segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aspectos psicológicos (2)




Libertária, pêlos, aquariana, nenhuma amarra. Ela passou a vida à viajar, por entre lugares reais e imaginários. A sociedade e seus cânones não foram capazes de amarrá-la: Cinquenta e poucos anos, sem televisão. A moça fazia seu próprio shampoo e comia o que era oferecido, não tinha compromisso com ninguém. Não casou, nem teve filhos. Mas devotava seu tempo a tocar oboé, que com dedicação e persistência era sem dúvidas uma das maiores musicistas do Rio de Janeiro, mesmo que ninguém saiba disso, além de suas irmãs, devotas de Krishna. 

Ela dizia que a sua religião era  a religião da florzinha. Num canto da sala uma pequena prateleira com uma florzinha, onde ela se sentava às vezes para observar: a flor e seus pensamentos.
Vivia com pouco dinheiro, com muitos amigos e era feliz, era aquariana. Típica aquariana. A sua presença irradiava uma vibração gostosa, alegre e isso fazia com que fosse sempre bem vinda, então vivia peregrinando de casa em casa. Uma semana em Angra dos Reis, outra em Paraty, outra em Santo Antônio de Pádua. Bolinho de chuva, música, chá de qualquer mato que tenha no quintal.  Uma massagem ayurvédica ali, outra aqui, assim ela consegue um dinheirinho para viver, já que não precisava de muito. Ao contrário da maioria das pessoas do planeta Terra, que precisam de muito para sobreviver. Ela vivia de dar inveja a qualquer executivo.

Ela é alguém que você não acredita que realmente exista. Mas ela existe. Não se preocupa em ser coerente, em ética, em regras. Não que não tenham valor, mas não tem o menor sentido para ela.

Quem é você?

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