sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nili, Pensadores do Oriente





Alguém descobriu que Nili estava dando exercícios, música e entretenimento para os seus discípulos, bem como encorajando-os a ler livros e se reunir em lugares exóticos. Esse crítico disse ao sábio:



“Perdi a conta de quantos anos você lutou contra essas superficialidades e ostentações! Agora descubro que as está usando em seu suposto ensinamento. Abandone essa prática imediatamente ou explique-a para mim. 


Nili respondeu: Eu não tenho nem de abandoná-la nem de explicá-la, mas fico feliz de informá-lo. Esta é a razão: dou exercícios para pessoas que podem compreender para quê eles servem. A maioria das pessoas não compreende; são como aqueles que foram a um restaurante, e em vez de tomar a sopa, apaixonaram-se pelo cozinheiro. As pessoas escutam música com o ouvido errado, então eu lhes nego a música até que possam se beneficiar dela, e não se distrair com ela. Enquanto não sabem para quê ela serve, elas consomem música como quem aquece as mãos em um fogareiro que poderia estar cozinhando algo. Quanto ao ambiente, algumas atmosferas são cultivadas por estetas, que, dessa forma, privam-se do seu valor adicional e ensinam outros a parar antes de terem adquirido alguma coisa de real valor. Essas pessoas são aquelas que saíram em peregrinação e a única coisa em que conseguem pensar é no número de passos que deram;
Quanto aos exercícios, não posso dá-los a ninguém – da mesma forma que não posso permitir que leiam livros quanto não aprenderam que existe um conteúdo mais profundo que a superficialidade de sentir o aroma da fruta e se esquecer que ela está ali para ser comida. Ninguém está se opondo que sintam o aroma, mas se se recusarem a comer, em pouco tempo todo estarão podres. 

SHAH, Idries. Pensadores do Oriente. Roça Nova Editora, São Paulo.

Nenhum comentário: