terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Curiosos hábitos Jainistas



 
Nesse meu interesse pela cultura e filosofias da Índia, eventualmente me deparei nos livros com o Jainismo, uma antiga religião, que assim como o Budismo (a única semelhança) negam a existência de um deus supremo.  É uma religião pré-ariana e nega as autoridades dos Vedas e das escrituras do hinduísmo. 

Na tradição jaina há 24 Tirthankaras (anunciadores da salvação), sendo o mais conhecido deles, o Mahavira, que vivia em rigoroso ascetismo.  O estilo de vida de um adepto jainista é bastante rígido. Como ressaltou Mircea Eliade, na obra “História das crenças e das idéias religiosas.”, um traço característico da filosofia jaina é o pampsiquismo, que significa que tudo o que existe possui uma alma, assim como os animais, as pedras, plantas, gotas d’água e por ai vai. O respeito a vida é por isso o mandamento mais importante e deve ser observado com bastante atenção, por isso os jainistas quando se iniciam recebem uma tigela de esmolas, uma vassoura (para que ele possa ir varrendo o caminho e afastar os insetos) e uma máscara de musselina para cobrir a própria boca a fim de evitar que um inseto seja engolido. E eles devem obedecer a 5 votos:
1.       Poupar toda e qualquer vida
2.       Dizer sempre a verdade
3.       Nada possuir
4.       Nada adquirir
5.       Permanecer casto

Na leitura que fiz do livro “Filosofias da Índia”, de Heinrich Zimmer ele cita um exemplo curioso. Por exemplo, se alguém joga um jaina no mar ou num lago ele não deve subir a superfície com braçadas fortes e violentas, pois esta ação agita as moléculas de água. O que ele deve fazer o menor movimento possível para chegar à superfície.  

E fica proibido que saiam após o pôr do sol e beber água durante a noite, tudo isso para evitar que vidas sejam mortas.  Matar, mesmo que acidentalmente, turva a mônada vital do indivíduo e o objetivo do praticante Jaina é manter pura ou aproximar sua mônada vital o máximo possível da pureza.

“O monge jaina não se permite reagir ante qualquer evento que aflija sua pessoa ou que aconteça diante dele. Sujeita seu físico e sua psique a um rigoroso treino de distanciamento ascético e chega realmente a ser indiferente às investidas do prazer e da dor.”

Zimmer, Heinrich. Filosofias da Índia. São Paulo. Editora Palas Athena. Pág. 185.

Obviamente que tudo isso tem um sentido dentro da sua filosofia e da sua tradição. É muito interessante conhecer os moldes do pensamento jainista, que é profundamente rico e também extremamente radical e pessimista.Veja que interessante o ponto de vista da criação do mundo, segundo os jainas.

2 comentários:

norma disse...

Estou em dúvida se se chama O Navegador ou O Navegante (The Journeyer do Gary Jennings – reconhecido por suas minunciosas pesquisas) onde há uma passagem (que me impressionou vivamente e de forma negativa, tanto que não a esqueci), onde Marco Polo chega a um Mosteiro e conhece um monge num processo (?) de eliminação de ego e esvaziamento da mente. Essa anulação consistia na amputação dos membros superiores e inferiores. M.Polo conhece o venerado monge em seu cesto suspenso por cordas e se admira de ver aquele ser composto apenas de tronco e cabeça em tal serenidade…

Pois, nesse mesmo livro, travei contato com a filosofia Janista, também, de forma impressionante.
Um monge, com uma ferida aberta, derruba um verme que está a lhe comer vivo. Pega-o de volta, se desculpando, e o recoloca no mesmo local....

E aí, querida, enquanto lia o teu Post, pelo qual agradeço, lembrava-me do acima e de uma frase do Drummond:

Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar. (C.Drummond de Andrade)
Há que se respeitar o direito de ser tão diferente sem julgar.
Fiquem bem, Norma

Flor Baez disse...

Oi Norma! Que impactante! Não conheço esse livro, interessante!

Todo o ser humano é um estranho ímpar, mesmo. E é essa diversidade que faz a vida tão interessante.

O jainismo sempre impressiona, né! rs

Bjs
Paz,
Flor