segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sanidade Espiritual, por Purushatraya Swami



Esta semana assisti a uma palestra muito inspiradora do líder do movimento Purushatraya Swami, falando sobre o seu livro, lançado recentemente, Sanidade Espiritual. Só o título já é bastante provocador e suscita uma série de reflexões.  Ainda não tive a oportunidade de lê-lo, mas farei bem em breve.

Sabe quando você assiste a uma palestra e ela parece que foi feita sob medida para você?! Assim que eu me senti. Purushatraya Swami falou sobre a importância de vivenciarmos cada etapa da nossa vida e como tirar proveito dela com sabedoria e nos despertou para uma ‘vida simples e pensamento elevado’.

Sanidade espiritual requer manter os olhos bem abertos para a nossa realidade, sem delírios e fantasias, compreendendo que o verdadeiro sucesso só é alcançado quando temos paz interior. O Swami também falou sobre a importância de não desperdiçar nossa valiosa vida objetivando as coisas que habitam o mundo do efêmero, já que elas são frívolas, passageiras e tantos outros adjetivos que já conhecemos. Precisamos aproveitar todo o nosso potencial para florescer, sermos pessoas realizadas espiritualmente, pois a alma satisfeita não se assombra com as perdas e ganhos da matéria. Isso é verdade! Um dia eu chego lá!

Se for cristão, seja o melhor cristão. Se for budista, seja o melhor budista. Se for Hare Krishna, seja o melhor Hare Krishna. Não o ‘melhor’ no sentido de competir com as outras pessoas, mas o melhor que você pode dar de si. O melhor que há dentro de cada um de nós.


Puro néctar! 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Adultescência - uma sociedade infantilizada






Não sei se vocês leram uma reportagem que saiu no Jornal O Globo, cujo título é:  Nova orientação para psicólogos prega que aadolescência vai até os 25 anos. Mas o que que isso, minha gente?! Já não basta esta infantilização generalizada na conduta de muitos adultos, agora vem uma ciência, que culpa o córtex pré-frontal pela imaturidade de uma sociedade de jovens adultos que se esqueceram de crescer pelo simples motivo de não querer assumir as rédeas de sua própria vida e com ela as responsabilidades que cada escolha acarreta. Medo, talvez?! Não sei. Mas vejo muito marmanjo e “marmanja” por ai que não pensam sequer em sair da casa dos pais, um reflexo do que estamos falando.  

Esta sociedade dominada pela infantilização da vida adulta produz indivíduos incapazes de ter e sustentar suas próprias opiniões; medrosos e acuados diante dos riscos, e, sobretudo torna-os dependentes emocionalmente e financeiramente de terceiros. Estratégias diabólicas do mercado, do Estado e tantas outras mãos invisíveis que atuam enaltecendo a síndrome do Peter pan, cujo lema principal é o “eu quero”. Presas perfeitas para a indústria do entretenimento vazio.

Tanta imaturidade resulta em regressão do pensamento, falta de discernimento, indivíduos fáceis e manipuláveis pelos mais astutos e sem nenhuma autonomia com a própria vida.   Você pode não gostar da Marilena Chauí, mas certa vez ela disse que é o consumismo que infantiliza o adulto, porque ele já não conhece a fronteira em satisfazer os seus desejos e ponderá-los.  Adultos que querem viver intensamente, permanecer jovens por mais tempo possível, habitar o mundo do efêmero, negando a maturidade e a responsabilidade pelos seus atos, o que impede o individuo de viver a completude da vida e diferenciar os seus ciclos.

Shakir Amali



As pessoas buscam mestres e ensinamentos para encontrar algo que elas ainda não conhecem. No entanto, mestres e ensinamentos existem, na realidade, para ajudar as pessoas a aplicar e praticar tais ensinamentos, não para divertir ou propiciar experiências que devem ser novas. 

Como o homem, em geral, não sabe disso, não é de se surpreender que ele não saiba o que encontrou e tente acha o que não tem utilidade para ele. 

É possível, também, que coisas que pareçam novas para as pessoas sejam as últimas coisas de que elas precisam para o propósito de se aperfeiçoar. 

Você reconhecerá o buscador de sensações porque ele é atraído pelo novo ou pelo misterioso. Você reconhecerá o verdadeiro estudante porque ele busca o que há para ser encontrado, seja lá o que for.

SHAH, Idries. Pensadores do Oriente. Roça Nova Editora, São Paulo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Advertência aos discípulos


Agora que você foi inscrito na categoria dos buscadores, é provável, mais do que nunca, que tropece, pois, esquecendo-se de que a autoestima pode se manifestar em qualquer lugar, você talvez pense que está imune a ela.

Do mesmo modo que os ganhos pelo alistamento entre os Amigos são enormes, os requisitos do discípulo são maiores do que os exigidos nos assuntos corriqueiros.

Hasan, de Basra, ilustrou este fato com a história a seguir (registrada no Tadhkirat).


“Eu vi um bêbado tentando atravessar um pântano e disse a ele: ‘cuidado para não afundar, pois isso é um brejo.’ O beberrão respondeu: ‘Hasan, se eu for engolido, apenas eu sairei perdendo. Mas, pense em você...se você afundar, seus seguidores irão com você.”

SHAH, Idries. Pensadores do Oriente. Roça Nova Editora, São Paulo. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nili, Pensadores do Oriente





Alguém descobriu que Nili estava dando exercícios, música e entretenimento para os seus discípulos, bem como encorajando-os a ler livros e se reunir em lugares exóticos. Esse crítico disse ao sábio:



“Perdi a conta de quantos anos você lutou contra essas superficialidades e ostentações! Agora descubro que as está usando em seu suposto ensinamento. Abandone essa prática imediatamente ou explique-a para mim. 


Nili respondeu: Eu não tenho nem de abandoná-la nem de explicá-la, mas fico feliz de informá-lo. Esta é a razão: dou exercícios para pessoas que podem compreender para quê eles servem. A maioria das pessoas não compreende; são como aqueles que foram a um restaurante, e em vez de tomar a sopa, apaixonaram-se pelo cozinheiro. As pessoas escutam música com o ouvido errado, então eu lhes nego a música até que possam se beneficiar dela, e não se distrair com ela. Enquanto não sabem para quê ela serve, elas consomem música como quem aquece as mãos em um fogareiro que poderia estar cozinhando algo. Quanto ao ambiente, algumas atmosferas são cultivadas por estetas, que, dessa forma, privam-se do seu valor adicional e ensinam outros a parar antes de terem adquirido alguma coisa de real valor. Essas pessoas são aquelas que saíram em peregrinação e a única coisa em que conseguem pensar é no número de passos que deram;
Quanto aos exercícios, não posso dá-los a ninguém – da mesma forma que não posso permitir que leiam livros quanto não aprenderam que existe um conteúdo mais profundo que a superficialidade de sentir o aroma da fruta e se esquecer que ela está ali para ser comida. Ninguém está se opondo que sintam o aroma, mas se se recusarem a comer, em pouco tempo todo estarão podres. 

SHAH, Idries. Pensadores do Oriente. Roça Nova Editora, São Paulo.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A arte de enxergar lições em toda a parte



Li esta frase no Dharmalog e guardei para que um dia eu pudesse escrever sobre isso. Estamos sempre envolvidos em situações, positivas, negativas e neutras. Somos como diamantes, crescemos quando somos “pressionados”, quando estamos em atrito é que nos lapidamos. Precisamos sempre do outro para lapidar quem somos, para compreender, aprender e quem sabe evoluir. 

As lições estão ai por toda a parte para que possamos olhá-las com atenção. Nem sempre precisamos vivenciar determinadas coisas para sabermos se é bom ou ruim, cabe ao olhar captar esses ensinamentos que nos chegam através da experiência de outras pessoas. É claro que quando somos protagonistas das histórias o aprendizado é mais rápido, é instantâneo, mas isso não nos impede de aprendermos também com as vivências alheias, com as histórias que escutamos, que lemos, observamos por ai. 

Crises são oportunidades, atritos nos fazem pessoas mais sagazes, mais prontas para os improvisos. Precisamos apenas de olhos de águia para identificar essas lições e com elas crescermos quanto seres humanos, pois tudo o que acontece neste mundo, qualquer fenômeno, tem sua razão de existir, o seu propósito. Façamos um esforço para descobrir porque temos que aprender as lições da maneira como elas nos chegam, sob as máscaras de determinadas pessoas, sob um desenlace de situações adversas. 

Temos duas opções: ou acreditamos que as coisas acontecem por acontecer e neste sentido nos sentimos vitimas quando somos colocados a prova de situações negativas, ou aceitamos que tudo faz parte de uma dinâmica maior e nos colocamos em posição de alunos a aprender com todos os obstáculos que surgem. 


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Religião e Ciência





Se tem algo que me incomoda em algumas religiões é aquele discurso de que sua filosofia é comprovada cientificamente, como se o conhecimento de deus e da iluminação fossem quesitos a serem regidos pela ciência. Se as pessoas estivessem realmente preocupadas com veracidades científicas certamente iriam rezar e meditar em laboratórios e não em templos, centros, etc. 

Não há comprovação maior do que aquela que é sentida pelo coração. Onde a pessoa enxerga o sentido, coerência, harmonia na própria filosofia. Muitas pessoas que usam este discurso do “comprovado cientificamente”, se forem questionadas não sabem se referir ao tal cientista que atestou a filosofia. Cientista também são homens, diga-se de passagem, e também estão sujeitos a equívocos. 

Para quem está em busca de aperfeiçoamento pessoal, espiritual, que está disposto a realizar transformações interiores profundas, não precisa de comprovações cientificas.  Não que elas devam ser inimigas e viver em combate, ou simplesmente que elas não se completam. Até podem caminhar juntas, mas do que importa? Deus é deus, iluminação é iluminação, e mesmo que existam mil provas cientificas que elas existam, o ateu ou qualquer outro que não esteja disposto, não irá aceitar como verdade, pois as verdades são relativas. Cada um se encontra em um estágio evolutivo e certamente o que é compreensível e aceitável para mim não será para outra pessoa. Cada um no seu tempo e com as suas ferramentas para ser uma pessoa melhor, feliz e plena.

A comprovação está na nossa conduta. Não há prova maior do que as nossas próprias ações.