sexta-feira, 26 de julho de 2013

Mora na Filosofia


Desde que eu me entendo por gente sou fascinada pelas religiões. Lembro de quando eu era criança que ficava pesquisando no Larousse Cultural os deuses indianos e as definições das religiões. Minha mãe é que ficou, ou ainda fica, preocupada com as minhas peregrinações religiosas. Desde muito nova que estou nessa busca, sempre querendo conhecer diferentes práticas, estudar as filosofias, observar os dogmas e de quando em vez mergulhar nessa experiência antropológica incrível que são as religiões.

Escrevo isso ouvindo uns cantos cristãos cantados por jovens paraguaiaos. O sagrado me toca. Acho muito bonito quando vejo uma pessoa envolvida verdadeiramente numa religião. Deve ser gratificante dar a busca como encerrada. Eu até hoje não tive esse privilégio, talvez por ser muito curiosa ou mesmo por não conseguir ajustar minha conduta aos dogmas impostos pelas crenças. Então fico passeando por ai, estudando o manancial das literaturas sagradas, observando as práticas, cantando e dançando. Sei que minha experiência não sera tão válida quanto aos do que realmente se entregaram, mas eu não posso me enganar. Eu preciso ver sentido nas coisas, uma coerência harmonica. Minha religião por enquanto é Vipassana, nunca vi tanta coerência junta. Apesar de não ser uma religião, e sim uma técnica de meditação, foi lá que eu pude experimentar o sagrado, enxergar a Verdade e realmente ter uma experiência mística autêntica.

Claro que um dia eu gostaria de dizer: - pronto, minha busca “terminou” aqui. Terminou entre aspas porque nunca termina, quando você se encontra aí é que começa o mergulho. Mas ao mesmo tempo repudio uma conduta fanática. É bem típico encontrar por ai pessoas que foram completamente cegadas pelos dogmas e atacam todas as diferenças e não conseguem perceber que a diversidade é a maior riqueza que existe, e que nem sempre uma prática que te completa,vai completar o outro. Cada um tem necessidades diferentes e todas as religiões são necessárias para abarcar todos os tipos de pessoas. A salvação não vem apenas da sua religião. Todos podem salvar se o indivíduo estiver disposto a se transformar. “Confissão sem mudança é um jogo.”

Uma vez li um livro que se chamava “Eu estou Ok, você está ok.”, e ele dizia assim: O dogma é inimigo da verdade.” E também: “Esse conceito não pode ser percebido por pessoas religiosas, porque ele só pode ser percebido pelo adulto e muitos entre os indivíduos religiosos são pessoas dominadas pelo pai.” (…) “Paul Tournier diz que a moralidade religiosa substitui a liberadora experiência da graça pelo medo obsessivo de cometer um erro.”



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