sexta-feira, 24 de maio de 2013

Meditando a Vida




Foto: Juliana Nabuco

Meditando a Vida é um precioso livro do querido Lama Padma Samten, que desenvolve um “guia” de como transformar os ensinamentos de Buda em ações dentro do nosso cotidiano, tarefa que parece fácil, mas é difícil.  O Lama enfatiza que a vida espiritual só faz sentido quando aprendemos a transportar suas bases para o dia-a-dia, na convivência com as pessoas, na nossa conduta perante a aparição dos obstáculos e por ai vai. 

Ficar sentado meditando e achando que todo o mundo está errado e se esquivando de se relacionar com o mundo,  não é a conduta correta para quem realmente deseja  obter progresso espiritual real, pois é justamente na nossa atuação dentro do mundo que temos a oportunidade de transformar os ensinamentos que aprendemos em atitudes e exercitar, viver o dharma. Por mais que o estado de meditação nos provoque prazer, uma sensação de paz e preenchimento, não podemos nos apegar nem a essas sensações, pois tudo é impermanência. 

Durante a narrativa, Lama Padma Samten fala sobre a natureza do sofrimento, que é a irmã gêmea da ignorância, da nossa postura rígida, das nossas fixações, que obviamente não são totalmente atendidas e com isso geram dor. Só compreendendo a essência da impermanência é que podemos sair desse estado, ou ao menos, tomar consciência dele. Não podemos repousa naquilo que é instável. 

Somos motivados por ventos internos. O que são esses ventos internos? Por exemplo, temos vontade de comprar uma coisa e compramos, mas após a posse do objeto desejado ele perde o seu encanto. Lama Padma Samten diz que somos motivados a comprar não pela a coisa em si, mas por ventos internos que despertam dentro de nós, mas que vão embora logo que temos o nosso desejo realizado. 

“Cada pequeno objeto, cada pedrinha da paisagem, tem uma correspondência interna em nós na forma de energias que percorrem nosso corpo e nervos. A isso chamamos de “ventos internos”. Nosso apego não é às coisas, mas aos ventos internos que elas provocam.”

Gosto muito dos ensinamentos budistas porque os vejo de uma forma muito clara, objetiva, que são totalmente aplicáveis no nosso dia-a-dia. Ler as pérolas do Lama Padma Samten nos dá mais motivação, mais força, equilíbrio, equanimidade para enfrentar as dificuldades.  Mas é importante saber que a preciosidade não está nos livros e sim no que você faz após a leitura com o que aprendeu com eles. 

“Os ensinamentos do Buda são como remédios – após a cura não são mais necessários.”

"Em nossas vida há dias em que tudo parece torto. Quando você tiver essa experiência,  procure sentar um pouco e respirar devagar e profundamente uma vez, uma única vez. Tudo muda."

"Conter-se não é uma solução definitiva, não adianta criar uma tampa interna; isso não elimina a perturbação."

"Se a pessoa pratica uma hora de meditação e vinte três horas de iniquidades,  não adianta.  A meditação é inseparável do nosso cotidiano e da motivação das nossas ações. É ela que trará profundidade à visão, permitindo a transformação de qualqurt ação em prática espiritual."

segunda-feira, 13 de maio de 2013

As práticas espirituais só adquirem sentido na vida cotidiana




" As práticas espirituais só adquirem sentido na vida cotidiana. A relação com nossos pais, esposa, marido, filhos, colegas de trabalho e demais seres em todos os planos da existência, material e sutil, é o verdadeiro termômetro da prática. Um sinal de que algo está errado é nos considerarmos espiritualizados, praticantes disciplinados e zelosos, e, ainda assim, sermos tomados por desinteresse e falta de compaixão em relação aos seres que nos rodeiam. 

No sentido último, o isolamento e a prática formal são artificialidades - só se justificam por eventualmente proporcionarem  a remoção de obstáculos. São remédios, têm princípios ativos, e, por isso, também efeitos colaterais. Quanto antes nos livrarmos dos remédios e atingirmos nossa condição natural de saúde, tanto melhor. Todas as construções espirituais, ainda que meritórias, são esponja, água e sabão, ou seja, dispensáveis ao final da limpeza."

Lama Padma Pamtem. Meditando a Vida. Editora Peirópolis.  São Paulo, 2001.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Investigação a respeito de si





Estamos tão envolvidos nas situações corriqueiras da vida que raramente dispomos de um tempo para fazer uma reflexão sobre quem somos, como anda nossa vida, se a forma como foi conduzida está de acordo com o que planejamos/desejamos e por ai vai. Vamos caminhando aos tropeços sem enxergar propriamente para onde estamos indo e geralmente quando isso acontece parece que vamos dando mais nós na corda do que desfazendo os já existentes. E quando caímos em si, nos perguntamos: o que está acontecendo? Ai desencadeia o sofrimento e se tivermos um pouquinho de equilíbrio e maturidade emocional, podemos transformar esse sofrimento em aprendizado e iniciar uma nova jornada. 

Porque às vezes tudo o que precisamos é descartar os velhos e conhecidos padrões que seguimos e nos atirar no abismo do novo, arriscar, se entregar as mudanças, provocar as mudanças e tentar (mais uma vez, que seja!) construir uma vida diferente. Afinal de contas, é um grande desperdício passarmos anos, meses, tempos e tempos no marasmo, insatisfeitos, inertes como se a vida fosse isso mesmo. Não, não é. A vida é aquilo que somos, que fazemos dela e se você não faz nada por ela, dificilmente ela irá fazer por você. O movimento está em nossas mãos e é de nossa responsabilidade, nada se move sozinho. Descoberto isso fica mais fácil arregaçar as mangas. 

Em algumas circunstancias percebemos que estamos no lugar errado, com as pessoas erradas, fazendo algo que não nos oferece prazer, satisfação, alegria. Essa é a hora de mudar, não podemos jamais aceitar que as coisas devem ser como são e ponto, isso seria um atentado contra a vida. Se contentar com algo que não está funcionando é abafar todo o nosso potencial e não deixar florescer aquilo que tem de melhor dentro de nós. Por isso precisamos de quando em vez pararmos para fazer uma profunda investigação sobre quem somos, o que sonhamos, o que fizemos e o que pode ser feito daqui pra frente.

Temos medo das mudanças porque elas nos desafiam a olhar de maneira diferente, instiga nossa criatividade e nos faz pisar em territórios desconhecidos. Mas só podemos obter resultados diferentes, explorando alternativas diferentes de viver. Só podemos ver uma mudança no nosso dia-a-dia se tomarmos vias desconhecidas e abandonarmos o nosso velho e condicional universo, que ao mesmo tempo em que proporciona segurança, também proporciona o tédio, um vazio existencial, um marasmo sem fim. 

Nunca é tarde para arriscar, para fazer uma nova escolha, para mudar de cidade, de profissão, de círculo, de companhia. Escutar o coração, seguir a intuição e ser feliz é a meta – arrisque mais. É o movimento que faz a vida ser dinâmica, fluída, heterogênea. Movimento só é possível escolhendo, arriscando, acertando, errando, aprendendo.