terça-feira, 12 de março de 2013

Navegando na superficialidade: o perigoso oceano do senso comum




Fruto de uma educação mercantilista e fluída, como diria Bauman, o homem, ou seja, 97,5% dos mortais, eu arriscaria, navegam na superficialidade da vida. Submersos no seu cotidiano e completamente anêmicos, embora não percebam, diante das sutilezas e grandezas do estar vivo. Sua atenção está voltada somente para funcionalidade das coisas, que nos fins de semana são teoricamente dispensadas para dar lugar ao entretenimento, que é tão sem conteúdo, tão vazio, que só revela ainda mais o seu vácuo existencial.

Esse homem do senso-comum não vê mais nada a ser explorado, porque o mundo se apresenta como algo de contornos já definidos e sua compreensão, comportamento, decisões, posicionamentos acabam por ser previsíveis demais. Um espírito aprisionado ao funcional, escravizado aos ditames proclamados pela maioria e refém de uma sociedade que consome e se apropria indiscriminadamente de tudo de forma irreflexiva e ainda assim se porta de maneira presunçosa e altiva frente ao que é diferente do seu modo de vida. 

Esse vasto universo da superficialidade só revela como a ideologia dominante tem a capacidade de sedar as pessoas, todos pensando igual, acreditando que sua postura é digna, sendo que na maioria das vezes é somente degradante, só que não tem ninguém para alertá-lo disso. 

Para escapar desse reducionismo é preciso muito mais do que questionar, duvidar. É preciso aceitar que não somos detentores da verdade, da razão, e que erramos muitas vezes, que precisamos mudar o ângulo, o foco, a paisagem, de quando em vez e não se limitar a aceitar tudo o que é nos oferecido, por mais que seja de bom grado. E também deixar de lado essa postura permissiva, indiferente e hedonista que domina nosso Ser, pois isso só destrói nossos propósitos e nos afasta da riqueza e diversidade da vida. As coisas não são imutáveis, elas estão o tempo todo em estado profundo de transformação e você pode participar de tudo isso, bastando apenas não se entregar para a frivolidade do senso comum de que tudo é do jeito que é e acabou.

Finalizamos com passagem pertinente do sábio Einstein: "O senso comum é a coleção de preconceitos que adquirimos antes dos dezoito anos."

Um comentário:

Brunno Lopez disse...

Além de uma reflexão oportuna, que belíssima escolha de palavras.
Não existe nada que eu posso acrescentar a todo esse desfile de palavras tão bem organizadas.
Quanta verdade sincronizada, quanta honestidade afinada.
O raciocínio está perfeito.

Não dá pra não vir aqui sem conseguir um pouco dessa transformação que você pede no texto.