sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Milagres invisíveis, professores e a jornada cármica de cada um




Pequenos milagres acontecem quase que diariamente na vida de todas as pessoas, mas há momentos em que estamos atentos e outros não. 

Quando estamos despertos o coração enche-se de gratidão. Sou grata a todas as pessoas que entraram, saíram e esbarraram na minha vida, pois todos foram excelentes professores, eu é que talvez não tenha sido uma boa aluna, ou por estar desatenta ou inconsciente do momento, pois como disse Jim Rohn, os outros apenas colocam nossa postura em teste. 

Por todos os caminhos que andei, pelas coisas que ouvi e aprendi, sou muito grata, pois todas as experiências fizeram de mim mais forte e me ajudou a evoluir. Devemos ser gratos aos que nos acolheram com carinho e também nutrir este mesmo sentimento com quem em algum momento nos decepcionou. Afinal de contas, quem nunca? A sabedoria consiste em não esperar nada de ninguém, deixar que tudo seja um presente, uma surpresa dada de espontânea vontade. Tudo e todas as coisas são instrumentos do universo para nos ajudar no processo evolutivo. 

Estamos vivendo, errando e aprendendo. Não necessariamente nesta ordem.

Perdão, não só para ser perdoado, mas para trazer leveza e um pouco de compreensão para nossa mente tão limitada e teimosa. Como não crescer com uma decepção? Como não mudar com uma frustração? Precisamos passar por cada situação, seja ela prazerosa ou dolorosa.
Todas as nuances negativas tem sua beleza e propósito de existir. Na hora pode ser difícil se recordar disso, mas depois do momento inebriante, nada melhor do que colocar tudo em seu devido lugar. Alguém precisa de quando em vez nos ajudar a colocar os pés no chão, ou simplesmente cortar nossas asinhas.

Mas seja grato, pois cada um tem o professor que merece. O professor ideal (justa-medida) para te empurrar alguns degraus acima, mesmo quando você pensar que foi empurrado escada abaixo. Você e suas necessidades cármicas! Vá saber o que se passou nessa perene jornada da alma! 

A moral de hoje é: agradeça aos professores que a vida te deu, são eles que ensinaram e ajudaram você a se tornar o que é hoje, seja o instrumento usado uma caneta, uma vara de goiabeira ou um apagador. 

Gratidão.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Da natureza das lembranças (1)



Hoje quero falar sobre lembranças. Livremente, sobre lembranças. Pequenas cenas do passado que ficaram marcadas no coração. Tão belas e bonitas que merecem uma linda moldura para que eu possa apreciar de quando em vez. As telas do passado. Uma pequena exposição de tudo o que foi bom. Puro saudosismo. Não tenho a menor pretensão de reviver esses instantes, tenho a plena consciência que eles se foram, e eu os deixo ir, mas isso não impede de apreciá-los e dividi-los com vocês.

Era frio e eu caminhava, sentia saudade da comida da minha mãe, um angu com quiabo, feijão fresquinho. Paramos no Café Léa, éramos quatro. Tudo surpresa, tudo novo. Paisagem gélida, ventos que cortavam nosso rosto, era essa a sensação. 


Pedimos um cafezinho, e ele era forte. Na mesa o mapa da cidade, todos os museus que tínhamos a nossa disposição. Era um mundo, era a arte, um tempo que não participamos, sequer existíamos, mas admirávamos pelos livros. 

Foram 9 dias de caminhadas intensas, descobertas, e a velha Raisa de volta na mesa do Pub. Uma caneca de cerveja gelada, bate-papo interminável com o marido e uma baguette para encerrar a noite.


Eu nunca tivera a ambição de conhecer lugares até fazer essa viagem. Agora a sede de conhecer o mundo, os povos, as cores, as comidas das outras pessoas bate forte no meu coração e se tornou um desejo, desses desejos que temos quando estamos participando da maya do mundo. 












Encerrando ciclos com sabedoria




Nossa vida é como uma colcha de retalhos em eterna construção, há sempre um ciclo que se fecha e um novo que se abre. Há muitas portas que foram fechadas, seja pelas circunstâncias da vida ou por nossa própria motivação pessoal, é um trabalho de desapego mesmo. Precisamos aprender a soltar algumas coisas, nos livrar do desnecessário para que o novo possa surgir. 

Muitas vezes os desgastes emocionais são os motivos que nos faz encerrar ciclos. Insistimos com pessoas e situações até chegar o ponto que se torna insustentável. Já perdoamos, tentamos esquecer, damos uma nova chance e parece que nada muda. É nessa hora que precisamos de uma atitude mais firme para virar a página, ou como quase todos os escorpianos fazem, rasgá-la simplesmente. Um impulso nem tão saudável, mas necessário. 

Desapego. Ficam as lembranças boas, e isso são as recompensas das inúmeras tentativas que fazemos para resgatar algo que foi bom no passado, que funcionava em harmonia, e agora não mais. Desapego. Deixar ir. Ficam as lembranças, as boas lembranças que despertam sorrisos pequenos e suspiros leves. 

Encerrar ciclos faz parte da vida de todas as pessoas, em muitos momentos precisamos disso para seguir em frente. Nada é insubstituível. Roupas que couberam ontem, hoje já não servem mais, seja porque engordamos um pouquinho ou porque o gosto mudou. 

Quando viramos uma página ganhamos uma em branco para que possamos escrever novas histórias, com outros personagens, aventuras e paisagens. Uma oportunidade ímpar de fazermos tudo diferente. 

Ficam as boas recordações. Daqueles dias frios no café, das andanças sem fim pelas ruas, das festinhas, de todas as coisas que nos foram boas e úteis num dia e já não são mais, porque ninguém é o mesmo de ontem. Nem eu, nem você. Surgem novas necessidades, novas buscas que simplesmente não andam em paralelo com o passado. 

E que bom que tudo está em movimento, em eterna mutação. Se não fosse por esta dinâmica louca em espiral estaríamos estacionados em algum beco escuro do nosso passado.

domingo, 18 de agosto de 2013

Aceite sua vida sua como ela é


Às vezes na vida precisamos aceitar certas verdades para termos um pouco mais de paz e tranqüilidade no coração. É inevitável que algumas pessoas que você ama estarão geograficamente distantes de você, mas isso não quer dizer que elas estão longe. Muitas vezes são elas que estão mais próximas, seja no coração ou nas intermináveis conversas telefônicas.

Aceite todas as pessoas como seus professores. Muitas vezes não entendemos porque determinados seres humanos entraram na nossa vida, mas pode ter certeza que alguma coisa você tinha que aprender com elas ou com as situações que vivenciaram juntas.

"Nós temos que estar atentos às coincidências misteriosas. Temos que estar atentos às sincronicidades, porque elas estão nos revelando o próximo passo. Se você se prende a um desfecho determinado, você perde a comunicação com o universo. Você perde a percepção do mistério. É importante você estar sempre aberto para receber os recados. Isso na esfera dos acontecimentos diários."  Sri Prem Baba

Alguns dias serão nublados justamente quando você marcar sua festa ao ar livre ou piquenique. A natureza é sábia, vai saber porquê choveu justo no seu dia. Se conseguir não se aborrecer, seja criativo e arrume outro programa.

Seus sonhos são muitos e aceite que nem todos serão realizados, tem coisas que não estão nos nossos planos, nossa jornada é outra. Deus é sábio e não tem miopia, enxerga a longa distância coisas que não teríamos a sabedoria de compreender.

Os filmes são sempre mais bonitos do que a realidade, não se iluda com isso, mas divirta-se com eles. E os livros são ótimos para nos dar mais inteligência, erudição e inspiração, mas não acredite em tudo o que lê, a verdade é relativa, individual e nunca absoluta.

Aprenda a ouvir as pessoas. Quando alguém estiver conversando com você esteja atento, consciente, pode ser que ela tenha uma mensagem, mas só poderá ser captada se você entrar no mesmo campo vibracional que ela. Desconfie quando encontrar alguém aleatório na rua e te cumprimenta, é bem capaz que ela te dê um “estalo” para algo que estava adormecido dentro de você.

Quando estiver com raiva, sente-se e escreva. Isso faz com que você não seja injusto ou desconte sua ira nas pessoas, afinal de contas ninguém tem nada a ver com isso. Se suas expectativas foram altas demais, lembre-se que foi você que esperou demais dos outros.Está com raiva?! Não vá pescar. Senta e escreva.

Aprenda a viver com o que você ganha, poupe o suficiente e gaste alguma coisa com você. Se não ganha nada, arregace as mangas e vá em busca do que é seu. Não se contente em viver na sombra de ninguém, um dia isso pode te custar muito caro.

 Se permita a fazer coisas que não faria jamais, ou só de vez em quando. Descubra. Investigue. Experimente. Viva. Não tenha preguiça. Vá visitar seus amigos. Tenha uma boa relação com sua família, se não tem se esforce mais um pouco. Fale mais devagar. Mude de opinião, não fique enjaulado em dogmas, em verdades absolutas. Não é possível ser 100% coerente a vida inteira. Coma bolo de canela uma vez por semana e adoce sua alma. Aceite sua vida como ela é.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A natureza dual do homem





Há muito tempo que estava super a fim de ler um livro, que vocês já devem até ter lido, chamado “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse. Ainda nem terminei a leitura, sequer cheguei à metade. O meu ritmo agora é um pouco mais lento, já que tempo é algo que ainda não aprendi a administrar com um bebê. Mas tem algo que muito me intriga na narrativa e não posso esperar até o final do livro para escrever sobre isso: a natureza dual do homem.

O livro conta a história de Harry, que além de um homem, tem dentro de si o Lobo da Estepe, como se fossem duas personalidades completamente antagônicas dentro dele, e a convivência entre o homem e o lobo é ríspida, eles se chocam o tempo inteiro e essa a razão do conflito. Mas afinal de contas, não será essa a natureza do homem? Quem não carrega dentro de si infinitos eus que se esbarram o tempo inteiro? Muitas vezes essas personalidades têm opiniões divergentes. Será essa a grandeza ou a miséria do homem?

Talvez com uma profunda investigação de si mesmo você possa perceber algumas incongruências e elas podem ter origem nessa miscelânea de personalidades que mora dentro de um único homem. Vivemos em busca da unidade e reconhecer que a natureza do homem comum é dual pode ser um verdadeiro choque, mas também um grande passo para se descobrir quem realmente é, e quem sabe um dia transcendê-la.

A dualidade pode provocar uma luta interior, e mesmo uma pessoa que esteja realmente segura de si, pode dentro da sua própria concha se deparar com as outras personalidades que se manifestam, mesmo que esporádica ou sutilmente na calada da noite. 

Claro que uma suposta transcendência da dualidade seja um desejo ardente de muitos buscadores - essa consciência sem fronteiras que nos instigam as filosofias do autoconhecimento, mas nem sempre é possível. Pelo menos nesta encarnação. Quem sabe na próxima, não é verdade?! Um pouquinho de otimismo e entusiasmo faz bem a saúde da mente.

Quem mesmo nunca se viu num conflito de desejos, de ambições, de quereres?! O corpo pedindo uma coisa e a alma ansiando outra – aspirações versus limitações. Podemos sempre tentar dar impulsos, mas também precisamos ser sensatos e reconhecer até onde vão nossos pés. Pode ser que nunca haja um vencedor nesta batalha de egos interna, e a melhor saída talvez seja equilibrar esses opostos aceitando-os como partes indispensáveis de você mesmo.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aspectos psicológicos (2)




Libertária, pêlos, aquariana, nenhuma amarra. Ela passou a vida à viajar, por entre lugares reais e imaginários. A sociedade e seus cânones não foram capazes de amarrá-la: Cinquenta e poucos anos, sem televisão. A moça fazia seu próprio shampoo e comia o que era oferecido, não tinha compromisso com ninguém. Não casou, nem teve filhos. Mas devotava seu tempo a tocar oboé, que com dedicação e persistência era sem dúvidas uma das maiores musicistas do Rio de Janeiro, mesmo que ninguém saiba disso, além de suas irmãs, devotas de Krishna. 

Ela dizia que a sua religião era  a religião da florzinha. Num canto da sala uma pequena prateleira com uma florzinha, onde ela se sentava às vezes para observar: a flor e seus pensamentos.
Vivia com pouco dinheiro, com muitos amigos e era feliz, era aquariana. Típica aquariana. A sua presença irradiava uma vibração gostosa, alegre e isso fazia com que fosse sempre bem vinda, então vivia peregrinando de casa em casa. Uma semana em Angra dos Reis, outra em Paraty, outra em Santo Antônio de Pádua. Bolinho de chuva, música, chá de qualquer mato que tenha no quintal.  Uma massagem ayurvédica ali, outra aqui, assim ela consegue um dinheirinho para viver, já que não precisava de muito. Ao contrário da maioria das pessoas do planeta Terra, que precisam de muito para sobreviver. Ela vivia de dar inveja a qualquer executivo.

Ela é alguém que você não acredita que realmente exista. Mas ela existe. Não se preocupa em ser coerente, em ética, em regras. Não que não tenham valor, mas não tem o menor sentido para ela.

Quem é você?