente - prendo o ar -  e me concentro para enviar uma corrente de energia destinada ao meu EU SUPERIOR) Ao relaxar, minhas sensações revelam que este contato foi estabelecido.
 
Agora, dirijo uma mensagem de fé, ao meu EU SUPERIOR, pedindo orientação, proteção e ajuda para a realização, de um modo acelerado, de um projeto muito importante que estou mentalizando e para o qual estou trabalhando com dedicação e amor. (citar o projeto) e que será, com certeza, para o bem maior de todos os envolvidos.

Também peço que minha fé seja firme e que eu possa, cada vez mais, tornar-me um canal, uma conexão permanente com os Seres de Luz, desenvolvendo todos os potenciais que possam facilitar esta comunicação. 

Que eu perceba todas as respostas às minhas perguntas e dúvidas, reconhecendo os sinais claros que estiver recebendo, sempre protegida e amparada pelo Universo. 
Agradeço, de todo o coração, a todas as pessoas que me ajudaram e me comprometo a retribuir trabalhando para o bem do próximo, para sua alegria, seu bem-estar, atuando como agente catalisador de harmonia, entendimento, saúde, crescimento, entusiasmo, prosperidade e auto-realização.

Tudo farei sempre em harmonia com as leis da natureza e com a permissão do nosso Criador eterno e infinito que sinto como único poder real, atuante dentro e fora de mim.

ASSIM SEJA E ASSIM SERÁ."

Aproveitem e façam uma visita ao Ser Luminoso!  

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A morte mística e a morte espiritual


Lendo o livro "No Limiar do Mistério", organizado por Faustino Teixeira, li um artigo muito instigante, Rumi: a paixão pela unidade.

Uma parte que me provocou profundas reflexões foi sobre o morrer antes de morrer. Mas o que seria isso?! Para o poeta místico sufi, Rumi, morrer antes da morte física é a condição necessária para alcançarmos a unidade, deus ou a iluminação, como você preferir chamar isso. Somente abandonando o 'eu' é que se pode chegar a Deus.

"Não é simples o itinerário que leva o sujeito ao encontro do Amado. Como mostra Rumi, o Amado está sempre disponível e presente, ao alcance de uma acolhida. O amante jamais busca o Amado sem ser antes buscado por ele. O que ocorre, porém, é que nem sempre o sujeito encontrap-se preparado e disponível para abraçá-lo. Há entre ele e o Amado o elo limitador do eu. Para Rumi, enquanto o ser humano não destrói o seu eu não consegue ser verdadeiramente um amigo de Deus."

Teixeira, Faustino. Rumi: a paixão pela unidade. No Limiar do Mistério. Editora Paulinas

É o renascimento espiritual. Só poderíamos dar a 'missão' como cumprida se alcançarmos a completa desintegração da superficialidade do ego, que é o verdadeiro obstáculo na transmutação do Ser e para chegar de encontro a Deus.

Na prática isso se dá na dissolução de sentimentos como a ira, inveja, orgulho, ignorância e os demais atributos que nos impede de obter verdadeiros avanços na vida espiritual. Segundo Faustino Teixeira, para Rumi, o conhecimento adquirido pelos sentidos e não pela experiência mística é um conhecimento fragilizado e temporário, como a maquiagem das damas.

Somente a inspiração divina é capaz de se aproximar de Deus. Nossos sentidos tão limitados não são capazes de alcançar a grandeza e a magnitude da unidade transcendente chamada Deus. Não é atravpes de estratagemas intelectuais e pela fragilidade dos órgãos sensoriais que iremos vivenciar os vislumbres místicos. Somente deixando-os de lado é possível experimentar esse contato com a Unidade, segundo Rumi.