quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A morte mística e a morte espiritual


Lendo o livro "No Limiar do Mistério", organizado por Faustino Teixeira, li um artigo muito instigante, Rumi: a paixão pela unidade.

Uma parte que me provocou profundas reflexões foi sobre o morrer antes de morrer. Mas o que seria isso?! Para o poeta místico sufi, Rumi, morrer antes da morte física é a condição necessária para alcançarmos a unidade, deus ou a iluminação, como você preferir chamar isso. Somente abandonando o 'eu' é que se pode chegar a Deus.

"Não é simples o itinerário que leva o sujeito ao encontro do Amado. Como mostra Rumi, o Amado está sempre disponível e presente, ao alcance de uma acolhida. O amante jamais busca o Amado sem ser antes buscado por ele. O que ocorre, porém, é que nem sempre o sujeito encontrap-se preparado e disponível para abraçá-lo. Há entre ele e o Amado o elo limitador do eu. Para Rumi, enquanto o ser humano não destrói o seu eu não consegue ser verdadeiramente um amigo de Deus."

Teixeira, Faustino. Rumi: a paixão pela unidade. No Limiar do Mistério. Editora Paulinas

É o renascimento espiritual. Só poderíamos dar a 'missão' como cumprida se alcançarmos a completa desintegração da superficialidade do ego, que é o verdadeiro obstáculo na transmutação do Ser e para chegar de encontro a Deus.

Na prática isso se dá na dissolução de sentimentos como a ira, inveja, orgulho, ignorância e os demais atributos que nos impede de obter verdadeiros avanços na vida espiritual. Segundo Faustino Teixeira, para Rumi, o conhecimento adquirido pelos sentidos e não pela experiência mística é um conhecimento fragilizado e temporário, como a maquiagem das damas.

Somente a inspiração divina é capaz de se aproximar de Deus. Nossos sentidos tão limitados não são capazes de alcançar a grandeza e a magnitude da unidade transcendente chamada Deus. Não é atravpes de estratagemas intelectuais e pela fragilidade dos órgãos sensoriais que iremos vivenciar os vislumbres místicos. Somente deixando-os de lado é possível experimentar esse contato com a Unidade, segundo Rumi.

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