quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A natureza dual do homem





Há muito tempo que estava super a fim de ler um livro, que vocês já devem até ter lido, chamado “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse. Ainda nem terminei a leitura, sequer cheguei à metade. O meu ritmo agora é um pouco mais lento, já que tempo é algo que ainda não aprendi a administrar com um bebê. Mas tem algo que muito me intriga na narrativa e não posso esperar até o final do livro para escrever sobre isso: a natureza dual do homem.

O livro conta a história de Harry, que além de um homem, tem dentro de si o Lobo da Estepe, como se fossem duas personalidades completamente antagônicas dentro dele, e a convivência entre o homem e o lobo é ríspida, eles se chocam o tempo inteiro e essa a razão do conflito. Mas afinal de contas, não será essa a natureza do homem? Quem não carrega dentro de si infinitos eus que se esbarram o tempo inteiro? Muitas vezes essas personalidades têm opiniões divergentes. Será essa a grandeza ou a miséria do homem?

Talvez com uma profunda investigação de si mesmo você possa perceber algumas incongruências e elas podem ter origem nessa miscelânea de personalidades que mora dentro de um único homem. Vivemos em busca da unidade e reconhecer que a natureza do homem comum é dual pode ser um verdadeiro choque, mas também um grande passo para se descobrir quem realmente é, e quem sabe um dia transcendê-la.

A dualidade pode provocar uma luta interior, e mesmo uma pessoa que esteja realmente segura de si, pode dentro da sua própria concha se deparar com as outras personalidades que se manifestam, mesmo que esporádica ou sutilmente na calada da noite. 

Claro que uma suposta transcendência da dualidade seja um desejo ardente de muitos buscadores - essa consciência sem fronteiras que nos instigam as filosofias do autoconhecimento, mas nem sempre é possível. Pelo menos nesta encarnação. Quem sabe na próxima, não é verdade?! Um pouquinho de otimismo e entusiasmo faz bem a saúde da mente.

Quem mesmo nunca se viu num conflito de desejos, de ambições, de quereres?! O corpo pedindo uma coisa e a alma ansiando outra – aspirações versus limitações. Podemos sempre tentar dar impulsos, mas também precisamos ser sensatos e reconhecer até onde vão nossos pés. Pode ser que nunca haja um vencedor nesta batalha de egos interna, e a melhor saída talvez seja equilibrar esses opostos aceitando-os como partes indispensáveis de você mesmo.

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