quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Diversão e Tédio





Diversão e tédio é um livro do filósofo Blaise Pascal, que nos faz analisar a existência de um modo amplo e instiga a uma avaliação dos nossos entretenimentos e o que usamos para burlar o tédio.  Reflexões filosóficas a parte, o livro te conduz a uma investigação sobre si mesmo.


"É necessário conhecer-se a si mesmo. Ainda quando isso não servisse para encontrar a verdade, pelo menos serve para regrar a própria vida, e nada há de mais justo."


Estamos sempre em busca de satisfação e queremos nos divertir, nada mais gostoso do que se entreter em alguma coisa, mas se entreter significa também virar as costas para si mesmo, segundo o filósofo Blaise Pascal. Quando estamos ocupados em viver a high life, e usufruindo de todos os divertimentos possíveis estamos na verdade querendo nos afastar do tédio, e neste processo acabamos por nos afastar de nós mesmos. Pois entretidos, estamos distraídos e afastados de uma vida interior consciente de si mesma. 


"O rei está cercado de pessoas que só pensam em diverti-lo e impedi-lo de pensar em si mesmo."


Então, para não enfrentarem seus próprios obstáculos existenciais, o homem busca todo o tipo de entretenimento a fim de afastar o tédio. Poucas são as pessoas que conseguem ser felizes em repouso, sem mendigar o tumulto para encontrar satisfação e plenitude. Ocupando-se sempre com afazeres do dia-a-dia e divertimentos levianos o homem se aliena, fica impedido de se aprofundar em sua própria natureza, de conhecer a si mesmo. 


“Assim o homem é tão infeliz que se entediaria mesmo sem nenhum motivo de tédio, pelo estado próprio de sua compleição. E ele é tão leviano que, estando cheio de mil causas essenciais de tédio,  a mínima coisa como um bilhar e uma bola que ele toca basta para diverti-lo. Mais diríeis: que objetivo tem ele em tudo isso? O de se gabar amanhã entre os amigos por ter jogado melhor que o outro.”


O divertimento nos traz uma vida imaginária e tudo o que provém da imaginação é sempre mais atraente do que a realidade, eis porque é tão fácil ser capturado pelas garras do entretenimento. De repente, temos a doce possibilidade de nos afastar de si mesmos, dos nossos problemas e questões existenciais que precisam ser encaradas tête-à-tête tal como elas são.
 

Não podemos também ser hipócritas, hoje, a ponto de negarmos que tal divertimento não seja necessário para viver neste mundo tão desigual. Uma dose de alegria fugaz também tem o seu valor, mas a moral que podemos extrair de toda a filosofia de Blaise Pascal é: não tente preencher seu vazio existencial com divertimentos. Não faça do entretenimento o objetivo da sua vida. 

Nosso dia-a-dia já é bastante cruel com suas responsabilidades que por si só nos afastam de nossa essência, da nossa busca, do autoconhecimento. Não crie mais obstáculos. Se enfrente, se olhe, investigue quem você se tornou, pode ser que isso não te traga alegria e nem satisfação, mas é a realidade que também pode ser transformada quando se tem alguma consciência. 


Divirta-se com moderação.

2 comentários:

Sueli Silva disse...

Gostei muito! Consciência é tudo.

Laisa Vianna disse...

Que texto...amei!