segunda-feira, 24 de junho de 2013

O objetivo maior



Quantas vezes já li nessa internet a fora aquela frase: “Para quem não sabe aonde ir qualquer caminho serve”. É muito importante termos claras perspectivas do que queremos para a nossa vida, caso contrário viver se torna um samba do crioulo doido, uma série de eventos desconexos que não ajudam a fincarmos os nossos alicerces, a nos fortalecermos. Não é de todo o mal fincar raízes. 

Quando temos objetivos claros e definidos é mais fácil a caminhada, quando ainda não sabemos muito bem o que desejamos/esperamos o melhor é fazer uma profunda reflexão, adentrar na profundidade do nosso ser e encontrar o que está perdido. Traçar metas para curto, médio e longo prazo nos ajuda a manter o entusiasmo, o foco. Mas por favor, sem metas paranóicas. Após definido o plano maior, nada melhor do que a paciência para uma execução leve e serena. Ao contrário do que o mundo pede, não precisamos ter pressa. A pressa só atrapalha, confunde, te tira do seu estado natural de equilíbrio e te leva a querer mil coisas de uma vez, de maneira caótica. 

As vezes temos todas as oportunidades do mundo nas nossas mãos e não nos damos conta disso no tempo "certo", no instante-já, como dizia Clarice Lispector. Quando percebemos pode ser tarde demais,  ou melhor, não tão fácil quanto poderia ter sido. Agora já não importa o tempo desperdiçado e sim a nossa capacidade de se renovar, de criar novas situações, de buscar novos cenários para a nossa história. Você é responsável pela sua jornada, e ninguém mais. Tenha planos, sonhe bastante e alto, não há nada de mal nisso. Os sonhos são impulsos divinos, celestes. Não deixe que pessoas de visão pequena e dominada pelo senso comum joguem baldes de água morna na sua imaginação, ela é o que conecta você com o impossível. Visualize e acredite com toda a sua força nos seus sonhos, pois eles se tornam reais quando você menos imaginar. 

Use todos os instrumentos que você tem disponível, sem ferir ou prejudicar outras pessoas e mãos a obra. Afinal de contas, nunca é tarde quando estamos vivos, temos saúde e a plena capacidade das nossas funções cognitivas.

sábado, 15 de junho de 2013

Clube do livro: Educação, desde o pré-natal a maturidade, de Sufi Inayat Khan.


 Um livro bem especial chegou em minhas mãos num momento bastante oportuno, Educação: desde o pré-natal a maturidade, de Sufi Inayat Khan. Um guia, uma mãozinha incrível para quem como eu, é mãe de primeira viagem, ou quem se interessa pelo assunto.  O livro é dividido em educação para bebês, crianças e adolescentes, englobando praticamente toda o ciclo de crescimento do ser humano.

O Sufi Inayat Khan ressalta que todo o bebê é como  uma chapa fotográfica virgem, cujo qualquer impressão que caia ali será marcado. Como os bebês são recém-saídos do mundo espiritual, eles estão muito mais envolvidos ainda com o 'mundo de lá', do que o 'mundo de cá'. Por isso todo o cuidado deve ser exercido com essas pequenas alminhas.  A primeira regra é que apenas uma pessoa deve educar a criança, e não toda a família. É como uma orquestra, que deve ser conduzida apenas por um único maestro, pois caso houvesse mais regentes eles estragariam a sinfonia.

Um laço de amizade deve ser estabelecido entre o educador e o bebê para que se possa começar a educar.O objetivo dos pais, ou do educador, é inspirar as crianças a um ideal mais alto, um ideal espiritual, a fim de que sua jornada na Terra não seja uma série de desperdícios.  É claro que elas precisam estar preparadas para a realidade, mas não é o certo despertar o seu senso de competição ainda pequena, pois isso embota a alma, arruína o espírito e limita o seu campo de atuação quando este se tornar um adulto. 

"Se não se inspira na criança um ideal mais alto, então é o que se vê hoje, milhares e milhões de almas perdidas na multidão, que nada sabem exceto viver o dia-a-dia."

Outra questão abordada pelo autor é que os pequenos aprendem por repetição, então o educador deve ter toda a paciência do mundo (por mais que as crianças estejam sempre desafiando nossa paciência e testando nossos limites), pois é o seu dever educar com amor. Jamais deve-se pegar o bebê com raiva, pois fogo não se apaga com fogo, pelo contrário, mais fogo só alimenta a fogueira. Para disciplinar é necessário que o educador seja determinado e não mostre sinais de irritação.

"É um método errado quando o responsável deseja controlar o bebê e ensina-lhe a disciplina forçando uma certa ação sobre ele. É a repetição que levará  o bebê à disciplina. Isso só requer paciência." E muita paciência, não é mesmo?!

Tudo na vida tem o seu próprio tempo, e assim o Sufi Inayat Khan nos orienta a não pular etapas. Tem a hora de aprender a sentar, aprender a andar, falar. São estágios naturais no desenvolvimento que não devem ser ultrapassados pela ansiedade dos pais. 

O começo da vida, ou seja, a infância, é o momento mais importante na construção do Ser humano, porque ele ainda é uma massinha completamente moldável, o que também não quer dizer que os bebês não nasçam com uma personalidade, algumas características que lhe são inatas. 


"O bebê, ao nascer na terra, traz com ele o ar do céu."

"A melhor maneira, portanto, para a mãe educar um bebê é educar-se a si própria."

"O primeiro guru é a mãe, o segundo guru é o pai e o terceiro guru é  o professor." 

O livro continua, depois tratando da meninice e da adolescência.  A teoria é sempre mais amena e rosa do que a realidade, o dia-a-dia com a criança, mas vale a tentativa, não é mesmo?! Quando eu chegar nestes capítulos volto a escrever sobre eles. Enquanto isso ficamos com o desafio de educar nossos pequenos para que eles se tornem um raio de luz neste planeta tão denso.

Obrigada Radha e Tulasi por emprestar o livro!  Já, já ele volta para vocês!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fronteiras


Se você realmente deseja viver uma vida rica, preenchida, imensamente vibrante, não há outra maneira, exceto abandonar as fronteiras. A única maneira é estabelecer cada vez mais contato com as pessoas. Permita que mais e mais pessoas invadam o seu ser, permita que mais e mais pessoas entrem em você.

Podemos nos machucar - esse é o medo -, mas é um risco que precisa ser assumido, vale a pena. Se você se proteger por toda a sua vida e ninguém tiver permissão de estar próximo a você, qual é o sentido de estar vivo? Você estará morto antes de morrer. Você absolutamente não viverá. Seria como se você nunca tivesse existido, porque não há outra vida além do convívio. Assim, é preciso correr o risco.

Todos os seres humanos são como você. Essencialmente o coração humano é o mesmo. Portanto, permita que as pessoas se aproximem. Se você permitir, elas permitirão que você se aproxime delas. Quando as fronteiras se sobrepõem, o amor acontece. 

(Osho. 365 meditações diárias. São Paulo: Verus Editora, 2003. p. 308)

sábado, 8 de junho de 2013

A missão espiritual de educar




Como é difícil educar. Alguns de vocês já sabem que minha filhinha nasceu em Abril e de repente me deparo com o desafio não de ser uma mãe, mas de ser uma boa mãe, de educar com carinho e determinação um outro ser humano. A missão já começou, por mais que 2 meses pareçam à primeira vista inofensivo.

Precisei recarregar minha bateria de paciência, primeiro para aguentar as noites mal dormidas e segundo para aguentar a quantidade de pitacos que as outras pessoas dão sobre a forma como você deseja criar seu filho. Até acredito que a intenção de tantos interlocutores seja simplesmente de ajudar a mãe desavisada, de primeira viagem, que comete alguns erros. E quem lá não cometeu quando encarou o desafio de ser mãe? É o banho que é dado na hora errada, a fralda que vai dar alergia, a manha de pegar toda hora o bebê no colo, a falta ou excesso de agasalhos, e por ai vai. Todo mundo tem uma sugestão, porém cada neném é um neném, cada mãe, uma mãe, cada criação, uma criação. A mãe sabe o que é melhor para o seu filho.

 Eu vou educar minha filha de acordo com o que acredito ser o certo, o ético e que esteja em sintonia com a forma como eu vivo, afinal de contas, se ela nasceu do meu ventre, certamente é dentro desse meu universo que ela precisa crescer, evoluir, aprender a ser um ser humano, uma alma melhor. 

Quantas vezes já ouvi pessoas falando: -Você vai privar sua filha do direito de comer carne?!

Como se a dieta vegetariana que eu sigo fosse o maior empecilho e obstáculo que vamos enfrentar juntas. Eu não como carne, e certamente enquanto couber a mim colocar a comida no prato da minha filha, carne não está no cardápio. Mas se chegar um dia, ele certamente vai vir, ela me pedir isso, quero que ela fique à vontade para fazer suas escolhas, por mais que algumas não estejam de acordo com o que eu acredito e até doam meu coração. É nítido como o senso comum torce o nariz para a dieta vegetariana, pera lá, deixe os inofensivos "comedores de alface" em paz, afinal de contas isso não faz mal a ninguém, pelo contrário. Poupa a vida de animais.  Por enquanto minha preocupação é ajustar o sono dela. Cada fase, uma fase. Pra que antecipar as coisas? Quero educar para que ela possa refletir com liberdade, fazer suas escolhas e conduzir sua vida da melhor maneira. Eu vou lhe dar as ferramentas para isso, dar o melhor que eu posso.

Eu assumo a responsabilidade de educar minha filha, de ensinar valores e prepará-la para a vida nesta Terra. Quero que acima de tudo ela seja uma pessoa do bem e que a gente tenha a liberdade de sermos que somos, assumindo nossas responsabilidades sabendo que vamos errar muitas vezes.